quarta-feira, 7 de outubro de 2026

A Rádio Eldorado e seu retorno glorioso que entra para a história das comunicações

A Rádio Eldorado está de volta, seu retorno aconteceu às 20:00 desta quarta-feira, 7 de outubro de 2026, uma data histórica.

O choro da despedida em 14 de maio virou festa nos estúdios da emissora, o que parecia um sonho impossível virou realidade.

Nunca, em momento algum, uma rádio que saiu do ar por razões administrativas retomou as atividades em tão curto prazo.

Graças a quem? Aos “Melhores Ouvintes”.

O que aconteceu foi inédito, ouvintes foram à porta da sede do jornal O Estado de São Paulo protestar pela volta da emissora.

Houve depois uma manifestação na Avenida Paulista e um logotipo foi criado com a frase “Fica Eldorado”.

De minha parte duvidei que a emissora voltasse, entendi que a direção do jornal, dono da marca, havia apresentado uma desculpa ao dizer que sairia em busca de patrocinadores.

Na condição de ouvinte fiquei na expectativa, eis que a Porto, importante seguradora, atendeu ao apelo e o retorno aconteceu na frequência 107,9 FM.

A vitória é desse pessoal que aparece na foto e conseguiu trazer de volta a programação com notícias de credibilidade e músicas de qualidade, marca registrada dessa emissora.

No passado as frequências localizadas no canto do dial eram malvistas pelos entendidos do setor.

Hoje esse problema não mais existe, nos automóveis a maioria dos receptores possui memória, o condutor seleciona a emissora sem ter que procurá-la.

Agora ouvimos a rádio que mais gostamos em qualquer parte do mundo através dos aplicativos baixados através do Play Store em nossos smartphones.

Pelo bluetooth podemos ouvir no carro uma rádio de São Paulo, mesmo se estivermos na China, e mais ainda:

O Rádio evoluiu e agora apresenta imagens dos apresentadores no estúdio, bem como dos entrevistados, via Zoom, através das redes sociais e em outras plataformas.


Teremos toda essa tecnologia disponível no site radioeldorado.com.br e na home do Estadão, que abrirá uma aba exclusiva para os "Melhores Ouvintes".

O Jornal Eldorado terá imagens transmitidas pelo YouTube entre 6 e 9 horas da manhã, com Haisem Abaki e Michelle Trombelli, a nova diretora de jornalismo.

Apesar do retorno nem tudo será como antes, o programa “A Hora da Vitrola”, apresentado por André Góes, não fará parte da grade nesta volta festiva, uma pena! Mas ele segue nas redes.

Imagino que é por causa das músicas apresentadas, no estilo rock and roll do final dos anos 1950 e início dos 60.

Tem gente no Rádio que acha que esse tipo de programa é coisa de velho, como se a faixa de ouvintes da Eldorado não atendesse a esse segmento cada vez em maior número.


Alguém me perguntou se haveria chances para a volta do São Paulo de Todos os Tempos na Eldorado. Expliquei que não.

Essa também não é a minha meta, criei um podcast no Spotify com as melhores entrevistas desse programa retiradas do meu arquivo pessoal. Quem quiser ouvir está lá, é só acessar.

O Rádio precisou de fato se modernizar, as emissoras brasileiras de televisão não fizeram isso e estão quebrando a cara.

Sendo assim: Viva o Rádio! 

Parabéns à Rádio Eldorado pela volta gloriosa! 



terça-feira, 18 de agosto de 2026

Polícia recupera obras de arte roubadas pelo ladrão de livros raros

Quem acompanha este blog conhece a saga de Laéssio Rodrigues de Oliveira, o maior ladrão de livros raros no Brasil.

Em março ele foi visto nas dependências do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo e a polícia foi avisada.

Por ser um velho conhecido dos policiais, por outras 11 passagens, foi preso novamente no mês de maio e está recolhido no CDP de Pinheiros.

Passados alguns meses, em 13 de agosto último, a Polícia Civil de São Paulo recuperou, em São Bernardo do Campo, as obras de arte roubadas da Biblioteca Mário de Andrade, no fim do ano passado.

Na ocasião, oito gravuras do pintor francês Henri Matisse, foram levadas de uma exposição em um domingo bem cedo, sorte foi que houve o registro das câmeras de segurança.

A polícia seguiu investigando e através de novas provas concluiu que Laéssio, por ter sido estagiário da biblioteca anos atrás, conhecia os detalhes do recinto que permitiram a ele elaborar o assalto.

Neste caso da biblioteca, houve a ajuda de um homem e de uma mulher formada em Direito que arregimentava comparsas para os crimes. 

Após sacramentar seus furtos, Laéssio levava os produtos para o exterior e os vendia para colecionadores.

As investigações continuam com a ajuda da Interpol para identificar quem são os receptadores dessas obras.

Para o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan, a ocorrência desse tipo de crime chama a atenção:

Por que colecionadores se interessariam em adquirir produtos sabidamente roubados?

O caso aponta para a necessidade de vigilância constante por parte de todos os que cuidam do patrimônio nacional.


Para saber mais sobre o ladrão de livros raros acesse: Blog do Geraldo Nunes: Ladrão de livros raros volta a atacar em São Paulo

Fontes: Agência Brasil e Portal G1

Fotos: CNN Brasil

Matisse: Google


quinta-feira, 30 de julho de 2026

O povo está cada vez mais velho e os candidatos não estão nem aí

Começa mais uma campanha eleitoral, a polarização política mais uma vez está presente e isso prejudica o Brasil.

A maioria prefere votar no candidato de estimação, seja do lado em que ele estiver, sem levar em consideração eventuais propostas de governo em nome da população.

Palanques se tornaram currais eleitorais, pessoas se comportam como carneirinhos obedientes diante de candidatos demagogos e de perfis autoritários.

Isto revela a baixa estima de uma parte da população independente da classe social, fenômeno que acontece no mundo todo.

Estudos do psicoterapeuta suíço Carl Gustav Jung (1875-1961), dão a esse comportamento o nome “inconsciente coletivo”.

Tal constatação aparece nas redes sociais no formato de bolhas, onde se agrupam os defensores de ideias que os agradam.

Nada discutem, repetem comentários com palavras de ódio, fazem ataques pessoais aos adversários, compartilham notícias falsas e tudo mais que interesse ao seu candidato. .

Problemas sérios são deixados de lado, um deles, a situação em que vivem milhares de idosos pelo país afora.

No mundo atual, contar com a ajuda de filhos ou parentes nem sempre é um caminho que pode dar certo.

Nem todos se preparam para o dia de amanhã e quando a velhice chega tudo muda, com ela vem o salário de aposentado e em alguns casos há o isolamento social, poucos conversam com os idosos.


Alguém sabe o significado da sigla ILPI? São as Instituições de Longa Permanência para Idosos.

Palavras como “Asilo” e “Casas de Repouso” estão em desuso, deram lugar a essa nova denominação, mas que na verdade, significa mais ou menos a mesma coisa.

As ILPI funcionam em sistema de filantropia, a maioria fundada por entidades religiosas, organizações não governamentais voltadas à comunidade e pela iniciativa privada

Essas instituições seguem regulamentos estabelecidos por leis federais, tendo por base o Estatuto da Pessoa Idosa - Lei nº 10.741/2003 e resoluções da Anvisa.

Em 2010, o Brasil tinha 20,5 milhões de idosos, hoje estimativas apontam para 35,2 milhões, ou seja, 72% a mais em 15 anos.

Projeções apontam: em 2050 seremos 65 milhões de brasileiros acima dos 60 anos, quase um terço da população.

A explosão demográfica de idosos está em curso, medicina avançou, remédios mais eficientes, pessoas vivem mais.

Tudo isso é bom, mas precisamos refletir sobre como será a vida quando a nossa autonomia declinar?

As ILPI mais acessíveis financeiramente funcionam assim: até 70% do benefício previdenciário é destinado à instituição e os 30% restantes ficam para os gastos pessoais do interno.

O Estado cumpre o papel fiscalizador e punitivo através de inspeções sanitárias, mas são pouquíssimas as verbas. 

Deputados e senadores não se preocupam com a situação dos idosos, são raras as exceções, verbas parlamentares seguem outros destinos. Supremo determinou investigação de emendas Pix sem plano de trabalho, em 2025. 

Regras foram definidas pela corte após impasse entre os poderes executivo e legislativo.

O IBGE aponta que cerca de 160 mil idosos vivem hoje recolhidos em “Casas de Repouso”, no caso as ILPI.


A jornalista Aline Salla, editora da Revista Cuidar, escreveu um artigo propondo atenção mais detalhada sobre as ILPI.

Essas instituições não podem ser tratadas como último recurso para uma pessoa idosa. Todas as ILPI buscam ter condições de ser um local de convívio alegre e saudável.

Aline defende: "é preciso reeducar a sociedade no sentido da compreensão que um dia a velhice chega”. 

Neste sentido em seu texto ela defende a necessidade de se expandir, qualificar e padronizar os serviços das ILPI.

“O Estado precisa assumir o papel de não apenas fiscalizar, mas de financiar iniciativas”. Em suma, “envelhecer com assistência não é concessão, é direito garantido pela Constituição e pelo Estatuto da Pessoa Idosa”. 

A desculpa é sempre a falta de verbas, o déficit fiscal e a dívida pública, na verdade os governantes precisam aprender a gastar de forma criteriosa e não em troca de favores e cargos.

De nossa parte sugiro a vocês, leitores e leitoras deste blog, que perguntem ao seu candidato qual o projeto dele em relação à terceira idade. Peça a ele ou ela quando olhar no espelho se lembrar de como era seu rosto quando mais jovem.

Através do espelho somos capazes de refletir nosso próprio futuro no sentido de que o tempo passa e a gente nem percebe.

De repente estamos idosos. Envelhecer não é ruim, todas as fases da vida são boas, precisamos apenas ter discernimento para compreender os limites do corpo e se movimentar com moderação.

Políticos servem para quê? Para nos representar. Disseminar o ódio não é atribuição que cabe a eles.

Apresentar projetos voltados à população é o que mais importa e isto vale para todas as instâncias do voto.

Pensemos bem em quem iremos votar nessas eleições.


Fonte: ©Revista Cuidar — No coração das ILPI - Aline Salla

Imagens: Google








terça-feira, 7 de julho de 2026

Derrota na Copa revela futuro sombrio para o futebol brasileiro

Espantosa a forma como a crônica esportiva trata a seleção brasileira diante dos maus resultados.

Ficam procurando culpados e se esquecem que o problema é estrutural e de difícil solução.

O Brasil deixou de formar bons jogadores faz tempo e os motivos são vários.

Maior parte dos grandes clubes brasileiros vive uma situação financeira difícil e o investimento na formação das equipes de base é cada vez menor.

Assim que surge um bom jogador, ele é logo vendido para um time europeu e passa a viver em outro país.

Aos poucos os vínculos com a Pátria mãe vão ficando para trás e ser convocado para a seleção brasileira passa a ser um transtorno, especialmente se houver lesões.

Outro problema está na quase extinção dos campos de várzea, substituídos pelas escolinhas de futebol.

Todo menino quando criança sonha em se tornar jogador, antes o preparo começava nos campos de terra batida.

Ali reside o futebol raiz onde as partidas são disputadas no mesmo vigor de uma Copa do Mundo em raça e disposição.

Havia depois a peneira para ingressar nos clubes, outro sonho acalentado pela maioria dos meninos da várzea.

Agora os tempos são outros, o pai inscreve seu filho em uma escolinha de futebol onde o professor passa alguma técnica aos jovens pretendentes e ensina certos fundamentos.

A garotada sai disciplinada, mas não adquire o senso de improviso e perde o poder de decisão.

Óbvio, nem todos se revelam grandes craques, o agravante é que esses garotos chegam à base na maioria meio-campistas.

Atuar como volante ou meia-atacante é mais fácil do que jogar nas laterais onde é preciso ter fôlego.

O Brasil não tem mais meia armadores, aqueles que fazem lançamentos em profundidade e nem centro avantes.

O melhor jogador desses últimos tempos é o Endrick, ainda assim criticado, especialmente depois da desclassificação.

Diante dessa carência de bons jogadores, os clubes brasileiros da Série A, contratam atletas dos países vizinhos e acaba sendo um bom negócio para ambas as partes.

Apesar de desvalorizada, a nossa moeda possui mais poder de compra do que o dinheiro argentino, paraguaio ou colombiano.

Os estrangeiros que atuam no futebol brasileiro jogam por dinheiro, não por amor à camisa dos clubes.

Na hora das convocações vão servir às seleções de seus países e o nosso torcedor perde o interesse pela seleção brasileira.

O técnico Carlo Ancelotti perdeu tempo no ano passado assistindo aos jogos do Brasileirão onde atuam muitos estrangeiros em posições vitais.

Esperamos que a partir de agora Ancelotti passe a acompanhar a preparação das seleções sub-20 e sub-17 e descubra nelas os possíveis novos craques.

A tarefa é difícil, assim sendo, da mesma forma, precisará acompanhar os campeonatos europeus onde jogam os brasileiros. 

Percebem como está tudo de pernas para o ar? O Uruguai está do mesmo jeito e a Argentina quando o Messi encerrar a carreira, babau.

O subdesenvolvimento da América Latina se escancara no futebol.

Bye, Bye Brasil! Infelizmente nosso país não consegue mais produzir grandes jogadores e há vários outros motivos.

O que aqui foi escrito diz respeito apenas à ponta de um iceberg que esconde má gestão, péssimos calendários, interferência das Bets e muita corrupção nas federações esportivas.

O futuro do futebol brasileiro é sombrio, mas a maioria tapa os olhos e os ouvidos porque uma parte e já faz tempo, segue comprometida com essa corja.

Assim, fica mais fácil colocar a culpa no Neymar, “o último dos moicanos” e chutam a bola pra frente.



Fotos: Agência Brasil



quarta-feira, 24 de junho de 2026

Cazé TV dá show de bola na Globo durante a Copa do Mundo

Dizem ser o “sinal dos tempos”, afinal, tudo muda.

A Cazé TV obteve o direito de transmissão dos 104 jogos da Copa do Mundo 2026 e bateu um recorde histórico.

Sua audiência ultrapassou 18,3 milhões de dispositivos conectados simultaneamente, a maior na história do YouTube.

Este resultado foi obtido em levantamento realizado após a partida Brasil 3 x 0 Escócia, em 24 de junho de 2026. 

Em 2 de julho, novo apontamento indicou que a CazéTV não acabou por completo com a Globo.

Mas a emissora sentiu o baque, pois perdeu o monopólio que tinha de audiência na Copa do Mundo.

O alcance da Globo na TV aberta caiu de 98%, em 2022, para 82% em 2026. Além disso, o SBT entrou na parada.

A SporTV recuou dos 22%, da copa anterior, para 15% agora. 

Este é o resultado da fragmentação dos direitos de transmissão e da digitalização. 

Mas quem é o dono da bola na Cazé TV?

A Cazé TV surgiu em 2022, por iniciativa do jovem empreendedor, Casimiro Miguel, em parceria com a agência Live Mode.

Atualmente está classificado entre os maiores streamers e influenciadores digitais do Brasil.


Seu trabalho modificou todos os conceitos de mídia aplicados até então no Brasil, a Rede Globo está sendo sua maior vítima.

Quem poderia imaginar que a “Vênus Platinada” ficaria com apenas 55 dos jogos disputados!

Todas essas partidas da Globo estão sendo divididas entre o seu canal aberto, a SporTV, GE TV e o Globoplay.

Com relação aos outros canais esportivos como ESPN, XSports e o BandSports, dá até pena assisti-los neste período de copa, até mesmo os apresentadores se mostram constrangidos.

Sem levar em consideração os aspectos financeiros das negociações com a FIFA, ficou claro que de agora em diante a TV, como veículo de comunicação, terá que se repensar.

Assim como aconteceu com o Rádio e com os Jornais impressos, chegou a “hora da verdade” para a Televisão.

Os avanços tecnológicos promovem essas alterações, os especialistas apontam, e não é de agora, que a humanidade enfrenta os efeitos de uma Quarta Revolução Industrial.

As três primeiras revoluções industriais aconteceram entre os séculos 18,19 e 20 de forma inevitável. O mundo passou pela troca da produção artesanal para as máquinas e, posteriormente, operários foram substituídos pela automação.

Isso obviamente alterou as formas de trabalho, profissões foram extintas para dar lugar a outras em um processo contínuo e sem retorno, semelhante aos dias de hoje.

Agora, nesta Quarta Revolução Industrial, o mundo físico se conecta ao digital e mudanças estão acontecendo, sendo algumas para o bem e outras para o mal da humanidade.

Tais alterações mudam profundamente não só o mercado de trabalho como um todo, mas também o modo de ser da mídia.

Já foi o tempo em que as partidas de futebol começavam somente após o término da novela global e outras mudanças virão.

Claro que a criatividade, inteligência na forma de apresentar e pensamento crítico ainda possuem valor, esta é a salvação.

A Televisão terá que se requalificar constantemente, pois o ciclo de vida das tecnologias está cada vez mais curto.

O Rádio cresceu em audiência após o surgimento das novas mídias, passou a ter imagens e melhor qualidade de som.

A Televisão também tem à disposição dela esses recursos, mas a velocidade da informação irá mexer com os telejornais e telenovelas que precisarão ficar menos tempo no ar. 

Programas de auditório do tipo SBT, Caldeirão do Huck e até o Fantástico estão na marca do pênalti, o formato de apresentação tende a mudar, será necessário dar mais agilidade.

Isso se deve em parte, às novas formas de entretenimento surgidas com os streaming de vídeo tipo Netflix, Amazon Prime e Disney, entre outras mais.

Postagens no Instagram, Facebook e no próprio YouTube também deram uma chacoalhada nos formatos tradicionais da televisão brasileira e mundial.

A última novidade diz respeito às novelas verticais, com episódios que duram entre 1 e 3 minutos.

A narrativa tem ritmo acelerado e aborda situações dramáticas que podem ser acessadas diretamente nas plataformas digitais.

O YouTube é excelente nesse aspecto, fácil de ser acessado no celular, vai bem até quando a internet é de baixa potência.

Dentro dessa Quarta Revolução Industrial surge a “geração TikTok”, um público jovem sempre em busca informação rápida.

Até a próxima Copa do Mundo, em 2030, toda essa situação tende a mudar, a FIFA já sabe disso e vai tomar providências.

Ela comunicou às emissoras que a decisão sobre os direitos de transmissão do próximo mundial está em aberto.

A entidade máxima do futebol levará em consideração aspectos que vão além do valor financeiro oferecido.

A audiência, repercussão e o alcance da cobertura dos veículos de comunicação, pesarão na escolha.

Te cuida Rede Globo de Televisão e coirmãs, porque até a próxima copa algumas redes de televisão correm o risco até de fechar as portas.

Cazé, cuide-se também, porque quando uma seleção se torna campeã, as demais adversárias se preparam para vencê-la na copa seguinte. Como dizia Cazuza em uma de suas canções, “O tempo não para”.

Fontes: Midiamax, Sportingnews, Estadão Conteúdo 
Imagens: Google





domingo, 17 de maio de 2026

O final comovente das transmissões da Rádio Eldorado

Nunca o anúncio do final de uma emissora causou tamanho impacto. A Rádio Eldorado saiu do ar para sempre à zero hora do dia 15 de maio de 2026.

Nem mesmo a Tupi, pioneira na mídia televisiva, que encerrou as atividades em 1980, mobilizou pessoas para pedir sua volta de suas atividades.

Justamente uma emissora de rádio, considerada de baixa audiência, conseguiu essa façanha.

Este acontecimento ficará para a história das comunicações no Brasil.

No caso da TV Tupi, o desenlace já era esperado, o canal fundado por Assis Chateaubriand estava afundado em dívidas.

A Rádio Eldorado, por sua vez, nunca trouxe lucros expressivos, sempre foi deficitária. 

A emissora foi criada para a missão de divulgar a cultura em seus vários segmentos, pautada sempre na credibilidade do jornal O Estado de S. Paulo.

O Estadão, inclusive, anunciou em primeira página a inauguração de sua rádio, na edição de 4 de janeiro de 1958.

Durante seus 68 anos de existência a Eldorado garantiu ao Estadão o retorno afetivo de um público ouvinte formador de opinião, a rádio servia ao jornal o custo benefício de sua credibilidade.

Professores universitários de várias áreas, intelectuais, acadêmicos, artistas, cientistas, enfim, até mesmo políticos demonstravam nas conversas serem ouvintes da Eldorado.


Ao longo das décadas todos os executivos que passaram pelo comando do Grupo Estado souberam respeitar e manter a emissora por esses aspectos.

Desta vez, entretanto, faltou sensibilidade aos atuais comandantes do Estadão para compreender o prejuízo como custo-benefício para o jornal que nos domingos chegou a ter 400 páginas.

Atualmente, um de seus principais executivos é do Rio de Janeiro, nada contra a cidade maravilhosa.

O motivo é que ondas da Eldorado nunca chegaram ao Rio e, por conseguinte, este executivo nunca ouviu e nem quis ouvir rádio, uma pena porque no RJ também há emissoras de qualidade.


Não dá para chamar este executivo de insensível, mas podemos classificá-lo como desinformado. Então, para ele, um pouco de história da radiofonia paulista:

Durante os primeiros 25 anos, as transmissões pelo AM 700, levaram ao público programas cujos locutores de vozes sóbrias, apresentavam músicas de qualidade.  

O jornalismo também acontecia nessa época com notícias redigidas na própria redação de O Estado de S. Paulo.

A audiência sempre foi pequena, mas fiel, os diretores sabiam disso e o jornal prosperava, em parte, por causa da rádio.


Em 1982 surgiu o projeto Nova Eldorado AM. sob o comando de João Lara Mesquita.

Ele trouxe inovações também para a Eldorado FM na frequência 92,9 MHz.

A Eldorado passou a dar exemplos para as emissoras concorrentes pela capacidade de mobilizar a opinião pública.

Uma campanha pela despoluição do Rio Tietê foi realizada e através de um abaixo-assinado se colheu mais de 1 milhão e duzentas mil assinaturas.

A mobilização se deu em um tempo em que ainda não havia internet e sensibilizou o governo do Estado que implantou o Projeto Tietê, ainda existente.


Antes a Eldorado tinha trazido novidades, como o repórter aéreo na época em que ninguém sonhava com a existência do Waze ou do Google Maps para orientar caminhos.



Graças ao telefone celular, surgiram os “ouvintes-repórteres” e a Eldorado passou a fazer um verdadeiro “show” de reportagens em torno da Grande São Paulo em todos os finais de tarde.



Partiu da Rádio Eldorado a iniciativa de defender o fim da obrigatoriedade de retransmissão de “A Voz do Brasil”.

Todos os dias no horário das 19 horas, as rádios de todo o país tinham que interromper sua programação para transmitir um noticiário oficial existente desde os tempos da Ditadura Vargas.

João Lara Mesquita passou a questionar essa obrigatoriedade no sentido de garantir a liberdade de programação no horário em que ouvinte parado no trânsito mais precisava.

"Todas as concorrentes abraçaram a ideia na época, menos a Jovem Pan", me contou João Lara, certa vez.

Atualmente, o programa oficial continua sendo de apresentação obrigatória, mas seu horário foi flexibilizado.


Depois da saída de João Lara Mesquita, em 2003, a Rádio Eldorado seguiu realizadora.

Propostas como o “Pintou Limpeza” para a reciclagem do lixo doméstico a partir de cada domicílio que hoje, é uma prática cotidiana surgiu pelos microfones da emissora.

Em 2008, quando a Rádio Eldorado comemorou 50 anos, a prefeitura concedeu um terreno nas margens do Rio Pinheiros, para o plantio das 186 árvores.

Ao lugar, na época, deram o nome Bosque Eldorado, daquelas árvores se iniciou o que é hoje, o Parque Bruno Covas.


Em 2011 o projeto Rádio Estadão/ESPN transferiu a Rádio Eldorado para a frequência 107,3 MHz, arrendada junto à Fundação Brasil 3000.

Com o fim da Rádio Estadão as frequências em AM 700 e FM 92,9 foram vendidas, mas a Rádio Eldorado prosseguiu na FM 107,3, bem no canto do dial, mesmo assim com ouvintes fiéis.

O “Jornal Eldorado” voltou ao ar em 2016, sob o comando de Haisem Abaki e a participação de Carolina Ercolin.

Sintam a ironia do destino; Haisem Abaki receberia dias após o anúncio do fim das operações pelo Estadão, o Prêmio APCA como Melhor Profissional de Rádio - 2025/2026.

Todos reconheciam a excelência do trabalho que se levava adiante na Rádio Eldorado, menos a "alta cúpula" do Estadão.

As boas propostas continuavam através de seções como “O Verde é Pop”, do botânico Ricardo Cardim.

O quadro “Vencer Limites”, com Luiz de Souza Ventura, voltado ao segmento PcD ganhou destaque na programação dos 107,3. Nunca houve no rádio alguém tão bem informado sobre este assunto quanto o Ventura.

A Eldorado FM dirigida por Emanoel Bonfim manteve uma programação musical diferenciada das demais.

Graças a tantas propostas inovadoras, a emissora continuou pequena, mas versátil.

Mais recentemente surgiu uma nova frase, “Não é algoritmo, é Eldorado”, para mostrar independência musical.  

A emissora fez questão de manter o slogan dos tempos de João Lara Mesquita, “ A Rádio dos Melhores Ouvintes”, nada mais verdadeiro, por isso permanecerá nas lembranças.

Mesmo assim todos foram pegos de surpresa, funcionários e ouvintes ficaram perplexos quando veio a decisão abrupta do Grupo Estado. 

O Estadão jogou pelo ralo uma pedra preciosa preservada durante 68 anos, quatro meses e 10 dias.

O anúncio do encerramento das operações mobilizou ouvintes como a artista Nina Vogel que organizou um abaixo assinado e promoveu uma manifestação maravilhosa na Avenida Paulista.

Rádio nenhuma obteve manifestação popular tão espontânea quanto essa, ocorrida na tarde agradável de um domingo, 3 de maio de 2026.

Depois disso, no fim de semana seguinte, mesmo diante da fria garoa paulistana, o público se reuniu na “Casa de Francisca”, um espaço cultural existente no centro da cidade para pedir: "Volta Eldorado!"

Na noite de 14 de maio a programação da Eldorado foi especial com depoimentos dos atuais funcionários, como mostra a foto, e daqueles que trabalharam na emissora ao longo das décadas.

A Rádio Bandeirantes ocupa agora a frequência 107,3 e para conquistar novos ouvintes, criou um estúdio multimídia. Parabéns! Parabéns!

O Grupo Estado segue parado no tempo com seu jornal impresso ultra conservador e o Portal Estadão de colunistas de uma só tendência.

A Rádio Eldorado era o que havia de mais inovador e democrático no Grupo Estado e, respeitosamente, levava ao ar todas as manhãs a "Opinião do Estadão", na voz da locutora Andrea Machado.

Os executivos do Estadão não assimilaram o crescimento da mídia radiofônica, após a pandemia, a partir das Redes Sociais

Pesquisas recentes do setor de áudio conduzidas pela Kantar IBOPE Media, indicam que o rádio segue presente no cotidiano das pessoas.

Em âmbito nacional o alcance chega a atingir cerca de 79% dos brasileiros.

A média expressiva de quase 4 horas por dia à escuta do rádio, é uma realidade, diz a pesquisa.

Este resultado é significativo para a cidade de São Paulo onde a população perde horas paradas no trânsito ouvindo rádio dentro de seus automóveis.

Boas-vindas à TMC - Transamérica e à Nova Brasil FM que criaram equipes de jornalismo.

Saudações à CBN, Rádio Bandeirantes e Band News por manterem acesas as chamas do jornalismo feito no rádio.

O Estadão perdeu um nicho de mercado que na verdade nunca soube explorar como deveria.

Como diz a canção; “...o tempo passou na janela e só Carolina não viu”.