Tudo muda neste mundo, inclusive as formas de se
comemorar o Natal.
No calendário cristão, o Natal representa a data de
nascimento de Jesus Cristo, retratado na figura do Menino Jesus.
Os livros de história contam, entretanto, que antigas
civilizações comemoravam com festas o final de cada colheita agrícola.
Em Roma, se promovia a Saturnália, em homenagem ao deus
romano da fartura e abundância chamado Saturno.
No ano de 313, o imperador Constantino concedeu
liberdade de culto aos cristãos e, a partir de então, o cristianismo passou a
agregar novos adeptos em Roma, tornando-se a religião oficial do Império
Romano, em 390.
Em seguida, a Igreja Católica, extinguiu a Saturnália e fez dela um festejo religioso para comemorar o
nascimento de Cristo e a data escolhida foi 25 de dezembro. Surgia assim o Natal.
Com o passar dos séculos e das gerações, a data foi
obtendo simbolizações típicas como a troca de presentes entre as pessoas.
A Bíblia diz que o Menino Jesus, após nascer, foi
visitado e presenteado por três Reis Magos, que trilharam o caminho da
manjedoura seguindo, uma “Estrela Guia”.
Trocar presentes passou a significar a repetição da
atitude positiva daqueles reis, embora o costume de dar presentes já ocorresse
na Saturnália da antiga Roma. Somente no século 20 surgiu a brincadeira do “Amigo
Secreto”, criada na Escandinávia, em 1929, o ano da “Grande Depressão” causada
pela quebra da Bolsa de Valores de Nova York.
Naquele momento as pessoas estavam sem dinheiro para
comprar presentes e alguém teve a ideia de colocar nomes em papeis picados para
cada um retirar aquele ou aquela que seria presenteado e guardar esse nome em
segredo até o dia da entrega.
Com o surgimento das redes sociais, o tradicional
amigo secreto de fim de ano passou a não trazer mais a mesma emoção das décadas
passadas.
Nos ambientes de trabalho surgiu uma nova versão,
batizada de “Inimigo Secreto”.
O objetivo foi tornar a festa de fim de
ano nas empresas mais divertida, com presentes que fogem do óbvio, de acordo com
o perfil do presenteado.
Que tal dar de presente um despertador barulhento para
quem sempre chega atrasado aos compromissos, ou lenços de papel para quem
trabalha ao seu lado e vive espirrando?
Outro presente engraçado pode ser um rolo de papel higiênico para o colega capitalista que adora investir na bolsa com ousadia e vive perdendo dinheiro!
Essas são algumas ideias de possíveis presentes para uma
perfeita brincadeira de “inimigo secreto”.
Existem outras, basta copiar e colar o endereço abaixo:
Nos dias que antecedem a data maior da cristandade, o mais importante é manter o bom humor
sem, é claro, perder o amigo... E seja feliz: Vem aí o Natal!
Desde o mês de setembro tenho
postado uma série de artigos em comemoração aos 100 anos do Rádio no Brasil
sempre de maneira positiva e favorável.
Mas ninguém é perfeito e
o Rádio brasileiro também não é.
São inúmeras as qualidades, mas há uma série
problemas que deixam em dúvida a sobrevivência deste veículo ainda hoje muito útil.
Ser útil apenas não basta, é preciso também obter lucratividade e desde quando surgiu a televisão, especialistas em mídia apontam o fim do Rádio sempre para daqui alguns anos.
O Rádio resiste, ouvido
e admirado por boa parte da população, especialmente das classes mais populares.
Depois que vieram as redes de televisão, o
alcance regional das rádios em AM ou FM, despencou em termos de audiência e anunciantes.
Ninguém na mídia
sobrevive sem propaganda e a situação começou se agravar já na década
de 1970, quando a televisão ganhou cores e via satélite passou a
transmitir sua programação em rede nacional.
Os índices de audiência
da TV cresceram, passaram a bater recordes sucessivos e os comerciais televisivos trouxeram
lucros extraordinários aos que investiram em patrocínios.
Empresas que fabricam cervejas e refrigerantes, além das montadoras de automóveis e os grandes bancos se tornaram fortes anunciantes da TV aberta.
Para o Rádio sobraram os laboratórios de remédios e as lojas de comércio
popular, além de outros poucos patrocinadores diversos.
As agências de
publicidade entendem que no subconsciente, anúncios bem-produzidos despertam
no consumidor um gosto especial para adquirir determinado produto.
Por isso, certos comerciais para a televisão custam mais caro que filmes de longa-metragem, mas o resultado de quem investe em propaganda no horário nobre da TV, é amplamente satisfatório. Por quê?
As novelas e o futebol costumam dar mais de 30 pontos
de audiência em uma só rede de TV aberta que cobra caro pelos seus anúncios, mas quem investe no patrocínio lucra depois muito mais.
Enquanto isso, os programas de maior audiência no Rádio costumam dar 1 ou no máximo 2 pontos de audiência, mesmo alicerçados pelo YouTube ou Facebook. Entenderam a diferença?
No Rádio com um bom texto
e boas vozes dá para gravar comerciais de custo
baixíssimo, mas a lucratividade também acaba sendo pequena por causa do fator audiência.
Embora a maioria das emissoras de Rádio também transmita
em rede, nem sempre o anúncio tem abrangência nacional.
Enquanto algumas rádios
de uma mesma programação vendem a sua propaganda, em outras praças, as associadas não conseguem vender e precisam
ocupar o espaço destinado aos comerciais com chamadas de outros programas da emissora.
Na hora de repartir os vinténs
surgem as discussões e o setor, por esses e outros motivos está sempre
em crise, contendo gastos.
Para se ter uma ideia, no início da década de 2000, apenas 3% de tudo o que se arrecadava em mídia no
Brasil se destinava ao Rádio.
Até as empresas de outdoors,
expulsas da cidade de São Paulo pela “Lei Cidade Limpa”, em 2006, faturavam mais
que as rádios.
As consequências estão aí até hoje, várias emissoras venderam seus horários ou mesmo arrendaram seus prefixos para pastores e igrejas evangélicas.
Diante dessa situação, a mídia radiofônica como era na década de 1970, a que paga os menores salários para os seus
profissionais.
Quem trabalha em uma
rádio costuma ter também um segundo ou até terceiro emprego para cobrir todas
as despesas de uma família. Quem é do ramo sabe que não estou mentindo.
Mas eis que surge a internet para ameaçar a televisão e beneficiar o Rádio que passa a falar mais longe com a mesma qualidade de som de uma emissora local, sem as oscilações da época das ondas
curtas e o melhor de tudo: com imagens.
As webcams levaram o rosto dos apresentadores no estúdio para os
portais e aplicativos, além de colocá-los em destaque nas redes sociais.
Foi o balão de oxigênio que o combalido Rádio tanto precisava e ainda precisa para sobreviver.
O levantamento mais recente da Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão –
ABERT, aponta uma pequena melhora.
Agora, 4%
das verbas publicitárias, se destinam ao Rádio, mas a luz amarela de alerta nas finanças continua acesa: Para sobreviver, será preciso melhorar o conteúdo daquilo que é levado ao ar.
Aplicativos,
streamings e podcasts serão cada vez mais acessados se houver uma programação de qualidade. Se não for o usuário de internet sai fora rapidamente.
Agora é o ouvinte que escolhe o horário para ouvir porque tudo fica armazenado nos aplicativos.
Nestas novas ferramentas podem ser incluídas propagandas de acordo com o perfil desses web-ouvintes. Isto facilita a vida das emissoras.
Fernando Vítolo, Nilo Frateschi Jr e Heródoto Barbeiro lançaram em setembro um livro que recomendo a todos que gostam de ouvir rádio.
Os autores enfatizam que agora, para se ter acesso
às emissoras de rádio não são mais necessários os botões para ligar e mudar de
estação.
"Os smartphones recebem sem ruído uma enormidade de canais radiofônicos trazidos pela web e as tecnologias do Metaverso e do QR Code tendem a
deixar o rádio ainda mais acessível".
Contamos com isso para que o Rádio se torne lucrativo e sobreviva!
Com esse artigo encerro
minha série de postagens sobre os 100 Anos do Rádio no Brasil, sempre na torcida para que esse veículo consiga durar pelo menos mais um século cumprindo sua meta de divertir, informar e fazer companhia às pessoas.
O Rádio não vai morrer tão cedo! Assim espero.
Abraços fraternos a todos e todas que me acompanharam nesta série de postagens.
Também estou no livro dos Campeões do Microfone.
Fontes:
Portal Abert: As receitas da indústria de radiodifusão
Em plena Copa do Mundo no
Catar, assistindo um jogo pela televisão, alguém da família me veio com essa
pergunta:
Como se fazia para saber
os resultados do futebol quando ainda não havia emissoras de rádio no Brasil?
Lembrei então do meu amigo
jornalista e memorialista Ademir Medici, que levantou essa questão em 2019, em
um artigo no Diário do Grande ABC, publicado no ano do centenário da primeira
conquista de um torneio internacional pela seleção brasileira.
Em 1919 aconteceu no Rio
de Janeiro, a terceira edição do campeonato sul-americano de futebol, hoje chamado de Copa América, cuja disputa aconteceu no campo do Fluminense, nas Laranjeiras, com a participação de quatro seleções: Argentina,
Brasil, Chile e Uruguai, bicampeão do certame.
No ano de 2019, cem anos depois, o Brasil entrou em campo para mais uma Copa América, vestindo uma camisa branca para lembrar o uniforme utilizado naquela conquista.
Quem não viajasse ao Rio
de Janeiro para assistir presencialmente os jogos do sul-americano de 1919, teria que aguardar pelos jornais
do dia seguinte para saber os resultados.
“Foi quando o Estadão
anunciou a boa-nova: manter um plantonista no campo do Fluminense e este, pelo
telefone, enviaria todos os lances da partida para a redação”, escreveu
Ademir, na edição do dia 29 de maio de 2019, data de 100 anos daquela conquista.
“Cada telefonema recebido
virava um cartaz colocado em frente à sede do jornal, localizada na Praça
Antônio Prado, daqueles tempos.”
Da mesma forma, defronte ao jornal, com
ansiedade, uma multidão se aglomerava do lado de fora para ler as informações do jogo no qual o selecionado brasileiro bateu a Argentina por 3 a 1.
A partida final foi Brasil
x Uruguai, um jogo eletrizante com vitória da seleção brasileira por 1 a 0, gol
de Friedenreich.
Contei essa história antes,
para mostrar o quanto o rádio foi importante para a consolidação do futebol
como esporte popular no Brasil.
Hoje em dia, mesmo com a maior parte dos
jogos sendo transmitida pela televisão, as rádios brasileiras ainda têm no
futebol sua grande fonte de faturamento e seus narradores seguem queridos pelos
ouvintes.
Esta relação de amor
entre o rádio e o esporte, começou em 19 de julho de 1931 quando a Rádio
Educadora Paulista transmitiu, por meio de Nicolau Tuma, a primeira partida
completa de futebol na história do Brasil.
Foi um jogo entre as
seleções dos estados de São Paulo e Paraná que resultou na vitória dos
paulistas por 6 a 4.
A foto acima mostra
Nicolau Tuma se preparando para transmitir o jogo, tendo ao seu lado um técnico
de som e um antigo aparelho telefônico, além de um jogador da seleção paulista
pronto para ser entrevistado.
As partidas eram narradas
à beira do gramado porque não havia cabines de rádio, implantadas no Brasil somente a
partir de 1940, quando o Estádio do Pacaembu foi inaugurado e passou a oferecer esse conforto aos narradores.
De lá para cá muitos
locutores esportivos iniciados no rádio ganharam projeção nacional e até mesmo
internacional.
Carlos Eduardo Galvão
Bueno, por exemplo, começou no rádio transmitindo pela Gazeta 890 AM, em 1974.
Galvão Bueno assinou
contrato com a Rede Globo de Televisão em 1981, sendo esta Copa do Mundo de
2022, sua décima copa como narrador e isso merece registro.
Importantes locutores esportivos
brilharam exclusivamente no rádio, entre eles Fiori Gigliotti,
Joseval Peixoto, Pedro Luiz, Osmar Santos, José Silvério e por aí adiante.
Na atualidade, Ulisses
Costa, Eder Luiz, Oscar Ulysses e Nilson César marcam presença entre os principais
narradores paulistas nas transmissões que acontecem ao vivo diretamente do Catar.
Paro por aqui, porque
diante de mais uma Copa do Mundo, certamente novos nomes surgirão para marcar
presença no rádio e brilhar.
Viva os 100 Anos de Rádio
no Brasil! Viva o Futebol Brasileiro!
O terceiro Campeonato
Mundial de Futebol realizado na França, em 1938, é considerado um marco na
história do rádio brasileiro.
Durante o evento aconteceu
a primeira transmissão esportiva em rede nacional, feita diretamente da
Europa.
O jogo de estreia da
seleção brasileira, em 12 de junho de 1938, foi contra a Tchecoslováquia e a partida terminou empatada
em 1x1.
Coube a façanha ao
locutor esportivo paulista, Leonardo Gagliano Neto, de narrar os jogos para uma
cadeia de emissoras formada pelas rádios Clube do Brasil e Cruzeiro do Sul, do
Rio de Janeiro, Cosmos e Cruzeiro do Sul de São Paulo, mais a Rádio Clube de
Santos.
Os demais quatro jogos que
o Brasil participou, além da partida final Itália 4x2 Hungria, foram do mesmo modo irradiados, com
uma qualidade de som que surpreendeu a todos.
Naquele tempo, as
transmissões radiofônicas de longa distância, eram feitas por emissões de ondas
curtas integradas por um sistema de antenas coligadas.
Essas informações fazem
parte da monografia elaborada pela saudosa professora de
radiojornalismo, Gisela Swetlana Ortriwano, ainda nos tempos em que fui seu aluno na
Universidade Metodista – UMESP – São Bernardo do Campo – SP.
Nesse trabalho, Gisela escreveu que em 1938, o Brasil parou para ouvir as irradiações de Gagliano Neto:
“O povo, incrédulo e
fascinado com os sons vindos do outro lado do oceano, vibrava. Quem não tinha
rádio em casa, se aglomerava no Largo do Paissandu, em
São Paulo, ou diante da Galeria Cruzeiro, no Rio de Janeiro”.
De 1938 até 2022 foram exatas
20 copas do mundo transmitidas pelo rádio. Enumerar todos os radialistas que
participaram dessas transmissões internacionais, ao longo de 84 anos, seria por demais trabalhoso. Mas se faz necessário, homenagear o torcedor brasileiro
que acompanha o futebol com muito gosto pelo rádio.
Ainda existem aqueles que
comparecem ao estádio, levando seu radinho de pilha. Outros exageram, como é o caso do seu Zé do Rádio, conhecido torcedor do Sport Recife.
Ele carrega consigo um aparelho gigante para ver e ouvir o que falam de seu time toda vez que vai ao estádio.
O seu Zé garante que o rádio é um "amigo fiel", porque o ajuda compreender tudo que acontece no gramado com os detalhes, que só os repórteres esportivos sabem transmitir.
Há também, como é o meu
caso, os que gostam de ouvir as transmissões esportivas pelo rádio do
automóvel, geralmente em uma estrada movimentada nos domingos de volta para casa.
A conversa alegre que
envolve o futebol, torna a rotina do tráfego menos cansativa. Nos lares, há os que acompanham na poltrona as imagens pela televisão e a narração do jogo pelo rádio, se bem que a tecnologia dificultou essa prática, por causa dos downloads que causam delay e atrapalham a sincronia entre o som do rádio e a imagem da TV.
Isto colocou o rádio ainda mais na frente quando o assunto é informação. Quando o locutor esportivo grita gol, a diferença entre o tempo real e codificação de alguns provedores costuma variar de 6 a 30 segundos até que a TV consiga mostrar a bola na rede.
Por isso, quando o jogo está morno, bola pra lá - bola pracá, alguns ainda preferem acompanhá-lo somente pelo rádio, graças ao dinamismo que os narradores esportivos acrescentam ao movimento dos jogadores em campo.
Certamente não está faltando ouvintes para as emissoras de rádio que estão transmitindo esta Copa do Mundo direto de Doha, no Catar.
Notei que a quantidade de anunciantes, em vez de diminuir, aumentou neste mundial em relação à copa transmitida da Rússia, em 2018.
A CBN, por exemplo, vendeu 9 cotas de patrocínio, algo acima da média. Parabéns aos gestores.
Isto se deve à ampliação dos recursos da tecnologia que agora possibilitam ouvir rádio via internet pelos aplicativos nos celulares em android e nos smartphones. Este avanço fez aumentar a quantidade de ouvintes e por conseguinte de patrocinadores.
Conclusão: O rádio seguirá vivo por tempo indefinido, contrariando aqueles que, vez por outra, anunciam seu fim.
Confira a lista das
rádios brasileiras que estão transmitindo em rede, a Copa do Mundo 2022 ao vivo no
Catar:
Rádio CBN
Rádio Globo FM Rio
Rádio Bandeirantes
Band News FM
Transamérica FM
Energia 97 FM
Jovem Pan
Rádio Itatiaia
Rádio Jornal Pernambuco
Rádio Gaúcha
Desejo sorte ao scratch brasileiro
Fontes: Portal
Money Times e FRANÇA 1938, III COPA DO MUNDO - O RÁDIO BRASILEIRO ESTAVA LÁ – Monografia:
Gisela Swetlana Ortriwano – Graduada em Jornalismo pela ECA/USP - 1972 e mestra em História do Rádio
Dois noticiários radiofônicos serviram de modelo para
a leitura de notícias nas rádios brasileiras a partir da década de 1940.
O “Repórter Esso” começou como noticiário de guerra. Levava
esse nome por causa do patrocinador, a Companhia Esso Brasileira de Petróleo, era a maior
distribuidora de combustíveis do país naquela época.
Este noticiário ia ao ar de hora em
hora, com notícias extraídas dos jornais impressos ou telegramas sobre a guerra enviados pelas agências internacionais. Sua duração era de cinco minutos.
“O Grande Jornal Falado Tupi”, por sua vez, começava
às 7 da manhã, com uma hora de duração. Seu noticiário seguia o roteiro dos jornais publicados diariamente pela imprensa.
Trazia primeiro as manchetes do dia e depois era
dividido em blocos de acordo com as editorias: notícias nacionais, internacionais,
esportes, cultura, assuntos locais, etc.
Dirigido em São Paulo pelo jornalista Corifeu de Azevedo Marques, o
“Jornal Falado”, foi ao ar pela primeira vez, em 1942, mesmo ano da estreia do
“Repórter Esso”.
Com o término da Segunda Guerra, esses noticiosos
já consagrados, seguiram na programação, mas certos dirigentes da mídia não
acreditavam que a leitura de notícias no rádio pudesse dar mais audiência que
os programas musicais ou de entretenimento.
O jornalismo na mídia radiofônica passou a ganhar força mesmo, a partir de 1962, com a estreia na Rádio Bandeirantes do jornal Primeira Hora, cujo nome ainda é o mesmo no horário das 7 da manhã na Band Rádio.
“Se a televisão tem imagens, a qualidade do rádio está
no som”, explicava Alexandre Kadunc, criador do Primeira Hora, que instituiu vinhetas, trilhas sonoras e frases de efeito que aguçavam a imaginação dos ouvintes.
Uma dessas trilhas, o
“canto do uirapuru”, revelava os sons de um pássaro da Amazônia, ouvido somente uma vez por ano.
“Quando o uirapuru canta, as outras aves silenciam para ouvi-lo”, ressaltava o mestre Kadunc com quem muito aprendi como repórter iniciante, quando de sua passagem pela Rádio Capital, entre 1978 e 1982.
Sua equipe de jornalistas na Bandeirantes tinha um nome: “Titulares da Notícia”.
Na mesma época, também pelo prefixo 840 AM, Vicente
Leporace lançou “O Trabuco”, que entrava no ar após o “Primeira Hora”.
Leporace lia as notícias dos jornais impressos para em
seguida comentá-las fazendo uso de seu senso crítico sempre aguçado.
A trilha de seu programa, que soou por 16 anos nos
lares brasileiros, dizia: “Seu Leporace agora com o Trabuco (bang!), vai
comentar as notícias dos jornais. Seu Leporace agora com o Trabuco (bang!), vai
dar um tiro nos assuntos nacionais”.
Em 16 de abril de 1978, um domingo, Leporace morreu e “O Trabuco”, não foi ao ar na segunda-feira. Ninguém sabia quem seria capaz de substituí-lo diante dos microfones.
Para seu lugar chamaram Salomão Ésper, que costumeiramente substituía Leporace nas
férias, e junto com ele, para alicerçar o conteúdo de opiniões se juntaram José Paulo de
Andrade e Joelmir Betting, mas o programa precisou mudar de nome para Jornal da Bandeirantes Gente que segue na grade da emissora com outros apresentadores.
Mas quando o assunto é jornalismo no rádio, a marca
Jovem Pan precisa ser citada. Inaugurada em 1944 com o nome Rádio Panamericana, ganhou de início, o título de “Emissora dos Esportes”.
O sucesso do programa Jovem Guarda, transmitido pela televisão Record, pertencente aos mesmos donos da Panamericana, ofereceu uma nova roupagem à rádio que antes só falava de futebol.
Sua programação passou a ter programas que abordavam a música jovem, com a participação dos cantores da TV, complementada por assuntos que abordavam os temas da atualidade da época, com isso aos poucos, a notícia passou a ter prioridade.
Comandada nos bastidores pelo jornalista Fernando Luiz Vieira de Mello, a Jovem Pan levou ao ar ainda na década de 1960, o jornal da “Equipe Sete e Trinta”, lido nas vozes dos locutores, Antônio Del Fiol e Antônio Alexandre,
com os comentários de Ney Gonçalves Dias.
A partir de 1969 se tornou possível a transmissão de programas ao vivo via satélite. Este avanço tecnológico possibilitou a criação do “Jornal de Integração
Nacional”, com repórteres ao vivo direto de Brasília e do Rio de Janeiro.
Alguns anos depois o nome passou a ser, “Jornal da Manhã” e nele foram
incorporadas as canções da Sinfonia Paulistana, obra imortal docompositor
Billy Blanco, em homenagem à cidade de São Paulo.
Amanhecendo:“A
cidade não desperta, apenas acerta a sua posição. Porque tudo se repete, são
sete, e às sete explode em multidão! Portas de aço levantam, todos parecem
correr, não correm de, correm para...Para São Paulo crescer! Vam bora, vam
bora, olha a horam vam bora, vam bora...!”
Grande São Paulo:
“São Paulo que amanhece trabalhando, São Paulo que não pode adormecer!
Porque durante a noite, o paulista vai pensando, nas coisas que de dia vai
fazer...”
Tudo o que foi contado nesta postagem, é apenas uma parte das muitas histórias sobre o jornalismo no rádio que completa agora em 2022, os seus 100 anos de existência no Brasil.
No próximo post, em razão da Copa do Mundo, traremos fatos interessantes ligados às narrações esportivas para em seguida concluir a série com as previsões que sempre anunciam para breve o fim do rádio.
Por hora, vamos brindar aqui mesmo, o centenário do rádio, ouvindo duas peças musicais da Sinfonia Paulistana de Billy Blanco:
O rádio viveu sua fase áurea durante a
década de 1940, mas eis que, exatamente em 1950, surge a televisão.
A partir de então, o rádio enfrenta sua primeira crise causada pela perda de audiência, uma vez que a recente novidade tecnológica reunia, não
apenas o som, mas também a imagem.
Passou a ficar caro para os donos das rádios manter o mesmo cast de artistas exclusivos, todos passaram a dar preferência para a televisão e o rádio precisou se
reciclar, buscar novos caminhos.
O primeiro passo foi a extinção gradual dos programas
de auditório que deram lugar aos musicais em discos e estes, por sua vez, começaram a
revelar novos valores.
Surgiram assim os disc-jóqueis e alguns deles entraram para a história da Música Popular Brasileira, como é o caso de Carlos Imperial, no Rio de Janeiro e Antônio Aguillar, em São
Paulo, este ainda ativo, aos 93 anos completados em 18 de outubro último.
Aguillar está agora em uma emissora online, a Rádio Calhambeque e, ao longo de sua carreira, trabalhou em várias rádios AM e FM.
Como disc-jóquei revelou para o sucesso, inúmeras cantoras, cantores e grupos musicais.
Nomes como Carlos Gonzaga, Tony e Celly Campello, Demétrius,
além do conjunto The Clevers, que depois passaria a se chamar Os Incríveis, passaram por ele e ganharam
fama através de seus programas.
Nascia com isso um novo público adepto ao rádio, formado por jovens, sempre em busca das novidades musicais.
Atendendo a um pedido do apresentador Chacrinha, foi Antônio Aguillar quem revelou aos ouvintes de São
Paulo, um até então desconhecido, mas promissor intérprete da música jovem,
chamado Roberto Carlos.
Quem o descobriu no Rio de Janeiro foi Carlos Imperial,
mas Aguillar o ajudou muito na capital paulista, divulgando suas músicas através
dos programas de rádio.
Então aconteceu o inevitável, a televisão chamou
Roberto Carlos para apresentar nas tardes de domingo, um programa chamado Jovem Guarda, que fez dele um dos principais nomes entre todos da MPB.
O Rádio seguiu em frente, vieram depois as emissoras em AM, voltadas exclusivamente à música gravada em discos.
Foi o caso da Excelsior, chamada de "A Máquina do
Som" tendo à frente a voz inconfundível de Antônio Celso.
Outras emissoras seguiram o mesmo caminho como a Difusora de São Paulo, comandada pelo sempre elogiado diretor-artístico,
Luiz Fernando Magliocca.
Nesta mesma época, entre as AMs, surgiu um seguimento mais popular, formado pelos comunicadores dentre os quais tiveram destaque, Hélio Ribeiro, Barros de Alencar,
Luís Aguiar, Enzo de Almeida Passos e outros vieram depois, como Eli Corrêa.
A partir da metade da década de 1970, as emissoras em FM proliferaram levando ao ar uma programação musical mais segmentada.
O Rádio no Brasil, que agora completa 100 anos, tem ainda muitas
histórias a serem contadas.
Nesta foto de 2012, Aguillar está ao lado deste blogueiro em um encontro musical no Restaurante Quintal Brasil.
Conforme mostramos na postagem anterior, a Rádio
Nacional do Rio de Janeiro levava ao ar em seus programas de auditório cantoras que ficaram para a história da Música Popular Brasileira, entre elas Marlene, Emilinha Borba e Ângela Maria, transformadas pelo gosto popular em “Rainhas do Rádio”.
São Paulo também teve suas rainhas que, entretanto, terminaram suas vidas no mais completo anonimato, exceção talvez de Isaura Garcia, mulher de encantadora sensibilidade.
Para apresentar e produzir programas de auditório no rádio paulista, foi preciso trazer do Rio de Janeiro, César Ladeira, que deixou a Rádio Nacional, contratado por Paulo Machado de Carvalho, para dirigir a Record de São Paulo.
De início César Ladeira teve muito trabalho pela necessidade de criar um elenco genuinamente paulista. Ninguém mais além dele, iria se dispôs a deixar a Nacional, ouvida em todo país, para ingressar em uma emissora localizada fora do Distrito Federal.
Dessa procura surgiram novas cantoras que fizeram grande sucesso, a principal delas foi Agripina Duarte, cujo rosto aparece na foto acima.
Isto possibilitou a formação de um público cativo que passou a lotar auditórios, comprar discos e revistas.
Outras intérpretes ganharam destaque como Neide Fraga, Cida Tibiriça e Sonia Carvalho, entre outras.
Nenhuma dessa vozes, contudo, sobreviveu ao tempo e praticamente todas foram esquecidas.
A cidade de São Paulo, quem sabe, pela constante pressa
de progredir, se esqueceu de preservar até mesmo os registros sonoros desta época, porque nenhum desses programas de auditório, depois de gravado, ficou guardado em arquivo.
Quem resgatou esses nomes foi Thais Matarazzo,
jornalista e pesquisadora musical em seu livro “A Dinastia do Rádio
Paulista”, escrito em parceria com o historiador Valdir Comegno, publicado em 2013.
Em 1935, Agripina se tornou a primeira Rainha do Rádio em São Paulo. “Seu salário de 300 mil réis, chegou a ser o maior entre os
funcionários da Rádio Record”, revela a autora em sua obra.
Um artigo postado em 2020, no “Guia dos Curiosos”, por Marcelo Duarte, sobrinho-neto de Agripina, dá conta que ela se iniciou no rádio
aos 12 anos, cantando em programas infantis.
Aos 16, já fazia parte do cast da Rádio Record e
no auge da fama, se casou com Raul Gama Duarte, grande nome do meio
artístico e um dos pioneiros da televisão no Brasil.
Dessa união nasceu a filha Maria Cristina Gama Duarte,
que se tornou jornalista e dirigiu a revista “Cláudia”.
Marcelo Duarte, acrescenta em seu texto, que o
casamento pode ter influenciado sua tia-avó, a recusar uma proposta para integrar
o quadro de cantores da Rádio Nacional do Rio de Janeiro.
Agripina, aos poucos, foi abandonando a carreira e essa
decisão abriu espaço para que Isaurinha Garcia, que está nessa foto, tomasse o posto de “Rainha do Rádio de São Paulo”, no ano de 1953.
Thais Matarazzo em seu livro, traz ainda outros nomes
de cantoras da Pauliceia, como Elza Laranjeira, Esterzinha de Souza, Triana Romero, Hebe Camargo e
Lolita Rodrigues.
Outro destaque foi Juanita Cavalcanti, também
cantora e rainha, escolhida pela Rádio Gazeta, em 1957.
Todas elas brilharam, mas tiveram curto reinado.
Fontes: MATARAZZO,
Thais/COMEGNO, Valdir/A Dinastia do Rádio Paulista, ABR Editora/São
Paulo/ 2013/
DUARTE, Marcelo/ Portal Guia dos Curiosos/Agripina
Duarte: A rainha do rádio paulista que nunca ouvi cantar; 18 de junho de 2020/