segunda-feira, 15 de janeiro de 2024

Vovó do Pito, primeira torcedora símbolo do Palmeiras, teve sua história resgatada por Thais Matarazzo

Tive a honra de conhecer em vida o poeta Paulo Bomfim e desfrutar de sua amizade.

O mesmo aconteceu com Thais Matarazzo, jornalista, escritora e editora de livros que partiu desta vida há um ano, em 11 de janeiro de 2023.

Thais, durante uma conversa informal, ouviu do poeta um relato interessantíssimo sobre a Vovó do Pito, antiga escravizada que ele conheceu quando menino e que viveu 110 anos.

Adelaide Antônia das Dores era o nome verdadeiro da vovó que nasceu em uma senzala de Sorocaba, em 10 de dezembro de 1823, um ano depois da Independência do Brasil.

Casou-se jovem, teve dois filhos que morreram na infância e seu marido, enviado à Guerra do Paraguai, lá morreu.

Ela soube da notícia alguns anos depois quando dois de seus irmãos, que também lutaram na guerra, regressaram a Sorocaba como heróis e ganharam suas cartas de alforria.

“Siá Adelaide”, como era chamada, recebeu a liberdade pela morte do marido, arrumou seus pertences e se mudou para a capital em uma viagem feita sobre o lombo de uma mula, junto a um grupo de tropeiros.

Trabalhou como cozinheira e quituteira, passou por diversas residências abastadas e deixou boas impressões por suas qualidades e sentimentos afetuosos.

Era costume no passado, entre as mulheres da roça, usar um pito carregado de fumo aceso para lançar fumaça e assim espantar os mosquitos. Deste hábito surgiu o apelido.

Sua vestimenta se constituía de uma saia longa e florida, chapéu de palha de aba larga, sacolinha de pano e um terço pendurado na cintura.

Após ouvir os relatos do poeta, Thais Matarazzo saiu em busca de mais informações para assim resgatar e perpetuar as memórias dessa antiga personagem paulistana.

De sua pesquisa surgiu o livro “Vovó do Pito e o Menino Paulo”, escrito por Thais Matarazzo e lançado por sua editora em 2021.

Nascido em 1926, Paulo Bomfim conheceu a Vovó do Pito antes ainda de completar 7 anos de idade.

Disse tê-la visto circulando pelas ruas movimentadas do centro e de ouvir suas histórias afetuosas, narradas pelos pais e familiares.

Contavam que a vovó gostava de visitar as redações dos jornais, era bem-recebida pelos repórteres que em sua homenagem todos os anos noticiavam seu aniversário.

A idade avançada chamava a atenção dos leitores e tudo isso fez dela uma pessoa conhecida na cidade toda.

Thais reporta tudo isso no formato de um conto e insere o poeta ainda menino no conjunto da história.

Vovó gostava de futebol, era torcedora fanática do Palestra Itália, participou de caravanas, foi chefe de torcida e não perdia um jogo sequer no campo da Água Branca.

Conta-se que certa vez ao achar que o juiz estava sendo desonesto com o seu time, entrou em campo e discutiu com ele.

Eram outros tempos, contida pelo presidente do clube, Dante Delmanto, o árbitro relevou a conversa, pois já conhecia a boa velhinha e tudo terminou em paz.

Se o caso realmente aconteceu, a torcida com certeza foi ao delírio! Imaginem cena semelhante nos dias atuais?

Por este motivo, a Vovó do Pito é classificada por alguns historiadores do Palmeiras, como a primeira torcedora símbolo do clube.

Graças à Vovó do Pito pude rever pela última vez, em outubro de 2022, a escritora e amiga Thais Matarazzo.

Foi no relançamento de seu livro durante um sarau na Biblioteca Municipal Raul Bopp, no Parque da Aclimação.

Na oportunidade foi apresentada a pintura original do artista belga Adrien Henri Vital van Emelen (1868-1943) que, recém-chegado ao Brasil, retratou Adelaide em sua tela “Negra com chapéu e cachimbo”, bem como “Negra rezando com terço”, também aqui inserida.

A vovó faleceu em 21 de novembro de 1934, com 110 anos de idade, o menino Paulo nos deixou em 2019, aos 92 e Thais quando tinha apenas 40, foi se unir a eles. Essas questões de longevidade, ou não, somente Deus consegue explicar, melhor a nós é não comentar, deixar nas mãos dele.

Na foto tirada em novembro de 2016 participo com Thais Matarazzo em uma tarde de autógrafos, do lançamento de algumas das coletâneas de sua editora, no Shopping Frei Caneca. 

Agora como blogueiro, minha missão continua sendo a de contar histórias que envolvem as personagens paulistanas de todos os tempos, como é o caso agora de Thais Matarazzo, especialmente em um momento igual a este, às vésperas de mais um aniversário dessa Pauliceia cada dia mais Desvairada.

Para provar que a Vovó do Pito realmente existiu, há o filme documentário “São Paulo, a Sinfonia da Metrópole” de 1929, disponível no Youtube, onde ela aparece aos 59 minutos, quase no final da projeção. Acesse:

No filme está a vovó a caminhar pela Av. São João com o auxílio de uma bengala. Vale a pena ver o filme na íntegra. Há uma remontagem da Proclamação da Independência que ficou lindíssima.

 

Créditos: Fotos Vovó do Palestra e do Parque Antártica na década de 1920 pertencem ao Acervo Histórico/Palmeiras. As duas fotografias com Thais Matarazzo fazem parte do meu acervo pessoal e foram feitas por Gustavo Alves. Demais imagens são reproduções retiradas do Google 


segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

Número de pessoas em situação de rua aumenta e pode crescer mais em 2024: CPI de vereadores causa polêmica

A discussão em torno da proposta de uma CPI na Câmara Municipal de São Paulo para investigar as ONG’s que atuam na Cracolândia e o envolvimento, ou não, do padre Júlio Lancellotti ainda repercute.

O tema com toda a certeza será amplamente discutido na campanha eleitoral para prefeito e vereadores na capital paulista em 2024.

Surpresa maior veio dos dados recentes apresentados pelo Cadastro Único para Programas Sociais - CadÚnico, que apontou aumento de 1,8% na população de rua na cidade de São Paulo.

Agora são 53.188 pessoas dormindo todas as noites sob o relento ou debaixo de pontes e viadutos na maior metrópole brasileira.

A quantidade tende a aumentar em 2024 porque nos últimos 10 anos a população de rua no país cresceu 211%, conforme o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – Ipea.


Essa calamidade, entretanto, não é exclusiva do Brasil ou da cidade de São Paulo, ocorre em outras metrópoles como São Francisco, nos EUA, em Paris e até mesmo no Cairo, capital do Egito.

Como resolver essa situação?

Em Nova York uma pesquisa culpou o preço dos aluguéis: “Se o custo da locação diminuir em 10%, a quantidade de famílias sem-teto tende a cair 8% , revela artigo do Estadão, publicado em 25 de dezembro último.

O jornal também diz que Tóquio é uma das poucas metrópoles onde quase não há moradores de rua, “porque o custo da moradia no Japão não é caro”, indica o artigo.

Mas o aumento da quantidade de pessoas nas ruas, não se resume apenas ao custo dos aluguéis.

A desintegração de laços comunitários ou familiares, ocasionados pelo alcoolismo e consumo de drogas, em especial o crack, colaboram para o aumento desse resultado.

Programas sociais como o Bolsa Família do governo federal, o Recomeço para tratamento dos usuários de crack, do governo estadual, e o Vila Reencontro da prefeitura de São Paulo, que oferece moradias temporárias de 18 m² a famílias em desabrigo, não estão sendo suficientes para resolver a questão que é ainda mais ampla.

Ao que parece o assunto já não é mais uma questão a ser resolvida somente pelas autoridades, ela está relacionada ao comportamento do ser humano, a população precisa ficar mais atenta ao que acontece dentro de sua casa.

Cada vez mais pessoas não conseguem suportar as pressões e as exigências da sociedade atual, especialmente se viverem em um lar desestruturado.

Sem laços afetivos, o ambiente dentro de casa se torna de completa solidão e a fuga para o álcool, as drogas e depois as ruas é questão de curto prazo.

A Cracolândia está cheia de pessoas assim. O que fazer?

Uma das soluções pode ser o despertar da religiosidade, ação que funciona em alguns casos, noutros não.

Não adianta abrir e ler a Bíblia na frente deles, ninguém irá prestar atenção.

Nesse aspecto entra a atividade do padre Júlio Lancellotti que coordena desde 1986, a Pastoral do Povo de Rua.

Nascido em 1948, foi ordenado padre somente em 1985, aos 37 anos. Antes trabalhou de enfermeiro na Santa Casa de Bragança Paulista, cursou pedagogia e só depois estudou teologia.

Lidar com pessoas que vivem nas ruas não é tarefa fácil e o modo dele se expressar é diferente de outros padres.

Ele também não se preocupa em retirar pessoas das ruas: “Se olharmos com atenção, conversarmos um pouco, sentiremos que são seres humanos onde também bate um coração”, diz.

Também dá respostas agressivas do tipo: “Com uma mão a gente dá o pão e com a outra a gente luta”.

Costuma se envolver em política: “Deus não está acima de todos, ele está no meio de nós”.

O padre Júlio alega que sequer faz parte hoje das entidades citadas pelo vereador autor do requerimento.

Suas atividades na pastoral, segundo ele, são feitas com recursos da Arquidiocese e por meio de doações da comunidade na Paróquia de São Miguel Arcanjo, no bairro da Mooca, onde é o pároco. 

Júlio Lancellotti é considerado “esquerdista” pelos opositores, mas seu trabalho é importante e só ele o realiza na cidade de São Paulo.

Acredito que os vereadores que pediram a retirada de seus nomes da lista para a abertura da CPI pensam da mesma forma.

O ano eleitoral está só começando.

 

Fontes:

O Estado de São Paulo - Os mais excluídos dos excluídos - Os mais excluídos dos excluídos - Estadão (estadao.com.br)

Prefeitura de São Paulo - Programa Vila Reencontro: Prefeitura inaugura no Pari a maior Vila Reencontro da cidade, com 100 moradias para abrigar famílias em situação de rua e capacidade para 400 pessoas — Prefeitura (capital.sp.gov.br)

Programa Recomeço: Programa Recomeço - Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo

Portal G1: Cidade de SP registra mais de 53 mil moradores em situação de rua, alta de 1,8% em março, segundo levantamento | São Paulo | G1 (globo.com)

quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

As previsões para 2024, o ano das incertezas

Athos Salomé, de 37 anos, também chamado de Nostradamus Mineiro, previu três acontecimentos para 2024.

O primeiro é que a humanidade finalmente manterá contato com seres alienígenas vindos de algum ponto do universo.

Suas previsões foram apresentadas pelo portal de notícias O Tempo, de Minas Gerais, edição do dia 1º de janeiro.


O vidente também anunciou para este ano, o início da 3ª Guerra Mundial e uma efetiva rebelião de robôs.

“Pode ser mentira, pode ser verdade, pode ser apenas fruto da imaginação, mas enfim, são histórias que o povo conta”, dizia Silvio Santos em um de seus programas de rádio, muitos anos atrás.

Previsões desse tipo são mostradas na mídia em todo início de ano, sempre de acordo com o sabor dos fatos do cotidiano.

Por esta razão algumas coisas acabam acontecendo, outras serão esquecidas ao longo dos 365 dias.

Verdade mesmo é que 2024 se inicia envolto por um universo de incertezas.

Thomas Friedman é um jornalista americano que assina sua coluna de assuntos internacionais no The New York Times. Seus textos traduzidos, são publicados no Estadão.

Na edição do dia 31 de dezembro, o colunista fez menção ao passado quando, segundo ele, havia esperanças de um futuro melhor para a humanidade.

“O nascimento da democracia na Rússia, a expansão da União Europeia, a eleição do primeiro presidente americano negro e a evolução da África do Sul para uma democracia multirracial com foco na reconciliação e não na vingança, fizeram parte de um conjunto de boas notícias”.

Entre 1989 e o início do século 21, também na condição de jornalista, tive a sensação de que a humanidade entraria nos eixos, mas esta percepção foi mudando pouco a pouco. Friedman em seu texto publicado no final do ano passado acrescentou:

“O que estamos assistindo agora, é um mundo cada vez mais próximo do autoritarismo. Deus sabe que as democracias têm seus problemas, mas elas ainda têm algo que falta às autocracias: a capacidade de mudar de rumo”.


Para o analista, somente países democráticos conseguem examinar e debater publicamente ideias alternativas, antes de adotar uma decisão final sobre qualquer tema.

Friedman tem razão. Como repórter acompanhei o processo de redemocratização do Brasil que culminou na promulgação da Constituição Cidadã de 1988.


A economia estabilizada pelo Plano Real fez com que o país voltasse a crescer, mas acontecimentos políticos levaram o Brasil a esta horrível divisão ideológica em que hoje estamos.

Isto vem ocorrendo em outros países, é verdade. Por tais motivos, o que esperar de 2024, senão incertezas?



Quem vencerá a guerra entre Rússia e Ucrânia?

Sobre o confronto entre Israel e o Hamas, há como prever um final feliz?

“A situação atual é tão terrível que as pessoas fogem da realidade como fogem de foguetes, escondendo-se no abrigo de seus pontos de vista. É inútil apontar o dedo. A única coisa que nos resta é mudar esse destino...”.

A frase é de Dahlia Scheindlin, cientista política baseada em Tel Aviv. De que modo e de qual maneira mudaremos nosso destino? Ela não soube explicar.


Tomara mesmo que o Nostradamus Mineiro esteja certo e que os seres alienígenas com os quais manteremos contato, possam ensinar a humanidade a ser mais generosa e menos bélica.

Abraços a todos e a todas. Feliz Ano Novo!

Fontes:

Portal Estadão 31 de dezembro de 2023

O que está acontecendo com o nosso mundo? Leia artigo de Thomas Friedman - Estadão (estadao.com.br)

Portal O Tempo -  1º de janeiro de 2024

Nostradamus mineiro afirma que em 2024 humanidade terá contato com alienígenas | O TEMPO









quarta-feira, 27 de dezembro de 2023

Existem na natureza 8,7 milhões de seres vivos e nem todas as espécies estão catalogadas: Deus nunca parou de criar!

No mundo há 10.426 espécies de aves e cerca de 2 milhões e 200 mil seres aquáticos entre mares, rios e lagos.

Cientistas avaliam que estes números podem ser maiores, porque ainda falta muito a ser pesquisado e descoberto.

Estimativas apontam que várias espécies de seres vivos, especialmente nas águas, ainda precisam ser catalogadas. Impressionante, não é?

Essas informações foram trazidas pelo podcast “Presente Diário”, produzido pela RTM – Rádio Trans Mundial, que transmite da cidade de São Paulo desde 1970, antes por ondas curtas e agora via satélite.

Apesar do programa ser de cunho religioso, os redatores não deixam de abordar questões científicas, isto é muito bom.

Nós, seres humanos, sequer imaginamos a existência de tamanha diversidade pelo planeta afora. 

O que mais me impressionou foi o fato do podcast ter citado apenas duas espécies, aves e animais aquáticos.

"Já pensou em olhar para o restante? Nesse caso, chegaremos a 8,7 milhões de seres vivos", disse a apresentadora ao acrescentar: "E isso, é só o que já foi possível descobrir!"



Nilcéia Parize é quem faz a locução feminina do “Presente Diário” e a edição que foi ao ar, no dia 27 de dezembro de 2023, contou com a redação de Marcos Passig, de Blumenau - SC.

Em seu texto, ele buscou ressaltar que diante das informações obtidas, "não há como discordar da existência e grandiosidade de Deus".

O redator também define que "o ser humano foi criado à imagem e semelhança de Deus, portanto, é muito criativo e capaz de realizações fantásticas, mas nunca chegará ao mesmo nível do 'Criador'!"

A proposta do “Presente Diário”, é levar aos ouvintes reflexões que abordam a importância de Deus em nossas vidas.

"Quantas coisas belas criadas pelo Senhor estão ao nosso redor e nem percebemos? Nos lembramos de agradecer a ele por tudo isso?"

Essas são algumas das questões levantadas. 

O programa salienta que atitudes de preservação e respeito à natureza, bem como ações práticas de proteção, agradam a Deus muito mais do que belas palavras que às vezes se perdem ao vento.

Como reflexão final, a edição do “Presente Diário” de 27 de dezembro define: "A mesma perfeição que Deus mostra na criação, vale para os planos e ações em nossas vidas".


Questionamentos assim podem nos ajudar a preparar melhor nossos planos e ideias para um bem-viver mais saudável tanto para o espírito, quanto para a mente, neste novo ano que se inicia.

Deste modo, faço votos para que 2024 seja profícuo em realizações que garantam avanços na vida pessoal de cada um de nós, para a conquista, quem sabe, de um mundo melhor para todos, sob as bênçãos do mestre Jesus. 

Para acessar a Rádio Trans Mundial:

RTM Brasil

Para ouvir o Presente Diário acesse:

Presente Diário - RTM Brasil
Coloque no calendário a data 27 de dezembro 

 

Agradecimentos a Paula Ferreira e Walter Fernandes, jornalistas da RTM Brasil

sábado, 23 de dezembro de 2023

Os evangelhos apócrifos trazem valiosas informações sobre o Dia de Natal, a vida de Maria e a morte de Jesus

 Para todos os cristãos o nascimento de Jesus é emoldurado pelas imagens do presépio que mostram os animaizinhos em torno da manjedoura e a presença, além de Maria e José, dos três Reis Magos diante do recém-nascido.

Por mais que se procure nos evangelhos que estão na Bíblia, somente o de Matheus faz alusão aos magos vindos do oriente, mas sem citar seus nomes.


Existem inúmeros evangelhos apócrifos, aqueles não aceitos pela Igreja. Um deles diz que os Reis Magos eram irmãos e que Melchior governava os persas, Baltazar os indianos e Gaspar, os árabes. 

Este imenso poder político não foi confirmado por São Jerônimo, um dos compiladores do Novo Testamento.

Por este e outros motivos nem todas as informações dos apócrifos foram aceitas, mas algumas são utilizadas pelos evangelizadores. 

Muitos desses escritos vieram sob o sabor das histórias contadas pelo povo, onde em cada conto se aumenta um ponto.

Vale ressaltar: em grego a palavra apócrifo significa “escondido”.

José de Arimateia, responsável pelo sepultamento de Jesus, escreveu um evangelho não aceito, no qual apresenta a figura de Verônica, mulher que enxugou o rosto de Cristo na caminhada ao Calvário.

O rosto de Nosso Senhor coberto de sangue fica estampado em seu véu. Essa representação é exibida nas procissões dos católicos na Sexta-Feira Santa.

Este acontecimento, entretanto, não aparece em nenhum dos quatro evangelhos canônicos: Matheus, Marcos, Lucas e João.

Os pais de Maria, Ana e Joaquim, tiveram seus nomes extraídos de evangelhos apócrifos.

Uma crônica do escritor e jornalista francês Gilles Lapouge, publicada em 25 de dezembro de 1996 no Estadão, revela uma história sobre Maria, extraída dos apócrifos.

“... Era uma menina exemplar que aos 12 anos anunciou que pretendia ficar virgem para sempre.

O sumo sacerdote do templo, chamado Abiatar, insistia para que Maria se casasse com um de seus filhos.

Foi necessário que um anjo aparecesse e ordenasse ao sumo sacerdote que encontrasse para Maria, um marido viúvo.

Todos os viúvos da redondeza foram chamados, entre eles José, também viúvo e pai de sete filhos. 

Abiatar manda todos os viúvos empunharem um cajado diante dele e no de José, brota uma flor da qual sai voando uma pomba que pousa em seu ombro.

José entende que é ele quem vai se casar com Maria, mas apenas para proteger a sua virgindade, o que lhe é revelado depois, em sonho...”

Fica ainda o mistério:  Como pode uma virgem conceber?  Uma vez mais os evangelhos apócrifos trazem a explicação: “O Espírito Santo entrou em Maria por uma de suas orelhas.”

A noite de Natal também descrita de maneira primorosa por Lucas, em seu evangelho, também consta nos evangelhos apócrifos.

“Na hora do parto José sai da gruta em busca de uma parteira, anda apressado, mas de repente percebe que o mundo todo em sua volta está parado...” ...“Consegue avistar ao longe pastores e lavradores que se alimentavam, mas esses pareciam imóveis...” Quem sabe, diante de um maravilhoso céu estrelado.

No texto do Estadão, Gilles Lapouge, correspondente do jornal em Paris que nos deixou em 2020, conclui: “No silêncio das coisas, no sono, o tecido multicor da eternidade e sua confusa essência...”

Só mais uma coisa: A todos e todas que seguem nossas postagens, desejo um Feliz Natal seguido de um Ano Novo repleto de bons momentos.

Abraços mil!



Fonte: O ESTADO DE S. PAULO - 25 DE DEZEMBRO DE 1996 - PAG. 11

Livros que trazem relatos encontrados nos evangelhos apócrifos:

Evangelhos apócrifos: Gregos e latinos - Frederico Lourenço - Quetzal Editores

Evangelhos Apócrifos - Luigi Moraldi - Paulus Livraria/1999

Coleção Apócrifos e Pseudo-Epígrafos da Bíblia - Organizado pela Editora Ebenézer

 

domingo, 17 de dezembro de 2023

Dona Dulce, “Rainha do Volante”, ajudou emancipar o Itaim Bibi e fazer dele um orgulho dos paulistanos

Hoje o Itaim Bibi é citado em todo o Brasil por abrigar em seus edifícios os escritórios da “Turma da Faria Lima”, o pessoal que rege o mercado financeiro, mas nem sempre foi assim.

Dulce Borges Barreiros, também conhecida como Dona Dulcinha, morou no Itaim Bibi por mais de 50 anos e se transformou numa daquelas personagens eternas de São Paulo, citadas pelos memorialistas que apreciam as boas lembranças.


Dona Dulce viveu 93 anos, nasceu em 1906 e faleceu em 1999, foi casada com o Sr. Antônio dos Santos Barreiros, teve três filhos e sete netos, entre os quais Cassiano Bernard Borges Barreiros, que gentilmente nos atendeu e pelo WhatsApp nos passou informações.



Cassiano é DJ e criador de uma empresa de produções para o segmento de áudio visuais e na foto acima, aparece bebê no colo da vovó.

Para a posteridade, Dona Dulcinha deixou um depoimento riquíssimo publicado em um jornal da região, cujo recorte nos foi entregue por Helcias Bernardo de Pádua, coordenador da Associação Grupo de Memórias do Itaim-Bibi.

Em 26 de outubro de 2023, Dulce Borges Barreiros, foi lembrada em uma solenidade promovida pela Câmara Municipal de São Paulo para comemorar os 89 anos do Itaim Bibi.

Helcias nos falou de suas lembranças sobre ela, nos tempos em que era menino, quando a nobre senhora comparecia à sua casa porque sua mãe, Benedita Ferreira de Pádua, era costureira e fazia os vestidos de Dona Dulce.


Neste depoimento ao jornal, a antiga moradora fala de sua juventude no bairro e da facilidade que tinha para conversar com as pessoas, tanto que se tornou assessora do então governador Adhemar de Barros. Dona Dulce conta:

“O Itaim de início era uma chácara onde moravam pessoas simples e graças à minha amizade com os políticos consegui para o bairro muitas melhorias como água encanada, luz, asfalto, esgotos, ônibus, escolas e até divertimento...”



“...Isso mesmo, construí o primeiro cinema do bairro, o Cine Itaim, na esquina das ruas Joaquim Floriano e Tapera, hoje Rua Bandeira Paulista...”

“...Os rapazes sempre queriam assistir filmes de bangue-bangue ou do Flash Gordon e as moças preferiam os filmes sentimentais, era uma briga danada. Este cinema funcionou até 1951...”




“...Quando inaugurei meu novo cinema, o Cine Star, depois Lumiére, o fizemos ao lado do Edifício Dulce, o primeiro prédio com elevador do Itaim. Todo mundo ia lá para andar de elevador...”




“...Ajudei fundar a Sociedade Amigos do Itaim e dei a ideia de lançar um concurso para o bairro ter uma bandeira que hasteamos até hoje das festas da comunidade.

Lembro-me de quando foi fundada a fábrica da Kopenhagen aqui no bairro, em 1925. Eram os donos, um casal da Letônia, que vieram para o Brasil fugindo da guerra. Eles começaram vendendo marzipan de porta em porta, doce de origem árabe.

A fábrica trouxe desenvolvimento para o Itaim, principalmente empregos...” 



“...Acho que fui a primeira feminista do Brasil, pois em 1924 ainda mocinha, com 18 anos, comecei a participar das corridas de automóveis realizadas no Pacaembu, cujas ruas eram todas de terra.

Meu carro era um Lincoln onde estou de pé sobre o estribo, todos os domingos ia com ele fazer o corso na Avenida Paulista.  Era um hábito muito chique, cultivado por gente importante que desfilava com seus carrões, um mais lindo que o outro...”



“... Num dia de 1926, um moço muito elegante bateu à minha porta, era o conde Eduardo Matarazzo, ele disse assim: ‘Desculpe a minha ousadia Dona Dulce, mas eu sou representante da fábrica dos automóveis Bugatti no Brasil e gostaria que a senhora o exibisse pela Avenida Paulista’.

E lá fui eu dirigindo aquela máquina admirada por todos, foi um sucesso. Onde eu parava enchia de gente em volta.

Depois corri com a Bugatti no Pacaembu e capotei duas vezes. Tenho uma coleção de taças e medalhas, até hoje sou chamada de ‘Rainha do Volante!’”



Na edição de 15 de maio de 1926, a Revista da Semana publicou a reportagem fotográfica de uma corrida de automóveis realizada na avenida Brigadeiro Luiz Antônio.

Essa corrida foi promovida pelo São Paulo Jornal, extinto há muitos anos e na matéria, Dulce Barreiros, é citada como vencedora de uma das competições.

Outra foto apresenta o Conde Eduardo Matarazzo, vencedor com sua Bugatti da prova “Cidade de São Paulo”.

As outras duas fotografias mostram aspectos das provas.

O professor Helcias Pádua também me contou aspectos interessantes de sua família no bairro.



Na foto acima, Helcias é o menor de todos os meninos sobre o muro, só aparece sua cabeça. Seu pai, Orestes Bernardo de Pádua, é o que está no centro de terno branco.

Ao fundo ficava a residência da família Pádua, na Rua Luiz Dias, 48 antiga Rua do Porto nº 4. Reparem que não havia calçamento na rua e nem mesmo calçada.

Helcias Bernardo de Pádua também nos envia o logotipo das comemorações dos 90 anos do Itaim Bibi que acontecerão em 2024.




Acima está foto de Dona Dulce mostrada na solenidade promovida pela Câmara Municipal em outubro passado.

 

Fontes: Grupo de Memórias do Itaim Bibi e Blog do Ralph Giesbrecht

domingo, 3 de dezembro de 2023

Brasil: campeão em acidentes e na luta pela superação das deficiências, brilha no Parapan de Santiago

No domingo, dia 3 de dezembro, lembramos o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência.

Claro que ainda há muito o que fazer em termos de melhorias para as pessoas que por algum motivo adquirem uma paraplegia, mas já temos o que comemorar.

A delegação brasileira encerrou sua participação nos Jogos Parapanamericanos de Santiago do Chile, com a melhor campanha da história.

Foram 343 medalhas (156 ouros, 98 pratas e 89 bronzes), 35 a mais que na edição passada, há quatro anos, em Lima (Peru).

Líder no quadro de medalhas, o Brasil deixou para trás Estados Unidos, segundo colocado com 166 pódios. A Colômbia ficou em terceiro com 161.

O Brasil segue hegemônico na competição desde a classificação geral obtida em 2007, quando aconteceu a edição do Rio de Janeiro.

Os jogos paralímpicos de Santiago terminaram em 26 de novembro de 2023.

Por ser jornalista e pessoa com deficiência, considero expressivas essas conquistas porque elas envolvem não apenas o esporte, mas também a medicina, a psicologia, a fisioterapia e outras ciências.

São vitórias obtidas pelo esforço pessoal e individual desses paratletas que, em sua maior parte, foram um dia pessoas normais que por alguma fatalidade, adquiriram sequelas físicas, visuais ou auditivas.

Homens e mulheres de todos os gêneros e idades, orientados por profissionais de diversas áreas, encontraram soluções para superar os novos desafios de quem se torna, por exemplo, um cadeirante.

 A primeira grande dificuldade é se adaptar a essa nova forma de viver e de encarar a vida, tarefa que não é fácil.

Ninguém adquire uma deficiência, seja ela qual for, e sai depois praticando esportes. A trajetória é longa, difícil e nem todos conseguem. A competição inicialmente é particular, ou seja, da própria pessoa com ela mesma.

Para quem se torna uma Pessoa com Deficiência - PCD a primeira competição acontece a sós, entre quatro paredes, com ela mesma.

É preciso condicionar o corpo e a mente à uma nova situação e de início, coisas corriqueiras como virar o trinco de uma porta, acionar o interruptor de uma lâmpada, ou abrir o chuveiro, e tomar banho, se tornam um desafio.

Tarefas antes comuns, que passavam despercebidas, viram empecilhos a serem vencidos com exercícios físicos e orientações vindas de profissionais da medicina e fisioterapeutas.

Voltar a fazer tudo sem precisar pedir ajuda, traz de volta um tipo de felicidade só entendida por quem já passou por essa situação.

Não se trata de individualismo, mas de conquistas obtidas pela resiliência e esforço de superação.

Tornar-se paratleta é o passo que vem depois da adaptação às novas condições de vida.

O Brasil nesse aspecto evoluiu mais que outros países por estar entre os campeões mundiais de acidentes no trânsito ou no trabalho e que somados aos números da violência urbana, se coloca perto de países que consideramos atrasados como Nigéria e Índia.

Fatores negativos promoveram indiretamente o Brasil no desenvolvimento da medicina e de outras ciências em qualidade comparável à dos países ricos.

Nossas universidades formam todos os anos profissionais que depois irão trabalhar na recuperação das vítimas do trânsito e da violência.

Isto faz do nosso país uma nação maravilhosa, se observada pelo aspecto da capacitação de profissionais que irão ajudar cidadãos e cidadãs a valorizarem suas vidas que em determinado momento consideraram quase perdidas, sem esperança de recuperação.

Nesse aspecto entra a participação do esporte como aliado dos médicos, psicólogos e de todos os que trabalham para a reabilitação de pessoas rumo a uma nova condição de vida.

A medicina e o esporte atuando juntos, devolvem à sociedade pessoas sadias.

Um total de 324 paratletas seguiu para o Chile, após convocação do Comitê Paralímpico Brasileiro – CPB.

Desses, a maioria foi formada por paulistas: 86 e 33 fluminenses. Seguiram também 26 mineiros, 25 paranaenses, 16 pernambucanos, 15 brasilienses, 13 catarinenses, 13 potiguares e 12 paraenses.


O próximo Parapan será realizado em Barranquilla, na Colômbia, em 2027.

 

Fontes:

 Agência Brasil: https://agenciabrasil.ebc.com.br/esportes/noticia/2023-11/brasil-faz-melhor-campanha-da-historia-no-parapan-ao-somar-343-podios

 Comitê Paralímpico Brasileiro: https://cpb.org.br/noticias/vem-ai-os-jogos-parapan-americanos-saiba-tudo-sobre-a-participacao-brasileira-em-santiago-2023/