domingo, 28 de julho de 2024

São Paulo dos arranha-céus, uma história que começou há 100 anos

“São Paulo cresce e se modifica a uma velocidade tão grande que, de uma geração a outra, os jovens já não mais conhecem a cidade onde viveram seus antepassados recentes.”

A frase acima está no livro São Paulo, Três Cidades em um Século, do saudoso professor da FAU/USP, Benedito Lima de Toledo, sobre as mudanças ocorridas na capital paulista do século 20.

Para confirmar o que a frase diz vamos iniciar uma série de postagens sobre a verticalização de São Paulo ao longo dos anos.

Uma estimativa aponta que na capital paulista estão de pé, cerca de 30 mil edifícios acima dos 20 metros de altura, nem mesmo a prefeitura, entretanto, possui o número exato.

Nossa Pauliceia passou a ganhar ares de metrópole pelo início do século 20, com a inauguração em 1913 do Edifício Guinle de 7 andares, na Rua Direita 49, que aparece na foto acima.

Considerado o primeiro prédio vertical construído no Brasil, seu projeto original, desenvolvido pelo arquiteto Hyppolito Gustavo Pujol Júnior, previa a construção de apenas 3 andares.

Os donos da empresa “Guinle & Cia”, entretanto, mandaram erguer durante a obra, mais 4 pavimentos.

O termo “arranha-céu” surgiu nos Estados Unidos com o nome “skycraper”, para designar as construções com pelo menos 10 andares erguidas em grandes cidades como Chicago, Nova York e Detroit, pelo final do século 19.


Com base na projeção norte-americana, o Edifício Sampaio Moreira, inaugurado em 1924, passou a ser considerado marco inicial da verticalização de São Paulo.

Suas características são de um “arranha-céu”, possui altura de 50 metros e 12 andares.

Tombado pelo Patrimônio Histórico em 1992, o Sampaio Moreira foi desapropriado pela prefeitura e a Secretaria Municipal de Cultura ocupa suas dependências.

A Casa Godinho, tradicional mercearia fundada em 1888, ocupa o espaço da loja térrea do Sampaio Moreira desde 1924, mesmo ano da inauguração deste prédio da Rua Líbero Badaró, 340.

O reinado do Sampaio Moreira como edificação mais alta da cidade, durou apenas cinco anos.

Veio depois o Edifício Martinelli com 28 andares e 106 metros de altura que tomou o seu lugar em 1929.

Quem mandou construir o "arranha-céu" foi Giuseppe Martinelli, um italiano nascido em Lucca, na região Toscana.

Ele chegou ao Brasil em 1893, primeiro trabalhou como açougueiro, depois foi trabalhar numa companhia de despachos aduaneiros em Santos, prosperou na vida e se tornou empresário.

A partir daí seu grande sonho passou a ser deixar uma marca que perpetuasse o seu nome na história da cidade.

Para levar adiante sua meta, comprou as áreas vizinhas e o terreno onde funcionava o requintado Café Brandão, ponto de encontro dos políticos e homens de negócios da São Paulo do início do século 20.

O quarteirão entre a Rua São Bento, Rua Líbero Badaró e a Ladeira de São João era o ponto mais valorizado de São Paulo.

Um imprevisto aconteceu, ao iniciar as obras surgiram problemas, minava água nas fundações e para resolver a questão foi preciso gastar muito dinheiro.

Martinelli não teve dúvida, viajou para a Itália e foi pedir ajuda ao ditador Benito Mussolini.

O mais surpreendente é que o “Duce” atendeu, liberou verbas acima do pedido, com a condição de que o edifício tivesse o dobro da altura prevista, em torno dos 50 metros.

Mussolini exigiu que fosse o mais alto “arranha-céu” da América Latina para assim, projetar o nome da Itália aos olhos do mundo inteiro.


Martinelli não teve mais dúvidas e nem dívidas, dobrou o tamanho da construção para 106 metros e o povo incrédulo, passou a dizer que a construção onde antes minava água, não se sustentaria muito tempo de pé, o prédio iria desabar em pouco tempo.

Em 1929 tudo ficou pronto e foi inaugurado com 28 andares, além da cobertura que serviu de residência para o empresário e sua família.

Ele achava que com isso, representantes da alta sociedade paulistana se mudariam para o edifício, o que não aconteceu.


Depois da inauguração, o gigante “arranha-céu” continuou longo tempo vazio, o preço dos apartamentos era altíssimo, ninguém se interessava em comprar e o primeiro morador foi Arturo Patrizi, um professor de dança.

Além de morar, Patrizi montou nos primeiros andares sua escola, ganhou muito dinheiro e ficou famoso com ela.

Com o passar do tempo, entretanto, o prédio perdeu o glamour, e os apartamentos começaram a ser alugados para famílias de baixa renda.

Crimes aconteceram nas dependências e até a fama de ser mal-assombrado, o edifício recebeu.

Em 1975, o então prefeito Olavo Setúbal desapropriou o Martinelli e sua restauração deu novos ares ao lugar.

Recentemente visitas educativas ao topo do Edifício Martinelli passaram a ser realizadas mediante agendamento prévio.

O passeio dura cerca de uma hora, guias especializados dão explicações históricas relativas ao prédio e ao centro paulistano.

Além disso, a residência da cobertura pode ser alugada para eventos e o sonho de Giuseppe Martinelli, de ter o seu nome perpetuado, ocorreu.


Fontes: Gazeta de São Paulo: Edifício Martinelli: 100 anos de história, cultura e revitalização em São Paulo - Gazeta de São Paulo (gazetasp.com.br)

Edifício Martinelli: Edifício Martinelli – Arquitetura Italiana (usp.br)

Livro: TOLEDO, Benedito Lima de. São Paulo, três cidades em um século. São Paulo: Cosac & Naify/ Livraria Duas Cidades/ Acesso em: 28 jul. 2024

Fotos: Gazeta de São Paulo – Catraca Livre - Google


 

 

 

 


segunda-feira, 15 de julho de 2024

Jornalismo de soluções: Saída para devolver credibilidade à mídia

Cada vez é maior o número de pessoas que deixa de acompanhar os noticiários e uma das causas está na forma como as notícias são apresentadas: “Parece que só existem desgraças?”

“Repórteres só falam em guerras, corrupção, crimes violentos, será que nada presta?”

Essas são algumas questões levantadas por telespectadores e ouvintes.

Notícias ruins chamam mais a atenção que as boas, essa postura não é culpa só da mídia, prova está na grande audiência dos programas policiais dos finais de tarde. 

Essa constatação nos levou a escolher a foto acima. 

Mas é possível modificar a forma de se apresentar as notícias e isso deve ser feito rapidamente, até pela própria sobrevivência do jornalismo.

Uma proposta surgida nos Estados Unidos começa a ganhar adeptos no Brasil, é o Jornalismo de Soluções – “Solutions Journalism Network”

Por este novo processo a reportagem segue na busca de uma solução para o problema que foi mostrado ao público.


Quando fui repórter das estradas em uma emissora de São Paulo, muitos anos atrás, noticiava os acidentes com mortes nas rodovias, aquilo me entristecia e aos ouvintes também.

Mais adiante na Rádio Eldorado, passei a noticiar o trânsito pelo helicóptero, apontava do alto caminhos alternativos.

Era o esboço para a atual proposta do Jornalismo de Soluções, mas fazíamos tudo por intuição, não havia nada conceitual ainda.


Para o Jornalismo de Soluções funcionar, é preciso que toda a redação esteja engajada na cobertura de uma situação para mostrar saídas a partir daquele acontecimento.

O repórter ao receber a pauta deve ser orientado para, após relatar o assunto, buscar formas ou alguém que aponte soluções.

Nem sempre se consegue isso de imediato, por tal motivo, caberá à redação manter o tema em destaque e pesquisar saídas.

Nos meus tempos de repórter das estradas, a justificativa para o tombamento constante de carretas na descida da Serra de Santos pela Via Anchieta, era a falha dos freios e a notícia ficava por isso mesmo.

Estudos mostraram que a implantação de áreas de escape cobertas por cascalho ajudaria na diminuição dos acidentes.

Além de frearem os veículos pesados, as áreas de escape cobertas por cascalho ajudariam a evitar mortes e perdas de carga. Deu certo.

A Via Anchieta, possui hoje duas áreas de escape na pista de descida, constituídas de argila no formato de bolinhas que conseguem segurar melhor ainda os caminhões e carretas.


Para o repórter que trabalhar pelo método jornalístico de buscar soluções, ao cobrir algum acidente do tipo em outra rodovia, deverá lembrar ao público que na Via Anchieta os tombamentos diminuíram com a construção de áreas de escape forradas de argila.

A internet é hoje uma grande fonte de ajuda para quem busca soluções, basta pesquisar com critérios para a escolha dos resultados certos.

Tendo por base pesquisas, o jornalismo de soluções pode até mesmo mudar o tom do discurso político dos governantes, tornando-o menos evasivo e mais construtivo.

Claro que ainda há um longo caminho a ser percorrido, cabe aos que comandam a mídia, aceitarem a ideia.


Fontes: 

Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo - Abraji: Abraji | Entenda o que é e como fazer jornalismo de soluções

IJnet – Rede de Jornalistas Internacionais: Jornalismo de soluções: o que é e por que você deveria se importar? | Rede de Jornalistas Internacionais (ijnet.org)

 Fotos: Google - Imagens


sábado, 6 de julho de 2024

Para salvar Plano Real governo precisou dar dinheiro aos bancos

O sucesso do Plano Real é uma realidade, mas a conquista da estabilidade econômica e financeira veio carregada de incertezas

A logomarca do Banco Nacional ainda é vista frequentemente nas fotografias onde aparece o piloto tricampeão Ayrton Senna.

O Banco Nacional era uma instituição privada e sua falência aconteceu após a descoberta que seus demonstrativos contábeis exibiam lucros inexistentes na casa dos bilhões de reais.

Outros bancos de menor porte faziam o mesmo e o Banco Central precisou intervir em todos eles.

Para que os clientes não perdessem seus créditos, outros bancos assumiram o controle acionário dessas instituições inadimplentes.

“Se mais bancos fecharem as empresas irão junto e a economia do país sairá arruinada”, alertava o ministro da Fazenda, Pedro Malan, em novembro de 1995.

O exemplo usado para justificar o perigo, foi a quebra da Bolsa de Valores de Nova York, em 1929.

“Na ocasião a economia dos Estados Unidos entrou em crise porque o governo não abasteceu os bancos com recursos financeiros”, explicaria Malan ao lançar o Proer.

Por este programa o governo brasileiro forneceu aporte financeiro aos bancos para garantir a sobrevivência das empresas e a garantia dos empregos dos funcionários.

Mas a oposição e a mídia, como não poderia deixar de ser, caíram matando.

Apesar das críticas, a economia do país sobreviveu e o Proer permaneceu em vigor até 2001.

O Brasil prosperou, mas algumas mudanças aconteceram: o câmbio que antes era fixo voltou a ser flutuante e o Real perdeu seu poder de compra em relação ao dólar.


A decisão de tornar o dólar flutuante fez aumentar as exportações e fortaleceu o agronegócio, mas as taxas de juros permanecem altas, embora não como antes.

Mesmo assim ainda é possível planejar compras a prazo, algo que no tempo da hiperinflação era impossível.

O Brasil saiu do buraco graças ao Plano Real, mas seu futuro ainda é cheio de incertezas.



Fonte: Texto editado a partir do livro "A História do Brasil sob o olhar da Contabilidade – Os 100 anos do Sindicato dos Contabilistas de São Paulo – Sindicont-SP", publicado em 2019. Autores: Lenilde Plá De León e Geraldo Nunes.

Fotos extraídas do Google

 






sexta-feira, 28 de junho de 2024

Há 30 anos Plano Real salvou o Brasil da hiperinflação

Os 30 anos de lançamento do Plano Real, merecem ser comemorados porque ninguém mais acreditava na salvação do Brasil.

 Depois de uma sequência de planos econômicos fracassados, o país passou a conviver com a hiperinflação e a proposta de se equilibrar a economia sem tabelamento de preços, parecia Conto da Carochinha.

Somente quem viveu no país daqueles tempos consegue avaliar como eram grandes as dificuldades econômicas.



O início da década de 1990 foi um dos momentos mais difíceis da história brasileira, a inflação atingia proporções gigantescas, algo em torno dos 2.500% ao ano.

Apenas para se ter uma ideia da diferença, em 2023 a inflação foi de 4,62%.

Quando as pessoas recebiam seus salários, se dirigiam aos supermercados e faziam suas compras para o mês todo antes que o dinheiro perdesse o valor.


Para citar outro exemplo das dificuldades, o setor automotivo, no início de 1994, passou a reajustar semanalmente os preços dos veículos zero quilômetro.

A descrença era total e na tentativa de elevar a autoestima da população, o então presidente da República, Itamar Franco, apelou à memória afetiva e promoveu a volta do Fusca. 


O mais bem-sucedido carro popular da história do Brasil voltou a ser fabricado entre 1993 e 1996, sendo neste período produzidas 45 mil unidades, para a alegria dos aficionados, nostálgicos e colecionadores.

Itamar era o vice de Fernando Collor, afastado pelo impeachment e, ao assumir, convidou um outro Fernando, o Henrique Cardoso para ser seu ministro da Fazenda.

FHC abraçou a economia em frangalhos, o caos era tão grande que o país nem obtinha arrecadação tributária suficiente.

Para cobrir as despesas se ordenava o Banco Central a comprar títulos diretamente do Tesouro, naquele tempo podia, para poder imprimir o dinheiro necessário e assim fazer frente às despesas. Como resultado a hiperinflação se fortalecia a cada mês. 


Em 1° de março de 1994, um novo indexador surge na economia, a Unidade Real de Valor – URV para dar sustentação ao Cruzeiro Real, nova moeda que duraria meses.

Sua sigla diferente do antigo Cruzeiro - Cr$, era toda em letras maiúsculas -  CR$ e serviu como balão de ensaio para o que viria adiante.

A Nação vivia um misto de tristezas e alegrias, Ayrton Senna tricampeão Fórmula 1, perdia a vida na pista de Ímola, em 1° de maio de 1994. 


Cerca de um mês depois da morte de Ayrton, o Brasil fazia sua estreia na Copa do Mundo e conquistaria o tetracampeonato mundial de futebol após 24 anos na fila.

 Em 1º de julho de 1994, quatro meses depois da implantação da URV, é anunciado o Plano Real, com a entrada em circulação de novas cédulas e moedas.


Um real, ou seja, R$ 1,00 passou ao valer US$ 1,00 o equivalente a CR$ 2.750,00. Para fazer as compras, calculava-se o preço a ser pago em reais dividido por 2.750.

 No começo houve confusão, ninguém acreditava que 1 real pudesse de fato valer 1 dólar, mas aos poucos as pessoas foram assimilando as mudanças e o otimismo voltou bem devagarinho, mas voltou.

 Os resultados positivos do Plano Real foram sentidos logo no primeiro mês de implantação; 6,08% de inflação em julho de 1994, contra 46,58% do mês anterior. Com o Plano Cruzado tinha sido desse jeito e depois o monstro voltou.

A estratégia para conter a inflação deixou de ser pelo tabelamento de preços e para isso foi criada a taxa Selic para o cálculo dos juros e no começo o patamar ficava em torno dos 50% ao mês.

 Para inibir o consumo também houve o congelamento dos salários e uma parte dos economistas passou a achar que o país não suportaria, empresas iriam quebrar.

De fato, muitas empresas passaram a trabalhar no limite, o sacrifício foi grande, mas aos poucos o doente foi reagindo.


Méritos a Itamar Franco que aguentou as pressões políticas e à sua equipe econômica formada por Gustavo Franco, Pedro Malan, André Lara Resende, Pérsio Arida, Edmar Bacha e Winston Fritsch.

Fernando Henrique Cardoso deixou o cargo de ministro da Fazenda, se candidatou a presidente da República e ganhou a eleição.

A continuação desta série fica para a nossa próxima postagem.


Fonte: O texto deste post foi editado a partir do livro “A História do Brasil sob o olhar da Contabilidade – Os 100 anos do Sindicato dos Contabilistas de São Paulo – Sindicont-SP, publicado em 2019. Autores: Lenilde Plá De León e Geraldo Nunes.

Fotos extraídas dos arquivos da Agência Brasil, exceto capa do livro de Thiago Uberreich – "1994 O Brasil é Tetra" - Editora Letras do Pensamento/São Paulo/2024




 

sábado, 22 de junho de 2024

Revolução de 1924 fez de São Paulo uma Faixa de Gaza

 Imaginem a cidade de São Paulo bombardeada por aviões e semidestruída por tanques e tiros vindos de todos os lados.

Isso aconteceu há 100 anos, durante a Revolução de 1924 que fez da capital paulista um lugar semelhante à Faixa de Gaza.

A revolta durou 23 dias, de 5 a 27 julho e registrou um saldo de 503 mortos, na maioria civis e mais de 4.800 feridos.

O movimento iniciado por tenentes do exército, como Juarez Távora e militares da Força Pública, liderados pelo major Miguel Costa, tinha por objetivo destituir o presidente Arthur Bernardes.

 A ação obteve apoio do general da reserva Isidoro Dias Lopes que passou a comandar as tropas.

Quando cogitavam sair na direção do Rio de Janeiro, a cidade de São Paulo passou a ser atacada por aviões.

Do alto eram lançadas bombas sobre as casas colocando inúmeras famílias em desespero, por terra tanques das tropas legalistas circulavam pelas ruas.

A população apavorada buscou refúgio através dos trens superlotados que partiam na direção das cidades do interior.

Dos 700 mil habitantes existentes na época, 300 mil abandonaram a capital paulista.

Ao mesmo tempo soldados legalistas invadiam residências na tentativa de prender os revoltosos, esparramando terror e medo da morte.

Pessoas inocentes que nada tinham a ver com a contenda foram assassinadas e cerca de 1.800 prédios foram destruídos.

Passou a faltar alimentos e houve saques no mercado central.

Permaneceram na capital paulista somente os mais pobres, moradores operários do Brás, Belém, Mooca, Penha e Cambuci, os bairros mais atingidos pelos bombardeios.

Para explicar os acontecimentos ocorridos há exatos 100 anos, o Comitê de Civismo e Cidadania da Associação Comercial de São Paulo – Coccid, promoveu em 17 de junho uma palestra.

O encontro contou com a presença do presidente da ACSP, Roberto Mateus Ordine e teve como moderador o coordenador do Coccid, Samir Nakle Khoury.

Houve as participações de João Tomás do Amaral, presidente do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo - IHGSP e Gilberto Marques Bruno, membro do Coccid.

Foram convidados os palestrantes Moacir Assunção e Dacio Nitrini que escreveram livros sobre a revolta e lá estivemos para acompanhar.

Os dois jornalistas comentaram que o nome “Revolução Esquecida”, veio pelo fato de ter sido um acontecimento que não teve nenhuma participação popular.

“Eram militares lutando contra militares e a população sem saber os motivos sofreu as consequências”, explicaram os palestrantes.

Carlos de Campos que ocupava o cargo que seria hoje o de governador do Estado, ficou ao lado dos legalistas.

Para escapar dos bombardeios, deixou a sede do governo, no Palácio dos Campos Elísios, se refugiou em Guaiaúna, região da Penha e de lá passou a acompanhar os acontecimentos.


O prefeito de São Paulo, Firmiano Pinto, entretanto, não arredou pé de seu gabinete, acompanhou o desenrolar dos fatos do começo ao fim e se manteve sempre em defesa da população.

Tanto o prefeito quanto o presidente da Associação Comercial de São Paulo da época, José Carlos Macedo Soares,  foram ao Rio de Janeiro pedir o fim dos bombardeios.

O presidente Arthur Bernardes os recebeu, mas não atendeu aos pedidos e ao término dos acontecimentos Macedo Soares foi exilado.


Como não havia um plano de governo e não houve nenhum apelo para a adesão popular, a Revolução de 1924 chegou ao fim sem nenhum resultado, foi um confronto desnecessário.

Mesmo assim, para cessar os bombardeios os revoltosos deixaram São Paulo a cavalo e nenhum deles se entregou aos legalistas.

A partida em cavalaria deu início à Coluna Prestes-Miguel Costa, outro episódio que hoje faz parte da história do Brasil.


Fontes: “São Paulo deve ser destruída”, livro de Moacir Assunção - Editora Record – 2015

Associação Comercial de São Paulo - apostila em pdf - Sérgio Lamarão/Inoã Carvalho Urbinati

Infoescola - Revolução Paulista de 1924




sábado, 15 de junho de 2024

Parabéns às Forças Armadas

O que seria do Rio Grande do Sul se as Forças Armadas brasileiras não participassem do trabalho de auxílio às vítimas da tragédia?

Mais de 80 mil pessoas foram resgatadas com vida em meio às enchentes.

Números atualizados em 14 de junho também apontam 176 mortes e ainda uma quantidade imensa de desabrigados.

Já imaginaram se não houvesse o apoio do Exército, Marinha e Aeronáutica aos órgãos de Defesa Civil e aos Bombeiros?

Militares das três forças somados ao de policiais militares de todo o país, mobilizaram 34 mil agentes, foram empregadas 620 embarcações e 80 aeronaves no ŕesgate junto às inundações, dentro da chamada Operação Taquari.

Estes números representam mais de quatro vezes o efetivo da maior ação liderada pelo Brasil em forças de paz que foi a Missão das Nações Unidas no Haiti, entre 2004 e 2017.

Em Angola estiveram cerca de 4 mil soldados brasileiros, na missão de paz enviada durante a guerra civil daquele país, de 1995 a 1997.

Isso dá uma ideia do gigantismo que está sendo o atendimento às vítimas no Rio Grande do Sul e o trabalho ainda não terminou.

Este contingente supera até mesmo o da Força Expedicionária Brasileira – FEB que atuou na Itália durante a Segunda Guerra Mundial, com 25 mil pracinhas.

O papel de salvar vidas, desenvolvido pelas Forças Armadas, é o principal demonstrativo do significado correto da palavra solidariedade.

Foram montados 12 hospitais de campanha e resgatadas cerca de 80 mil pessoas, além de 10,5 mil animais, graças a uma ação conjunta com policiais civis, militares e bombeiros de todo país.

Cenas registradas pela televisão como a de helicópteros retirando pessoas ilhadas e até de um bote usado pelos bombeiros de São Paulo, para resgatar um cavalo de cima de um telhado, serão sempre lembradas.

Escrevo tudo isso, em primeiro lugar, porque o incansável auxílio de todos os militares merece nossos elogios, mas também pelo fato de não fazer muito tempo de ter ocorrido uma tentativa de se envolver as Forças Armadas, em uma trama para um golpe institucional que fracassou.

No episódio do 8 de janeiro, as Forças Armadas permaneceram nos quartéis e não se envolveram na insensatez dos reacionários descontentes com o resultado das eleições que queriam modificar a qualquer custo os rumos da nação com uma quartelada.

O Exército não se prontificou a isso e assim provou que os golpistas não são maioria entre os militares.

A atuação correta, incansável e crucial das Forças Armadas no Rio Grande do Sul, reforça ainda mais nossa confiança e, da maioria dos brasileiros, nos organismos de proteção.

Exército, Marinha e Aeronáutica, assim como as nossas Polícias Militares estão de parabéns pelo trabalho que realizam em defesa da população. 

São instituições ativas, vivas e vigilantes na proteção da nossa Pátria e de nossa sociedade, em respeito ao povo e à constituição brasileira.


Fontes: Jornal Digital GZH – Humberto Trezzi: Forças Armadas mobilizam contra as cheias efetivo maior do que qualquer missão de paz da ONU | GZH (clicrbs.com.br) e Crônicas da Cidade


sexta-feira, 7 de junho de 2024

Ruas de São Paulo causam confusões difíceis de explicar

 Onde fica a Rua João Ribeiro do Vale?

 Se for João Ribeiro do Vale, fica na Lapa, mas se for Ribeiro do Vale, é no Campo Belo”.

 Assim também ocorre no Sacomã onde existe a Rua Fausto e na Vila Romana está a Rua Faustolo.

Hoje em dia as coisas estão mais fáceis temos o GPS ou aplicativos como o Waze que nos ajudam a não errar os caminhos, mas tome cuidado.

 Se o endereço não for escrito corretamente ainda é possível errar o caminho, basta escrever Rua em vez de Avenida e a confusão está armada.

 A Rua dos Bandeirantes fica no Bom Retiro, mas a Avenida dos Bandeirantes, se inicia no Jabaquara e só termina na Marginal do Pinheiros.

Se a direção for a Rodovia dos Bandeirantes, o caminho será preferencialmente na direção da Marginal do Tietê, avenida que possui vários nomes como Assis Chateaubriand, Presidente Castelo Branco, Morvan Dias de Figueiredo, Otaviano Alves de Lima, entre outros.


A Rua Turiassu possui placas escritas grafias diferentes e em outras épocas foi denominada como "Rua Turyassu", como no mapa de 1897. 

 A respeito da grafia correta (Turiaçu ou Turiassu), existem divergências entre os tupinólogos, mas no Dicionário de ruas, o nome aparece com dois esses.

 Washington Luiz dá nome a rua, avenida, viaduto e rodovia, o morador de São Paulo até entende essas diferenças, mas quem não reside na cidade se atrapalha.

A Rua Beneficência Portuguesa, por exemplo, é uma travessa da Brigadeiro Tobias, região central, mas há pessoas que confundem a rua com o hospital que se localiza na Rua Maestro Cardim, paralela à Avenida 23 de Maio, na Bela Vista.


Certa vez aconteceu uma ocorrência policial sobre a Ponte Cidade Jardim cujo nome havia sido trocado para Ponte Engenheiro Roberto Rossi Zuccolo e a atendente do Copom não localizou o antigo nome em seu mapa, achou que era trote e não mandou viaturas para lá.

A antiga nomenclatura da ponte vizinha ao Jóquei Clube era bem conhecido, mesmo assim a policial se confundiu. Coisas de São Paulo.


O engenheiro, professor de quase todos os arquitetos modernos saídos do Mackenzie, batizava há tempos uma avenida da Vila Leopoldina onde funciona o Centro Têxtil, cuja foto aparece acima.


Houve também, o caso do Túnel Nove de Julho, cujo nome foi mudado para homenagear o Dr. Daher Elias Cutait, médico ex-diretor do Hospital Sírio-Libanês, então recentemente falecido.

As entidades que defendem as tradições da Revolução Constitucionalista de 1932 ficaram iradas e pediram a devolução do antigo nome, a prefeitura alegou que na documentação os dois túneis não tinham denominação porque foram inaugurados junto com a avenida e só receberam placas depois de uma reforma.


No final para agradar a todos os túneis ficaram com dois nomes: Nove de Julho – Dr. Daher Elias Cutait.

Só que a decisão virou moda entre os vereadores que passaram a incluir nomes em outros logradouros já existentes.

Na Marginal do Tietê várias pontes passaram a ter dois nomes, basta passar de carro para ver.

 Durante o século 20, depois que São Paulo passou a crescer rapidamente, não havia ainda tantas pessoas ilustres para dar nomear às ruas.

 Ficou definido que seria criada uma Divisão de Logradouros que passou a designar os logradouros dentro de cada bairro, através de temáticas.

Indianópolis e Moema, por exemplo, ganharam ruas inspiradas em tribos indígenas e pássaros, o Ipiranga recebeu denominações ligadas à independência do Brasil. 


Ruas do Fico, do Grito e 1822, são algumas delas.

Daria ainda para escrever mais sobre as quase 60 mil ruas e avenidas que compõem a capital paulista, mas hoje paramos por aqui.

 

Fonte: Pesquisas do nosso acervo particular e fotos extraídas do Google