terça-feira, 18 de outubro de 2022

Saiba como foi “A Era do Rádio no Brasil” e suas Rainhas

Logo após ter surgido, o rádio passou a mostrar o poder de seduzir a imaginação das pessoas através dos ouvidos.

Capaz de ser mais lúdica que os olhos, a audição consegue levar as pessoas a imaginar o rosto de um locutor ou uma cantora através da voz.

Embora a tecnologia tenha desfeito muitos desses mitos imaginários, a partir do surgimento da televisão e mais recente com as webcans nos estúdios radiofônicos, ainda assim, o poder da voz ainda tem força entre os que gostam de ouvir rádio.


Isto ajuda explicar o interesse despertado quando da escolha das Rainhas do Rádio, nos tempos dos programas de auditório.

A ideia surgiu em 1937, mesmo ano em que a Ditadura Vargas se institucionalizou com a implantação do Estado Novo.

Talvez por isso não tenha ocorrido de início uma eleição entre os ouvintes, para a escolha de sua primeira rainha que acabou sendo a cantora Linda Baptista.

“Este nome veio do consenso entre os artistas”, nos explicou em uma antiga entrevista, o escritor Reynaldo Tavares, de saudosa memória, grande pesquisador do rádio no passado.

O "mandato" de Linda Batista, assim como o de Getúlio, foi longo, durou 11 anos até 1948, quando sua irmã Dircinha Baptista, também foi escolhida como rainha. 

A grande polêmica, entretanto, começou no ano seguinte, quando se estabeleceu a escolha através do voto popular e a vencedora foi Marlene, que aparece na foto acima, após acirrada disputa pelo voto com Emilinha Borba, situação que fez das duas, eternas rivais.

Marlene, uma paulistana da Bela Vista, cujo nome de batismo era Vitória Bonaiutti, levou para o Rio de Janeiro, o patrocínio da Companhia Antárctica que colocava no mercado o Guaraná Caçula.


Com o dinheiro pago pelo patrocinador, o empresário de Marlene, comprou toda uma edição da Revista do Rádio, que promovia o concurso, e mandou preencher os cupons com o nome dela.

Desgostosa, Emilinha Borba - Emilia Savanna Borba - que tinha chances de vencer, retirou-se da competição

Marlene foi eleita com 529.982 votos e no dia da entrega do prêmio, a cidade maravilhosa amanheceu forrada de cartazes onde, Marlene aparecia em uma foto tomando o guaraná caçula e os fãs de Emilinha ficaram doidos.

Tal atitude deu início a uma guerra entre as duas cantoras, que passaram a se desafiar abertamente na busca de títulos e homenagens, sempre no intuito de superar a adversária.

Quando Emilinha obteve o título de “A Favorita da Marinha”, Marlene não deixou por menos e deu o troco se tornando “A Favorita da Aeronáutica”.

Mas se fizermos um ranking entre Rainhas do Rádio da Nacional Rio, nem Marlene e nem Emilinha seriam as vencedoras.


A mais votada entre todas as rainhas pertencentes à Rádio Nacional do Rio de Janeiro foi Ângela Maria, eleita em 1954, com mais de um milhão de votos.

Tentaram depois em 1958, quando o concurso já estava decadente, escolher um galã para fazer dele o “Rei do Rádio”, mas não deu certo. O vencedor foi o cantor Francisco Carlos, chamado na época de El Broto. 

  

CONCURSO RAINHA DO RÁDIO AO LONGO DA HISTÓRIA

 

VENCEDORAS:

 

1937 - LINDA BAPTISTA*

1948 - DIRCINHA BAPTISTA**

1949 - MARLENE - 529.982 VOTOS

1951 - DALVA DE OLIVEIRA - 311.107 VOTOS

1952 - MARY GONÇALVES - 744.826 VOTOS

1953 -EMILINHA BORBA - 691.515 VOTOS

1954 -ÂNGELA MARIA -1.464.996 VOTOS

1955- VERA LÚCIA- 565.636 VOTOS

1957- DORIS MONTEIRO- 875.605 VOTOS

1958- JULIE JOY- 350.421***

 

(*, **) - Não houve eleição para a escolha das duas primeiras rainhas do rádio

(***) – Eleita ao lado de Francisco Carlos

 

Em São Paulo também houve Rainhas do Rádio, mas este assunto será tratado em nossa próxima postagem.

segunda-feira, 10 de outubro de 2022

A revolução de 1932 ajudou popularizar o rádio no Brasil: Confira essa história

Em nossa série de postagens sobre os 100 Anos do Rádio no Brasil, é preciso contar que até o início da década de 1930, apenas 21 emissoras funcionavam no Brasil, todas elas levando ao ar programas de cunho educativo e música erudita.

O início da mudança desse estilo, para uma programação mais próxima do público em geral, começou em 1928, quando em São Paulo, o dono de uma loja de discos chamada Record, visitou os Estados Unidos e trouxe consigo um transmissor AM de 500 kWs.



A loja de Álvaro Liberato de Macedo, tinha como endereço a Praça da República, n°17 e sua compra foi para divulgar os discos a venda na loja, cujas músicas eram apresentadas pela estação de rádio.

Passado algum tempo, em 13 de junho de 1931, Álvaro de Macedo vendeu sua rádio a Paulo Machado de Carvalho por 25 contos de réis.

Nesta época, São Paulo exigia nas ruas a deposição do então presidente Getúlio Vargas e o primeiro passo da revolta foi dado pelos estudantes da faculdade de Direito do Largo São Francisco.


No início da noite de 23 de maio de 1932, os estudantes invadiram o estúdio da Record e exigiram que se colocasse no ar a leitura de um abaixo-assinado que pedia mudanças na situação política do País.

O locutor de plantão naquela noite era Nicolau Tuma e a marcha escolhida para fundo musical, foi Paris Belfort, por decisão aleatória do técnico de som.

Lido o manifesto, dali em diante, a Rádio Record se transformou na “Voz de São Paulo”, durante a Revolução Constitucionalista.



Foi através destes acontecimentos que Getúlio Vargas reforçou sua percepção sobre a força do rádio como veículo de comunicação, visto que, por um decreto-lei, foi ele quem autorizou a introdução de anúncios comerciais durante a programação das emissoras.

Com a inclusão desta novidade, as estações puderam contratar artistas e apresentar programas variados, mais próximos do grande público.

Outro fato importante para a popularização do rádio, aconteceu em 12 de setembro de 1936, dia em que foi ao ar pela primeira vez, a Rádio Nacional do Rio de Janeiro.

Surgida inicialmente como empresa privada, a rádio acabou sendo encampada por decisão de Getúlio, em 8 de março de 1940, e transformada na emissora oficial do governo brasileiro.


Com potentes transmissores capazes de alcançar todas as regiões do país, a Rádio Nacional se tornou mais conhecida em sua época de ouro que qualquer outra emissora de TV aberta dos tempos atuais.

A Nacional tinha em seu elenco, o que havia de melhor entre músicos, cantores e cantoras, além de atores e radio-atrizes, que deram início ao que se chama de fase de ouro do rádio brasileiro.

Foi também a pioneira na introdução do radiojornalismo, ao incluir na programação, a partir da II Guerra Mundial, o Repórter Esso com notícias do Brasil e do mundo, lidas de hora em hora.


Terminada a guerra, o Repórter Esso permaneceu no ar até 1968 sempre com o slogan: “A testemunha ocular da história”.

Entre os apresentadores, no Rio de Janeiro, destacam-se os nomes de Heron Domingues e César Ladeira, além das vozes de Dalmácio Jordão e Lívio Carneiro, no rádio paulista, entre outros.

Tanto a Rádio Nacional quanto a Rádio Record seguem no ar transmitindo em AM para todo Brasil. 

No Rio de Janeiro, a Nacional opera na frequência de 1.130 kHz e a paulistana Record, segue firme nos 1.000 kHz.

Essas rádios possuem páginas na internet e podem ser sintonizadas por aplicativos disponíveis no Play Store de cada aparelho celular.








quarta-feira, 5 de outubro de 2022

As memórias do rádio paulista em quase 100 anos de história

 Nas comemorações dos primeiros 100 anos do Rádio no Brasil, contamos que oficialmente, a primeira transmissão radiofônica em nosso país aconteceu durante as comemorações do Centenário da Independência, em 7 de setembro de 1922.

Depois, em 20 de abril de 1923, surgiu a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, graças ao empenho do médico amante das comunicações, Edgard Roquette Pinto.

Na capital paulista, o Rádio nasceu no dia 30 de novembro de 1923, quando foi ao ar pela primeira vez, a Rádio Sociedade Educadora Paulista, sob o prefixo PRA-E.

A iniciativa partiu de outros abnegados amantes da ciência e tecnologia: os engenheiros Leonardo Jones Jr, Otávio Ferraz Sampaio, George Corbisier, Luiz Ferraz de Mesquita, além do industrial Francisco Matarazzo e do comerciante Luiz do Amaral César.

Como presidente da rádio, os sócios escolheram Heribaldo Siciliano, por ser este um entusiasta sempre em busca de inovações.

O primeiro programa levado ao ar, foi transmitido de um estúdio no Palácio das Indústrias e contou com a participação do cantor Paraguassu, muito conhecido na época.


Descendente de italianos e morador do Brás, o jovem cantor buscou um nome artístico originalmente brasileiro para ser aceito no meio musical. Seu nome verdadeiro era Roque Richiardi.

Pouco depois, a Rádio Educadora mudou de endereço e foi para a Rua Carlos Sampaio, entre a Cincinato Braga e a Treze de Maio, onde instalou no mesmo terreno uma torre de 47 metros, para irradiar as ondas de um transmissor, cuja potência atingia mil watts.

A Educadora Paulista funcionava em regime de sociedade civil, ou seja, ninguém da diretoria era remunerado, apenas os funcionários recebiam salários em dinheiro pago pelos assinantes.

Aos poucos foram surgindo os primeiros anúncios comerciais, até que, em 21 de janeiro de 1931, pelo decreto lei 21.111, surgiu a primeira legislação que regulamentou a transmissão de anúncios comerciais pelas emissoras de rádio em todo Brasil. 

Daí em diante, o Rádio popularizou-se.

Por inúmeras vezes entrevistei Nicolau Tuma, nascido em 19 de janeiro de 1911, uma das primeiras vozes da Educadora Paulista. 

Entre outras atividades, Tuma narrava futebol, função na qual ficou conhecido como “Speaker Metralhadora”. 

Foi ele quem introduziu a narração veloz de uma partida de futebol.

Tuma fez escola para outros narradores esportivos, além de ter sido o inventor da palavra radialista.

Na língua portuguesa esta palavra não existia, em Portugal, por exemplo, o termo empregado era radista.


Na reunião inaugural da Associação Brasileira de Rádio, Nicolau Tuma sugeriu que empregassem nos estatutos da entidade a palavra radialista, para satisfação geral.  

“Muito mais bonita e fácil de pronunciar, minha sugestão foi aceita por unanimidade e se tornou o símbolo da profissão”, explicou o veterano mestre que nos deixou, em 11 de fevereiro de 2006.

De Nicolau Tuma, herdei a cadeira número 7, da Academia Paulista de Jornalismo, cujo patrono é José Maria Lisboa.

Este também, é um pioneiro nas comunicações por ter sido um dos fundadores, em 1884, do jornal Diário Popular, de saudosa memória.



 

terça-feira, 27 de setembro de 2022

O Rádio no Brasil comemora 100 anos, só que a Rádio Clube de Pernambuco, surgiu em 1919: Como explicar?

Augusto Joaquim Pereira, um contabilista apaixonado pelo estudo das ondas eletromagnéticas realizou em Recife, no dia 6 de abril de 1919, uma transmissão radiofônica direto de um estúdio improvisado na Ponte d'Uchoa.


Jornais da época, convocaram os entusiastas no assunto para ouvirem a transmissão “do” Rádio Clube (assim mesmo, no masculino) em um evento realizado na capital pernambucana.

Somente quem compareceu conseguiu ouvir, porque naquele tempo ainda não havia aparelhos receptores de rádio à venda no Brasil, mas os entendidos sabiam ser possível a recepção em rádios de galena, iguais aos da foto acima.

Um estudo histórico deste acontecimento, está sendo relatado em uma série de palestras do jornalista e professor Pedro Serico Vaz Filho, da Faculdade de Comunicação Social  Cásper Líbero.


Pedro Vaz, tem procurado posicionar “
o” Rádio Clube de Pernambuco, como o grande impulsionador da radiodifusão sonora no Brasil.

Para o docente da Cásper, o Rádio Clube manteve transmissões periódicas até 17 de outubro de 1923, quando então, Oscar Moreira Pinto estabeleceu de forma oficial e definitiva, “a” Rádio Clube de Pernambuco como estação de rádio.

Esta inauguração, entretanto, veio seis meses depois do início das operações da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, sob o comando de Edgard Roquette Pinto, em 20 de abril de 1923.



Permanece, entretanto, a polêmica se a Rádio Clube de Pernambuco seria de fato, ou não, a primeira emissora brasileira.

Pedro Vaz admite essa possibilidade, mas não descarta a importância do acontecimento que originou a fundação da Rádio Sociedade de Rio de Janeiro, considerada oficialmente, a primeira a transmitir no Brasil.

Para o mestre em comunicação, a realização da Exposição Internacional do Centenário da Independência, em 1922, trouxe aos visitantes, a voz do presidente da República na época, Epitácio Pessoa, que foi ouvida em aparelhos de rádio colocados não apenas no Rio, mas também em Niterói, Petrópolis e algumas cidades do Estado de São Paulo.



"A experiência feita pelo Rádio Clube de Pernambuco, em 1919, serviu de embrião para que se implantasse, em definitivo, a radiodifusão em nosso país", garante Pedro Vaz.

Pela data do acontecimento, conclui-se também que a tecnologia utilizada em Recife, tinha a mesma qualidade da que era levada em prática nos Estados Unidos.

A conclusão se dá pelo fato da primeira emissora comercial mundo, a Rádio KDKA, de Pittsburgh – Pensilvânia, ter iniciado suas transmissões, em 2 de novembro de 1920, mais de um ano depois do Rádio Clube de Pernambuco.




Na próxima postagem iremos contar como foi que surgiu o Rádio em São Paulo. Sendo assim, até lá!

quarta-feira, 21 de setembro de 2022

No mundo existem cinco inventores do Rádio: Conheça os nomes

Não é só o Brasil que pleiteia para o padre-brasileiro, Roberto Landell de Moura, o reconhecimento internacional pela invenção do rádio.  

Além dele, há outros quatro inventores de diferentes países: O italiano Guglielmo Marconi, o canadense Reginald Fessenden e os americanos, Nicola Tesla, sérvio-austríaco naturalizado e William Dubilier.

Tudo começa com o físico alemão Heinrich Hertz, que aparece na foto acima. Em 29 de novembro de 1888, ele mostra ao mundo das ciências, a existência das ondas eletromagnéticas.

O próprio Hertz não deu muito valor à sua descoberta, mas a partir dela, sucederam-se as invenções baseadas neste princípio.

As duas últimas décadas do século 19 fizeram parte do período das grandes invenções da qual participaram Landell de Moura e Marconi, entre outros.

Para nós brasileiros, foi o padre-cientista gaúcho quem inventou o rádio. graças à sua pioneira transmissão radiofônica entre a Avenida Paulista e a sede de sua paróquia no bairro de Santana, registrada pelos jornais da época.

Aconteceu, entretanto, que as patentes brasileiras obtidas pelo padre, não foram aceitas no exterior e, além disso, ele teve problemas com a Igreja que considerava suas experiências uma espécie de bruxaria e isso o atrapalhou.

Em 1896, o italiano Guglielmo Marconi, apresentou aos seus compatriotas, o primeiro sistema prático de telegrafia sem fios fazendo uso das ondas sonoras.

Em seguida se mudou para a Inglaterra, após verificar que não havia nenhum interesse do seu país em suas experiências.

Somente em 1899, Marconi comprovou cientificamente ser possível transmitir mensagens telegráficas por código Morse sem fios, ao testar seus equipamentos em duas embarcações dentro do Canal da Mancha.

Isso rendeu os dividendos que lhe permitiram criar uma empresa própria de aparelhos de rádio, vendidos em larga escala, particularmente para navios.

O Canadá, porém, reconhece Reginald Fessenden, nascido no país, como o único e verdadeiro inventor do Rádio.

Ele demonstrou, em dezembro de 1900, ser possível modular as ondas hertzianas em frequências e estações de recepção, de início para as transmissões dos telégrafos sem fio, como mostra a foto.

Esse princípio possibilitou, quase 20 anos depois, o surgimento nos Estados Unidos, das primeiras emissoras de rádio em AM.

Uma parte dos americanos, por sua vez, considera que o inventor do rádio, é Nicola Tesla, um sérvio-austríaco que imigrou para os Estados Unidos e se naturalizou americano em 1884.

Sua primeira transmissão radiofônica, só aconteceu em 1906, mas os americanos alegam que Marconi se utilizou de 19 patentes de Tesla para chegar ao seu projeto final de radiofonia.

O empresário americano Ellon Musk, deu o nome Tesla à sua fábrica de automóveis, por considerá-lo o verdadeiro descobridor da eletricidade.

Alguns historiadores acusam Thomas Edison de ter se apropriado dos inventos do engenheiro sérvio relacionados à geração de energia elétrica.


Outro círculo de estudiosos considera William Dubilier, nascido nos Estados Unidos, como o definitivo e mais bem-sucedido criador do rádio.

Ele demonstrou suas transmissões radiofônicas com perfeição, em uma feira realizada em Seattle, no ano de 1909, bem-antes do surgimento primeira estação comercial daquele país, no ano de 1919.

De nossa parte, fazendo as contas, chegamos à conclusão que o invento do rádio partiu do padre brasileiro, Roberto Landell de Moura, interessado somente na transmissão da voz humana.

Por ironia do destino todos os demais terminaram ricos, menos o padre que desejava com seus inventos financiar obras de caridade. 

Este morreu esquecido, mas foi transformado depois em herói da Pátria. Ficará na história do rádio como o grande injustiçado.


 Agradecimentos a Rogério Gama e Reynaldo Tavares (in memorian)

terça-feira, 13 de setembro de 2022

O Rádio no Brasil comemora 100 anos, mas sua história começa antes, com o padre-inventor Roberto Landell de Moura

A história do Rádio no Brasil, começa em 1893, com o Padre Roberto Landell de Moura, que durante anos ficou esquecido pelos brasileiros.

Antes de contar um pouco mais sobre esses acontecimentos, se faz necessário lembrar que certas invenções tiveram vários protagonistas e nem todos reconhecidos.

Nosso maior exemplo, é Santos Dumont, o Pai da Aviação, que contornou a Torre Eiffel em um balão dirigível e depois realizou a façanha do 14 Bis, ao levantar do solo um modelo mais pesado que o ar, em 23 de outubro de 1906.


Com o rádio aconteceu o mesmo, seu grande inventor foi o padre-cientista brasileiro, Roberto Landell de Moura, que transmitiu com sucesso sua voz a partir de um equipamento instalado na Avenida Paulista e captado por testemunhas na sacristia da igreja da qual era pároco, no bairro de Santana.

Isto se deu em 1893, tendo a notícia sido veiculada na época pelo Jornal do Comércio, e o padre, obtido patentes brasileiras para o seu invento.

O italiano Guglielmo Marconi, entretanto, é quem ficou com os louros da invenção, embora sobre ele haja discussões em outros países a respeito de seus inventos.

Marconi inventou de verdade, a radiotelegrafia sem fios, em 1896, ao transmitir em ondas sonoras sinais em código morse.

Landell de Moura, nasceu em Porto Alegre. em 21 de janeiro de 1861 e aos 18 anos, custeado pela Igreja, seguiu para a Itália a fim cursar o seminário, com o direito de cursar Ciências Exatas na Universidade Gregoriana.

Durante essas aulas, o futuro padre conheceu Guglielmo Marconi, também estudante, de quem se tornou amigo e com ele trocou informações sobre radiofonia e radiotelegrafia.


Após a formatura, Landell de Moura, cumpriu sua palavra e prosseguiu nos estudos para ingressar na carreira eclesiástica, enquanto Marconi seguiu na profissão científica.

Ordenado padre buscou paralelamente exercer a função de cientista, mas após testar com sucesso seus inventos, foi chamado atenção pelos seus superiores, contrários a seus experimentos considerados coisa do demônio ou ligados às bruxarias.

Apesar das dificuldades, viajou para os Estados Unidos e lá obteve em 1903, a patente de alguns dos seus inventos, entre eles, o transmissor de ondas hertzianas e um telefone que operava sem fios.

No livro Histórias que o Rádio Não Contou, o autor Reynaldo Tavares chega a dizer que o padre brasileiro, “foi o precursor do telefone celular”. 

Landell, não sonhava ganhar dinheiro com suas descobertas, ao contrário, resolveu oferecê-las ao governo brasileiro na tentativa de obter em troca, ajuda oficial para as suas obras de caridade.

Munido das patentes registradas, seguiu dos Estados Unidos direto para o Rio de Janeiro, então capital da República e encaminhou por escrito ao presidente Rodrigues Alves um pedido de audiência.

Sua ideia era conseguir emprestadas, duas embarcações, para poder transmitir de uma barca para a outra, as conversas radiofônicas feitas em plena Baía de Guanabara.

Mas o que ele esperava não aconteceu: Rodrigues Alves ignorou completamente a sua proposta, não o recebeu e, para atendê-lo, mandou um assessor que cometeu o disparate de chamá-lo de louco.

Decepcionado, Landell decidiu desistir da carreira científica e destruiu todos os equipamentos criados por ele até então. Continuou como padre e no final da vida chegou à condição de monsenhor.

Morreu em Porto Alegre, a 30 de julho de 1928, quando o Rádio no Brasil já fazia operações regulares.

Das realizações ficaram somente as patentes com as quais o senador gaúcho, Sérgio Zambiasi, obteve do Congresso Nacional, em 2015, o apoio para o reconhecimento do governo brasileiro que o padre-cientista Roberto Landell de Moura, é o verdadeiro inventor do Rádio.

Seu nome agora faz parte do "Livro de Aço", do Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, um memorial cívico existente em Brasília, que se destina a homenagear heróis e heroínas nacionais que, de algum modo, serviram para o engrandecimento da nação brasileira.

Além do Brasil, também Portugal reconhece Roberto Landell de Moura como inventor do Rádio e patrono dos radioamadores desses dois países.


Agradecimentos a Rogério Gama pelas fotos obtidas junto à sua página no Facebook e como fonte (in memorian) nossa lembrança ao inesquecível mestre Reynaldo Tavares, a quem entrevistei em 1999, quando do lançamento da primeira edição de seu best-seller "Histórias que o Rádio não Contou, livro considerado uma das principais fontes de pesquisa para alunos, professores e demais pessoas interessadas no assunto.

Na próxima postagem daremos continuidade ao assunto, 100 Anos de Rádio no Brasil. Sendo assim, até lá!

 

 

 

domingo, 4 de setembro de 2022

O Rádio no Brasil completou oficialmente 100 anos, neste 7 de setembro, mas sua história é repleta de fatos inusitados

Oficialmente a história do Rádio no Brasil, como veículo de comunicação, começa no dia 7 de setembro de 1922, com a abertura da Exposição Internacional do Centenário da Independência, realizada no Rio de Janeiro.

No total, 14 países de 3 continentes, participaram do evento que recebeu da abertura até o encerramento, em 15 de novembro do mesmo ano, cerca de 3 milhões de visitantes.

O que mais surpreendeu em termos de tecnologia e modernidade foi a presença de um aparelho de rádio receptor, capaz de reproduzir a voz humana pronunciada em longa distância, algo até então desconhecido pela maioria dos brasileiros.  

Para que a irradiação acontecesse, foi preciso instalar uma torre no Morro do Corcovado e um transmissor de ondas sonoras com microfone, no gabinete do então presidente da República, Epitácio Pessoa, cujo rosto aparece em um selo comemorativo do evento.

Do Palácio do Catete, o presidente fez um discurso que pôde ser ouvido por todos os presentes na cerimônia inaugural da exposição.

Entre os visitantes estava o médico, professor e escritor, Edgard Roquette Pinto que viu na nova tecnologia, segundo palavras dele, “uma máquina importante para educar nosso povo”.


Terminada a mostra internacional, em 15 de novembro, ninguém se interessou em adquirir o equipamento de transmissão radiofônica trazido ao Brasil, pela empresa norte-americana Westinghause.

Roquette Pinto solicitou uma audiência com Epitácio Pessoa, na tentativa de convencer o governo federal a comprar os equipamentos, sob o argumento da força política daquele meio de comunicação.

Assim mesmo, não veio do presidente da República, a receptividade esperada.

Procurou então, a Academia Brasileira de Ciências e sugeriu aos representantes que eles próprios em sociedade, comprassem os equipamentos para serem usados com a finalidade educativa e sua ideia foi aceita.

Graças a esse esforço, em 20 de abril de 1923, foi inaugurada a primeira emissora oficial de rádio do país, a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, tendo Roquette Pinto como diretor.

Em 1936, ano em que os aparelhos de rádio passaram a ser vendidos em todas as lojas do ramo no país, a Rádio Sociedade, foi doada ao Ministério da Educação e Saúde, para se cumprir a intenção de um veículo primordialmente educativo.

Entretanto, o presidente Getúlio Vargas, transferiu sua administração para o Departamento de Propaganda e Difusão Cultural que mais tarde, em 1939, se transformaria no DIP, órgão responsável pela censura exercida durante boa parte da Era Vargas.

Consta que, ao se despedir do comando da emissora que fundara, Edgard Roquette Pinto sussurrou chorando ao ouvido da filha Beatriz: "Entrego esta rádio com a mesma emoção com que se casa uma filha".


Este é só o início da História do Rádio Brasil, outros artigos virão, peço que acompanhem a cada semana uma nova postagem.


Fontes: Tavares/Reynaldo C./Histórias que o Rádio não Contou/Herbra/São Paulo/1999.

Fotos: Acervo particular professor Pedro Vaz – Faculdade de Comunicação Social Casper Líbero/São Paulo e Wikipedia