terça-feira, 7 de julho de 2026

Derrota na Copa revela futuro sombrio para o futebol brasileiro

Espantosa a forma como a crônica esportiva trata a seleção brasileira diante dos maus resultados.

Ficam procurando culpados e se esquecem que o problema é estrutural e de difícil solução.

O Brasil deixou de formar bons jogadores faz tempo e os motivos são vários.

Maior parte dos grandes clubes brasileiros vive uma situação financeira difícil e o investimento na formação das equipes de base é cada vez menor.

Assim que surge um bom jogador, ele é logo vendido para um time europeu e passa a viver em outro país.

Aos poucos os vínculos com a Pátria mãe vão ficando para trás e ser convocado para a seleção brasileira passa a ser um transtorno, especialmente se houver lesões.

Outro problema está na quase extinção dos campos de várzea, substituídos pelas escolinhas de futebol.

Todo menino quando criança sonha em se tornar jogador, antes o preparo começava nos campos de terra batida.

Ali reside o futebol raiz onde as partidas são disputadas no mesmo vigor de uma Copa do Mundo em raça e disposição.

Havia depois a peneira para ingressar nos clubes, outro sonho acalentado pela maioria dos meninos da várzea.

Agora os tempos são outros, o pai inscreve seu filho em uma escolinha de futebol onde o professor passa alguma técnica aos jovens pretendentes e ensina certos fundamentos.

A garotada sai disciplinada, mas não adquire o senso de improviso e perde o poder de decisão.

Óbvio, nem todos se revelam grandes craques, o agravante é que esses garotos chegam à base na maioria meio-campistas.

Atuar como volante ou meia-atacante é mais fácil do que jogar nas laterais onde é preciso ter fôlego.

O Brasil não tem mais meia armadores, aqueles que fazem lançamentos em profundidade e nem centro avantes.

O melhor jogador desses últimos tempos é o Endrick, ainda assim criticado, especialmente depois da desclassificação.

Diante dessa carência de bons jogadores, os clubes brasileiros da Série A, contratam atletas dos países vizinhos e acaba sendo um bom negócio para ambas as partes.

Apesar de desvalorizada, a nossa moeda possui mais poder de compra do que o dinheiro argentino, paraguaio ou colombiano.

Os estrangeiros que atuam no futebol brasileiro jogam por dinheiro, não por amor à camisa dos clubes.

Na hora das convocações vão servir às seleções de seus países e o nosso torcedor perde o interesse pela seleção brasileira.

O técnico Carlo Ancelotti perdeu tempo no ano passado assistindo aos jogos do Brasileirão onde atuam muitos estrangeiros em posições vitais.

Esperamos que a partir de agora Ancelotti passe a acompanhar a preparação das seleções sub-20 e sub-17 e descubra nelas os possíveis novos craques.

A tarefa é difícil, assim sendo, da mesma forma, precisará acompanhar os campeonatos europeus onde jogam os brasileiros. 

Percebem como está tudo de pernas para o ar? O Uruguai está do mesmo jeito e a Argentina quando o Messi encerrar a carreira, babau.

O subdesenvolvimento da América Latina se escancara no futebol.

Bye, Bye Brasil! Infelizmente nosso país não consegue mais produzir grandes jogadores e há vários outros motivos.

O que aqui foi escrito diz respeito apenas à ponta de um iceberg que esconde má gestão, péssimos calendários, interferência das Bets e muita corrupção nas federações esportivas.

O futuro do futebol brasileiro é sombrio, mas a maioria tapa os olhos e os ouvidos porque uma parte e já faz tempo, segue comprometida com essa corja.

Assim, fica mais fácil colocar a culpa no Neymar, “o último dos moicanos” e chutam a bola pra frente.



Fotos: Agência Brasil



quarta-feira, 24 de junho de 2026

Cazé TV dá show de bola na Globo durante a Copa do Mundo

Dizem ser o “sinal dos tempos”, afinal, tudo muda.

A Cazé TV obteve o direito de transmissão dos 104 jogos da Copa do Mundo 2026 e bateu um recorde histórico.

Sua audiência ultrapassou 18,3 milhões de dispositivos conectados simultaneamente, a maior na história do YouTube.

Este resultado foi obtido em levantamento realizado após a partida Brasil 3 x 0 Escócia, em 24 de junho de 2026. 

Em 2 de julho, novo apontamento indicou que a CazéTV não acabou por completo com a Globo.

Mas a emissora sentiu o baque, pois perdeu o monopólio que tinha de audiência na Copa do Mundo.

O alcance da Globo na TV aberta caiu de 98%, em 2022, para 82% em 2026. Além disso, o SBT entrou na parada.

A SporTV recuou dos 22%, da copa anterior, para 15% agora. 

Este é o resultado da fragmentação dos direitos de transmissão e da digitalização. 

Mas quem é o dono da bola na Cazé TV?

A Cazé TV surgiu em 2022, por iniciativa do jovem empreendedor, Casimiro Miguel, em parceria com a agência Live Mode.

Atualmente está classificado entre os maiores streamers e influenciadores digitais do Brasil.


Seu trabalho modificou todos os conceitos de mídia aplicados até então no Brasil, a Rede Globo está sendo sua maior vítima.

Quem poderia imaginar que a “Vênus Platinada” ficaria com apenas 55 dos jogos disputados!

Todas essas partidas da Globo estão sendo divididas entre o seu canal aberto, a SporTV, GE TV e o Globoplay.

Com relação aos outros canais esportivos como ESPN, XSports e o BandSports, dá até pena assisti-los neste período de copa, até mesmo os apresentadores se mostram constrangidos.

Sem levar em consideração os aspectos financeiros das negociações com a FIFA, ficou claro que de agora em diante a TV, como veículo de comunicação, terá que se repensar.

Assim como aconteceu com o Rádio e com os Jornais impressos, chegou a “hora da verdade” para a Televisão.

Os avanços tecnológicos promovem essas alterações, os especialistas apontam, e não é de agora, que a humanidade enfrenta os efeitos de uma Quarta Revolução Industrial.

As três primeiras revoluções industriais aconteceram entre os séculos 18,19 e 20 de forma inevitável. O mundo passou pela troca da produção artesanal para as máquinas e, posteriormente, operários foram substituídos pela automação.

Isso obviamente alterou as formas de trabalho, profissões foram extintas para dar lugar a outras em um processo contínuo e sem retorno, semelhante aos dias de hoje.

Agora, nesta Quarta Revolução Industrial, o mundo físico se conecta ao digital e mudanças estão acontecendo, sendo algumas para o bem e outras para o mal da humanidade.

Tais alterações mudam profundamente não só o mercado de trabalho como um todo, mas também o modo de ser da mídia.

Já foi o tempo em que as partidas de futebol começavam somente após o término da novela global e outras mudanças virão.

Claro que a criatividade, inteligência na forma de apresentar e pensamento crítico ainda possuem valor, esta é a salvação.

A Televisão terá que se requalificar constantemente, pois o ciclo de vida das tecnologias está cada vez mais curto.

O Rádio cresceu em audiência após o surgimento das novas mídias, passou a ter imagens e melhor qualidade de som.

A Televisão também tem à disposição dela esses recursos, mas a velocidade da informação irá mexer com os telejornais e telenovelas que precisarão ficar menos tempo no ar. 

Programas de auditório do tipo SBT, Caldeirão do Huck e até o Fantástico estão na marca do pênalti, o formato de apresentação tende a mudar, será necessário dar mais agilidade.

Isso se deve em parte, às novas formas de entretenimento surgidas com os streaming de vídeo tipo Netflix, Amazon Prime e Disney, entre outras mais.

Postagens no Instagram, Facebook e no próprio YouTube também deram uma chacoalhada nos formatos tradicionais da televisão brasileira e mundial.

A última novidade diz respeito às novelas verticais, com episódios que duram entre 1 e 3 minutos.

A narrativa tem ritmo acelerado e aborda situações dramáticas que podem ser acessadas diretamente nas plataformas digitais.

O YouTube é excelente nesse aspecto, fácil de ser acessado no celular, vai bem até quando a internet é de baixa potência.

Dentro dessa Quarta Revolução Industrial surge a “geração TikTok”, um público jovem sempre em busca informação rápida.

Até a próxima Copa do Mundo, em 2030, toda essa situação tende a mudar, a FIFA já sabe disso e vai tomar providências.

Ela comunicou às emissoras que a decisão sobre os direitos de transmissão do próximo mundial está em aberto.

A entidade máxima do futebol levará em consideração aspectos que vão além do valor financeiro oferecido.

A audiência, repercussão e o alcance da cobertura dos veículos de comunicação, pesarão na escolha.

Te cuida Rede Globo de Televisão e coirmãs, porque até a próxima copa algumas redes de televisão correm o risco até de fechar as portas.

Cazé, cuide-se também, porque quando uma seleção se torna campeã, as demais adversárias se preparam para vencê-la na copa seguinte. Como dizia Cazuza em uma de suas canções, “O tempo não para”.

Fontes: Midiamax, Sportingnews, Estadão Conteúdo 
Imagens: Google





domingo, 17 de maio de 2026

O final comovente das transmissões da Rádio Eldorado

Nunca o anúncio do final de uma emissora causou tamanho impacto. A Rádio Eldorado saiu do ar para sempre à zero hora do dia 15 de maio de 2026.

Nem mesmo a Tupi, pioneira na mídia televisiva, que encerrou as atividades em 1980, mobilizou pessoas para pedir sua volta de suas atividades.

Justamente uma emissora de rádio, considerada de baixa audiência, conseguiu essa façanha.

Este acontecimento ficará para a história das comunicações no Brasil.

No caso da TV Tupi, o desenlace já era esperado, o canal fundado por Assis Chateaubriand estava afundado em dívidas.

A Rádio Eldorado, por sua vez, nunca trouxe lucros expressivos, sempre foi deficitária. 

A emissora foi criada para a missão de divulgar a cultura em seus vários segmentos, pautada sempre na credibilidade do jornal O Estado de S. Paulo.

O Estadão, inclusive, anunciou em primeira página a inauguração de sua rádio, na edição de 4 de janeiro de 1958.

Durante seus 68 anos de existência a Eldorado garantiu ao Estadão o retorno afetivo de um público ouvinte formador de opinião, a rádio servia ao jornal o custo benefício de sua credibilidade.

Professores universitários de várias áreas, intelectuais, acadêmicos, artistas, cientistas, enfim, até mesmo políticos demonstravam nas conversas serem ouvintes da Eldorado.


Ao longo das décadas todos os executivos que passaram pelo comando do Grupo Estado souberam respeitar e manter a emissora por esses aspectos.

Desta vez, entretanto, faltou sensibilidade aos atuais comandantes do Estadão para compreender o prejuízo como custo-benefício para o jornal que nos domingos chegou a ter 400 páginas.

Atualmente, um de seus principais executivos é do Rio de Janeiro, nada contra a cidade maravilhosa.

O motivo é que ondas da Eldorado nunca chegaram ao Rio e, por conseguinte, este executivo nunca ouviu e nem quis ouvir rádio, uma pena porque no RJ também há emissoras de qualidade.


Não dá para chamar este executivo de insensível, mas podemos classificá-lo como desinformado. Então, para ele, um pouco de história da radiofonia paulista:

Durante os primeiros 25 anos, as transmissões pelo AM 700, levaram ao público programas cujos locutores de vozes sóbrias, apresentavam músicas de qualidade.  

O jornalismo também acontecia nessa época com notícias redigidas na própria redação de O Estado de S. Paulo.

A audiência sempre foi pequena, mas fiel, os diretores sabiam disso e o jornal prosperava, em parte, por causa da rádio.


Em 1982 surgiu o projeto Nova Eldorado AM. sob o comando de João Lara Mesquita.

Ele trouxe inovações também para a Eldorado FM na frequência 92,9 MHz.

A Eldorado passou a dar exemplos para as emissoras concorrentes pela capacidade de mobilizar a opinião pública.

Uma campanha pela despoluição do Rio Tietê foi realizada e através de um abaixo-assinado se colheu mais de 1 milhão e duzentas mil assinaturas.

A mobilização se deu em um tempo em que ainda não havia internet e sensibilizou o governo do Estado que implantou o Projeto Tietê, ainda existente.


Antes a Eldorado tinha trazido novidades, como o repórter aéreo na época em que ninguém sonhava com a existência do Waze ou do Google Maps para orientar caminhos.



Graças ao telefone celular, surgiram os “ouvintes-repórteres” e a Eldorado passou a fazer um verdadeiro “show” de reportagens em torno da Grande São Paulo em todos os finais de tarde.



Partiu da Rádio Eldorado a iniciativa de defender o fim da obrigatoriedade de retransmissão de “A Voz do Brasil”.

Todos os dias no horário das 19 horas, as rádios de todo o país tinham que interromper sua programação para transmitir um noticiário oficial existente desde os tempos da Ditadura Vargas.

João Lara Mesquita passou a questionar essa obrigatoriedade no sentido de garantir a liberdade de programação no horário em que ouvinte parado no trânsito mais precisava.

"Todas as concorrentes abraçaram a ideia na época, menos a Jovem Pan", me contou João Lara, certa vez.

Atualmente, o programa oficial continua sendo de apresentação obrigatória, mas seu horário foi flexibilizado.


Depois da saída de João Lara Mesquita, em 2003, a Rádio Eldorado seguiu realizadora.

Propostas como o “Pintou Limpeza” para a reciclagem do lixo doméstico a partir de cada domicílio que hoje, é uma prática cotidiana surgiu pelos microfones da emissora.

Em 2008, quando a Rádio Eldorado comemorou 50 anos, a prefeitura concedeu um terreno nas margens do Rio Pinheiros, para o plantio das 186 árvores.

Ao lugar, na época, deram o nome Bosque Eldorado, daquelas árvores se iniciou o que é hoje, o Parque Bruno Covas.


Em 2011 o projeto Rádio Estadão/ESPN transferiu a Rádio Eldorado para a frequência 107,3 MHz, arrendada junto à Fundação Brasil 3000.

Com o fim da Rádio Estadão as frequências em AM 700 e FM 92,9 foram vendidas, mas a Rádio Eldorado prosseguiu na FM 107,3, bem no canto do dial, mesmo assim com ouvintes fiéis.

O “Jornal Eldorado” voltou ao ar em 2016, sob o comando de Haisem Abaki e a participação de Carolina Ercolin.

Sintam a ironia do destino; Haisem Abaki receberia dias após o anúncio do fim das operações pelo Estadão, o Prêmio APCA como Melhor Profissional de Rádio - 2025/2026.

Todos reconheciam a excelência do trabalho que se levava adiante na Rádio Eldorado, menos a "alta cúpula" do Estadão.

As boas propostas continuavam através de seções como “O Verde é Pop”, do botânico Ricardo Cardim.

O quadro “Vencer Limites”, com Luiz de Souza Ventura, voltado ao segmento PcD ganhou destaque na programação dos 107,3. Nunca houve no rádio alguém tão bem informado sobre este assunto quanto o Ventura.

A Eldorado FM dirigida por Emanoel Bonfim manteve uma programação musical diferenciada das demais.

Graças a tantas propostas inovadoras, a emissora continuou pequena, mas versátil.

Mais recentemente surgiu uma nova frase, “Não é algoritmo, é Eldorado”, para mostrar independência musical.  

A emissora fez questão de manter o slogan dos tempos de João Lara Mesquita, “ A Rádio dos Melhores Ouvintes”, nada mais verdadeiro, por isso permanecerá nas lembranças.

Mesmo assim todos foram pegos de surpresa, funcionários e ouvintes ficaram perplexos quando veio a decisão abrupta do Grupo Estado. 

O Estadão jogou pelo ralo uma pedra preciosa preservada durante 68 anos, quatro meses e 10 dias.

O anúncio do encerramento das operações mobilizou ouvintes como a artista Nina Vogel que organizou um abaixo assinado e promoveu uma manifestação maravilhosa na Avenida Paulista.

Rádio nenhuma obteve manifestação popular tão espontânea quanto essa, ocorrida na tarde agradável de um domingo, 3 de maio de 2026.

Depois disso, no fim de semana seguinte, mesmo diante da fria garoa paulistana, o público se reuniu na “Casa de Francisca”, um espaço cultural existente no centro da cidade para pedir: "Volta Eldorado!"

Na noite de 14 de maio a programação da Eldorado foi especial com depoimentos dos atuais funcionários, como mostra a foto, e daqueles que trabalharam na emissora ao longo das décadas.

A Rádio Bandeirantes ocupa agora a frequência 107,3 e para conquistar novos ouvintes, criou um estúdio multimídia. Parabéns! Parabéns!

O Grupo Estado segue parado no tempo com seu jornal impresso ultra conservador e o Portal Estadão de colunistas de uma só tendência.

A Rádio Eldorado era o que havia de mais inovador e democrático no Grupo Estado e, respeitosamente, levava ao ar todas as manhãs a "Opinião do Estadão", na voz da locutora Andrea Machado.

Os executivos do Estadão não assimilaram o crescimento da mídia radiofônica, após a pandemia, a partir das Redes Sociais

Pesquisas recentes do setor de áudio conduzidas pela Kantar IBOPE Media, indicam que o rádio segue presente no cotidiano das pessoas.

Em âmbito nacional o alcance chega a atingir cerca de 79% dos brasileiros.

A média expressiva de quase 4 horas por dia à escuta do rádio, é uma realidade, diz a pesquisa.

Este resultado é significativo para a cidade de São Paulo onde a população perde horas paradas no trânsito ouvindo rádio dentro de seus automóveis.

Boas-vindas à TMC - Transamérica e à Nova Brasil FM que criaram equipes de jornalismo.

Saudações à CBN, Rádio Bandeirantes e Band News por manterem acesas as chamas do jornalismo feito no rádio.

O Estadão perdeu um nicho de mercado que na verdade nunca soube explorar como deveria.

Como diz a canção; “...o tempo passou na janela e só Carolina não viu”.






quinta-feira, 23 de abril de 2026

Siga o caminho das Índias ao lado de Pedro Álvares Cabral

O que aconteceu durante a viagem de ida e volta às Índias sob o comando de Pedro Álvares Cabral? Embarque nesta nau, siga com a gente e leia até o fim, essa história daria um bom filme.

A chegada às Índias se deu em Calecute e foi seguida de incidentes graves que resultaram na morte de Pero Vaz de Caminha, em 16 de dezembro de 1500.

Para quem não teve a oportunidade de ler a primeira parte dessa história, acesse em nossas postagens:

 Blog do Geraldo Nunes: Foi mesmo Pedro Álvares Cabral quem descobriu o Brasil? Há controvérsias

A expedição de Cabral zarpou de Lisboa em 9 de março de 1500 para alcançar as Índias, com uma escala a mais no roteiro.

Já se sabia que o Brasil existia, a vinda foi necessária para sacramentar o Tratado de Tordesilhas, feito com a Espanha dois anos antes.

Após “descobrirem” oficialmente o Brasil, uma das 13 caravelas retornou a Portugal levando a carta de Pero Vaz de Caminha ao rei Dom Manuel.

O texto de Caminha aponta que foram 10 dias maravilhosos em terras brasileiras, de 22 de abril a 2 de maio de 1500.

A carta transcrita para o português atual por Rubem Braga, em 1968, é rica em detalhes.

“...Enquanto andávamos nessa mata a cortar lenha, atravessavam alguns papagaios por essas árvores e deles verdes e outros pardos, grandes e pequenos, de maneira que me parece que haverá muitos...algumas pombas-seixas, e pareceram-me bastante maiores que as de Portugal...

Alguns diziam que viram rolas; eu não as vi. Mas, os arvoredos são muitos e mui grandes, e de infindas maneiras, não duvido que por esse sertão haja muitas mais aves!"

Pero Vaz de Caminha não retornaria a Lisboa, acabou sendo morto em Calicute, quando a feitoria instalada por Cabral acabou sendo atacada por um exército árabe.

Após partir de Porto Seguro a frota de Pedro Álvares Cabral navegou pelo menos mais 1.000 km pela costa brasileira.

A riqueza dos contornos e a variada vegetação deixou a certeza de que não se tratava de uma ilha, mas de um imenso continente ao qual se daria o nome, "Terra de Santa Cruz".

A esquadra, enfim, se afasta do litoral e em 23 de maio de 1500, ao cruzar o Cabo das Tormentas, no sul da África, enfrenta uma horrível tempestade.

O desespero toma conta dos tripulantes. “Se queres aprender a orar, faça-te ao mar”, e assim seguiu-se à risca o velho provérbio português.

Cinco navios afundaram e morreram mais de 300 homens, entre eles o grande navegador português Bartolomeu Dias.

Pouco representativo em sua época, por não ter sangue nobre, hoje é venerado pelos portugueses.

Em 1488, debaixo de um outro temporal que durou 10 dias, sua nau conseguiu passar da costa africana para o Oceano Índico.

Ele deu nome ao lugar de Cabo das Tormentas, mas o rei mandou mudar para Cabo da Boa Esperança.

Dom Manuel I levou em consideração o sonho que dali se iniciariam os bons negócios para Portugal, ele estava certo.

Em 30 de setembro de 1500 a expedição cabralina chega a Calecute no sul da Índia.

A riqueza da cidade deixa maravilhados os portugueses, como relatam os diários de bordo da época.

Pedro Álvares Cabral então se reúne com o Samorim, sumo mandatário e detentor do comércio local e a ele entrega uma carta assinada pelo rei de Portugal.

Escrita em árabe, para que assim se entendesse, a carta pede de modo gentil, autorização para se implantar uma feitoria.

Na mesma oportunidade, Cabral presenteia o líder político com moedas de ouro e prata, sedas e brocados em valor altíssimo.

Tudo o que foi entregue tinha valor muito superior ao apresentado por Vasco da Gama, que ofereceu dois anos antes apenas potes de açúcar e azeite.

Se acreditava que em razão dos pobres presentes o Samorim teria desprezado os portugueses.

A princípio a ideia pareceu ter dado resultado, o líder político se mostra feliz com os ricos presentes e autoriza Portugal instalar sua feitoria.

Dias depois ele muda de ideia e manda um exército com mais de 300 soldados árabes e hindus atacar a feitoria matando cerca de 50 portugueses.

Entre as vítimas estava entre Pero Vaz de Caminha, morto em 16 de dezembro de 1500.

Apesar de bela, Cabral determina um bombardeio sobre a cidade de Calecute e mais pessoas morrem.

A expedição portuguesa então se dirige ao reino vizinho de Coxim, 200 quilômetros ao norte, conforme relato manuscrito em 20 de dezembro de 1500.

Lá, Cabral consegue negociar mais facilmente com um rajá rival do Samorim e Portugal implanta em definitivo sua feitoria.

De Coxim as embarcações conseguem zarpar superlotadas e se inicia a volta para Lisboa, com as tão sonhadas especiarias.

Logo após o início da viagem, uma das naus encalha em um banco de areia.

Cabral manda incendiá-la porque sabia que piratas poderiam se apossar da carga posteriormente.

Nessa altura restavam somente cinco navios, dos 13 que partiram de Lisboa, em 9 de março de 1500.

A armada dobra o perigoso Cabo das Tormentas, em 22 de maio de 1501, desta vez sem nenhum problema.

Uma outra nave ainda se perderia na costa africana durante o trajeto de volta.

O desembarque em Portugal acontece no dia 22 de julho de 1501 e, apesar das perdas, ainda assim, se obteve um lucro calculado em 800%, conforme cálculos da época.

Os banqueiros de Gênova e Florença, financiadores da expedição, comemoram e o rei Dom Manuel anuncia uma nova viagem.

A essa expedição ele daria o nome de Esquadra da Vingança.

Cabral se apresenta para comandá-la, mas o rei decide escolher Vasco da Gama como capitão oferecendo a ele um segundo posto.

O descobridor oficial do Brasil reclama, afinal, ele alcançara o objetivo proposto.

O Venturoso se surpreende com a atitude e determina que Cabral seja afastado da corte e passe a viver isolado.

Ele passa a morar em Santarém, cujas terras pertenciam a Isabel de Castro, sua esposa.

Ela sim, influente na corte, era neta por parte de pai e avós dos reis de Portugal e Espanha.

Estabelecem moradia no Castelo de Belmonte, mandado construir por Álvaro Gil Cabral, ancestral da família que deu origem ao sobrenome.

Assim que chegou ao oriente, o descobridor do Brasil ficou doente, contraiu malária nas Índias e nunca mais se livrou dos efeitos do mal que o acometeu.

Deste modo, passou a ser assolado por febres frequentes que o levaram à morte em 1520, aos 52 anos, sem as honrarias que se fez merecedor.

Foi enterrado na Igreja da Graça de Santarém, mas durante anos se acreditou que ali existisse somente no túmulo, os despojos da esposa dele.

No Brasil, Cabral sempre foi reconhecido, tendo seu rosto sido colocado nas notas lançadas na época das comemorações de 500 anos do nosso descobrimento.

Mesmo assim, só passou a fazer parte de nossa história no século 19, durante o período regencial. 

Foi a partir da fundação do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, em 21 de outubro de 1838, que se iniciou o levantamento dos fatos relativos ao descobrimento.

O historiador Francisco Adolfo de Varnhagen (1816-1878), ficou encarregado de atender esse pedido e se deslocou a Lisboa.

Foi ele quem localizou o túmulo de Cabral e desengavetou a íntegra da carta de Pero Vaz de Caminha.

A exumação do corpo de Pedro Álvares Cabral, aconteceu em 1871 quando então constataram ter ele, 1 metro e 90 de altura, algo raro na época em que viveu.

Em 30 de dezembro de 1903, uma parte do seu esqueleto foi trazida para o Brasil.

O esquife pode ser visitado na Igreja do Carmo, do Rio de Janeiro.



Pesquisa em livros: Brasil, Terra à Vista e Viagem do Descobrimento – Eduardo Bueno. Nau Capitânia – Walter Galvani. Imagens extraídas do Google