sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

Comemore o aniversário de São Paulo e contemple a paisagem de edifícios em fotos aéreas


Vista do alto, de preferência a bordo de um helicóptero, a cidade de São Paulo revela sua grandeza, charme e beleza.

Se existem feiuras e mazelas? Sim, elas existem mas ficam para outra ocasião.
Afinal de contas neste 25 de janeiro de 2020, a capital dos bandeirantes completa 466 anos e quando alguém faz aniversário, educadamente devemos dar os cumprimentos deixando as críticas para depois.

Quando meus amigos ou amigas aniversariam costumo dizer: “Hoje é dia de feriado em seu coração”. Com a cidade é a mesma coisa. Sendo assim: “Parabéns, São Paulo.

Como presente de aniversário da cidade decidi mostrar algumas fotos interessantes que encontrei pela internet.


Esta é uma foto tirada em 2019 por de um helicóptero em sobrevoo pela Avenida Paulista.

Além da ciclovia em vermelho no canteiro central, vemos da altura da Praça Osvaldo Cruz parte do telhado do Shopping Paulista e mais acima o emaranhado de prédios que compõe o bairro de Cerqueira César e mais adiante a barreira interposta pela lei do zoneamento.

Da Rua Estados Unidos em diante não há nenhum prédio. O bairro revestido de verde na parte mais alta da foto é o Jardim América, ou se preferirem, o nome atual: região dos jardins.


Essa outra foto é da Casa das Rosas construída em 1935 a partir de um projeto do escritório Ramos de Azevedo.

Tombada pelo patrimônio histórico em 1985 serve de contraponto entre o novo e o antigo em convivência harmoniosa.


Como ilustração entre o passado e o presente apresento essa foto com um desfile de Romi-Isettas na Avenida Paulista nos anos 1950.

Nos remetendo a um tempo distante percebe-se um grande edifício sendo erguido ao fundo do Trianon.

Era o início da transformação na paisagem pela qual passaria a avenida mais conhecida de todos os paulistas.


Na região dos jardins, a foto noturna acima mostra a Igreja Nossa Senhora do Brasil, realçada por luzes em todo o seu esplendor.

Ao fundo os belos arranha-céus das Avenidas Faria Lima, Rebouças e adjacências abraçam a paróquia construída no estilo neobarroco.


O mar de arranha-céus que hoje faz parte da paisagem paulistana começou no início do século 20 a partir centro da cidade.

Os edifícios Itália e Copan ainda despertam atenção pela altura, tamanho e linhas arrojadas, mesmo debaixo de um céu carrancudo, coisa comum nesta época do ano.


Para complementar nosso passeio através das fotos aéreas, avistamos o Quartel da Luz, agora chamado de Mansão da Rota.

Situado na Avenida Tiradentes, o prédio inspirado nas edificações militares do século 19 também foi projetado pelo arquiteto Ramos de Azevedo.

O lugar serve de base para as operações das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar – Rota, o maior batalhão de policiamento militar do Brasil.

Ao fundo vemos também o Quartel da Cavalaria da PM, entre as ruas Jorge Miranda e João Teodoro.

OBS:
Caso você tenha uma foto interessante e queira publicar neste blog, anote o e-mail: geraldnunes@gmail.com

E de novo: "Parabéns São Paulo pelos seus 466 anos!"

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Assistir um prédio sucata se transformar em hotel luxuoso faz parte das aventuras deste repórter aéreo


Quem mora na capital paulista e passa diariamente pela Marginal do Tietê, nem se dá conta que o prédio amarelo e branco onde agora funciona o luxuoso Holliday Inn Hotel, no Anhembi, foi durante anos um famoso esqueleto de concreto esquecido pela prefeitura.

Esse prédio guarda histórias de abandono e descaso, embora com final feliz
Inerte todas as manhãs durante as nossas decolagens com o helicóptero anos a fio, o prédio inacabado fazia lembrar um engradado de madeira onde se guardam garrafas, mas em concreto e tamanho gigante.

Projetado pelo arquiteto Jorge Wilheim sua construção teve início em 1970 quando a prefeitura fez da região um complexo de eventos e negócios.

Sua finalidade era justamente a de ser um hotel para hospedar os participantes dos eventos no Centro de Exposições e o Palácio de Convenções do Anhembi.

A falta de interesse dos empreendedores da época, é que fez do prédio um sucatão e assim ficou durante anos.

Essa foto de 1972 mostra uma prova de remo no Tietê já poluído e ao fundo o prédio inacabado do hotel de décadas depois

Transformado em um fantasma de concreto armado, o prédio que viria a ser do Holliday Inn, viu até mesmo o sambódromo do Anhembi, ser inaugurado em 1991, dez anos antes dele começar a ficar pronto.

Sambódromo do Anhembi visto no cotidiano de quem voa de helicóptero e pousa no Campo de Marte
O monstrengo só começaria a se transformar em hotel no ano de 2001, quando a construtora São José se associou à dona do terreno, a empresa Alcântara Machado para a obra enfim, prosseguir.

Anos de abandono, entretanto, saíram caro, pois foi necessário se reconstruir quase tudo.

Tiveram que refazer as escadarias abaladas pelo tempo, desalagar garagem, retirar entulhos, adaptar tubulações, refazer pisos, isso sem contar a vedação e acabamento de paredes, a parte mais trabalhosa e dispendiosa do processo.
Disseram que tudo saiu por conta dos empreendedores.

Durante um ano inteiro, a movimentação de caminhões e pessoas trabalhando na recuperação do prédio foi intensa e passou a fazer parte da rotina de quem passava nas imediações como nós, a caminho do helicóptero.

Relatos apontam que nos últimos quatro meses da obra de recuperação, os operários chegaram a trabalhar uma média de 18 horas por dia.

O sambódromo do Anhembi virou palco da Fórmula Indy em 2013 quando o Holliday Inn serviu seus quartos aos pilotos
Concluída a obra de recuperação, o Holliday Inn Hotel Anhembi passou a dispor, a partir de 2005, de 780 quartos em 13 andares e corredores com 160 metros de comprimento, além de 12 elevadores, restaurantes, bares e estacionamento exclusivo aos clientes.
Em nossa longa trajetória de repórter aéreo acompanhamos também as transformações na cidade, como essas relatadas.

O sambódromo do Anhembi em um dia de glória como esse em que as escolas de samba desfilam.
Sigam me acompanhando porque há mais histórias envolvendo "esqueletos", a serem contadas.


sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Um esqueleto de concreto ganhou fama na Rua Tucumã, em São Paulo, sob as vistas do repórter aéreo


Foram anos seguidos sobrevoando a metrópole diariamente. Isto nos permitiu acompanhar várias transformações significativas na paisagem urbana.

Por toda a cidade, vários prédios surgiram no lugar de antigas residências, mas o que nos chamava a atenção eram os edifícios inacabados.

Percebam a diferença de altura entre o Edifício Villa Europa e os prédios vizinhos

Obras em sua maioria da iniciativa privada, acabavam não sendo concluídas por imbróglios envolvendo sócios ou embargos da prefeitura.

Do helicóptero, vez por outra, comentávamos em nossos boletins a existência desses esqueletos de concreto.

Um desses famosos esqueletos surgiu na Rua Tucumã, uma travessa da Marginal do Pinheiros.

Sua obra de construção iniciada em 1994 só despertou nossa atenção quando foi embargada pela prefeitura e o assunto saiu nos jornais.

O edifício Villa Europa teve sua construção paralisada durante uma década e meia, pelo fato de fiscais da prefeitura terem notado que o espigão projetado para ter 86,6 metros de altura, já estava com 116,7 metros, ou seja, 30,1 metros a mais.

Se alegou até que a altura do Villa Europa iria interferir no tráfego aéreo dos aviões que pousam em Congonhas, suspeita depois afastada pela Aeronáutica que, no entanto, precisou ser consultada.

O embargo da Prefeitura ficou anos e anos na Justiça fazendo do Villa Europa o elefante branco mais discutido da cidade.

Ocorre que as famílias que já haviam adquirido os apartamentos vendidos na planta queriam uma solução para o caso.

O processo levado para os tribunais teve uma sentença também polêmica: Demolição entre o 27º e o 31º andar, ou seja, mais de 1.200 m² de lajes teriam que ser desfeitos.

O caso Villa Europa ganhou destaque nas páginas do Estadão e nos boletins do repórter aéreo
Depois, se chegou a um acordo, os trabalhos de conclusão recomeçaram e, a pedido da construtora, peritos autorizaram se modernizar e adaptar a obra aos novos padrões arquitetônicos surgidos após o projeto original.

Em 14 de dezembro de 2009, o edifício Villa Europa foi entregue a seus moradores, ou seja, 15 anos depois do início da construção.

Em nossas próximas publicações, escreveremos sobre outros esqueletos famosos de São Paulo... Esqueletos de concreto, claro.




terça-feira, 14 de janeiro de 2020

O trabalho de um repórter aéreo durante uma enchente é de extrema importância. Confira


Foram inúmeras as enchentes que tiveram a visão apurada deste repórter aéreo que aqui escreve e sobram histórias.

Vou contar algumas.

O objetivo da cobertura passa a ser o de avisar as pessoas para que não sigam em direção a um determinado ponto que foi invadido pelas águas, bem como orientar trajetos não afetados pela chuva.

Mas há certas enchentes que ocupam cerca de 300 ruas ou avenidas ao mesmo tempo.

Dentro de uma cidade como São Paulo, após um temporal com raios, granizo e trovoadas, algo comum no verão paulistano, encontrar rotas após essa chuvarada toda se torna bem difícil.

Tietê transbordando nas proximidades da Ponte da Casa Verde deixa marginal interditada

Não confunda enchente com ponto de alagamento.

Classifico o alagamento como uma imensa poça d’água sendo esta transitável ou não.

Já uma enchente ocupa todos os espaços: avenidas ou ruas inteiras são cobertas pelas águas que também invadem as casas, estabelecimentos comerciais, deixando pessoas ilhadas, trazendo prejuízos de todo tipo.

O sobrevoo de uma enchente começa geralmente após a tempestade e não tem horário para acabar.

Nosso relato do helicóptero precisa ser cuidadoso. Se não tomarmos cuidado podemos fazer com que pessoas fujam de um lugar com enchente para depois entrar noutro.

Em uma situação dessas resta ao repórter aéreo apenas relatar o acontecimento que modifica a paisagem urbana habitual

Minha primeira cobertura aérea de uma grande enchente aconteceu no verão de 1990 quando ainda não havia telefones celulares.

As pessoas ligavam para a redação da emissora de seus aparelhos fixos perguntando se poderiam sair de suas casas para chegar a determinado ponto.

A rádio passou a colocá-las no ar e comecei a passar as orientações ao vivo. Imagine a responsabilidade.

A partir de 1994 vieram os telefones celulares e a interação com os ouvintes passou a ser maior ainda.

A Rádio Eldorado AM foi a pioneira na criação do ouvinte-repórter.

O pior que pode acontecer em São Paulo em dias de enchente é quando o Rio Tietê transborda.

Além das pistas da via marginal serem ocupadas outros afluentes transbordam junto e o caos se estabelece.

Dizem que a maior enchente ocorrida em São Paulo foi a de 1929,

Ruas do Bom Retiro foram transformadas em uma Veneza paulistana.

Dá para se acreditar que esta é uma cena da cidade de São Paulo na grande enchente ocorrida em março de 1929?

Essa enchente marcou tanto a população da época que uma placa de bronze indicando a altura em que chegou a água do Rio Tietê foi instalada na Rua Porto Seguro, região do Bom Retiro.

Após a grande enchente de 1929 houve um surto de lepra entre os paulistanos 

Mas, das minhas recordações, a enchente mais volumosa foi a de 1999 quando o túnel do Anhangabaú ficou submerso.

A falta de energia elétrica ocasionada pela forte chuva impossibilitou o funcionamento das bombas.

Além disso o lixo espalhado pela cidade foi parar dentro do túnel sentido zona norte.

Os carros parados no congestionamento de trânsito dentro túnel ficaram cobertos passando depois a flutuar com as rodas para cima por causa dos pneus cheios de ar.

Do helicóptero a visão que tínhamos era essa da entrada do túnel. Lá dentro, mais problemas ainda

Os ocupantes dos automóveis que ficaram presos dentro do túnel, foram salvos pelos bombeiros e felizmente, lá dentro, ninguém morreu.

A interdição do túnel durou cerca de 19 horas e do helicóptero tivemos que do alto orientar caminhos alternativos para se evitar o Anhangabaú também na manhã seguinte.

Essas são apenas algumas das histórias envolvendo enchentes e sobrevoos, mas existem outras que contaremos em algum outro momento.









terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Aprenda a pilotar: Ao sair de um heliponto sobre um edifício, a decolagem deve ser em linha reta e só depois para o alto

Recentemente um leitor deste nosso blog escreveu perguntando como fazíamos para suportar tantas horas de voo dentro de um helicóptero sem ir ao banheiro.

De fato, aeronaves de pequeno porte não possuem toalete, mas como a autonomia de um Robinson R-22 é de duas horas de voo, entre um pouso e outro para reabastecimento, dá tempo do passageiro esvaziar a bexiga.

Mas essa pergunta me fez lembrar um episódio vivido por mim e pelo comandante Costandi Kardosh, em um dos inúmeros sobrevoos que fizemos juntos na cobertura do trânsito em São Paulo.

Depois ele se tornaria piloto número 1 do Globop e fundador da Helischool, escola que colocou no mercado de trabalho diversos novos pilotos que passaram a voar com a gente também.

Voltando ao assunto, foi em uma manhã dessas de tempo chuvoso e trânsito complicado que precisamos voar mais tempo que as habituais duas horas.

Em condições de chuva em uma aeronave não pressurizada, o corpo humano fica inflado e a vontade de fazer xixi aumenta consideravelmente.

Nossa chefia então nos comunicou da redação que seria preciso sobrevoar mais tempo, só que após a decolagem a vontade de fazer xixi voltou e com força.

Pensei em pedir ao piloto que retornasse à nossa base no Campo de Marte, só que isso exigiria o preenchimento de uma nova requisição de voo e se perderia muito tempo. 

Os ouvintes de nossa rádio não podiam ficar sem notícias.

Pedi então que pousasse em algum lugar para que eu resolvesse aquele assunto de uma vez por todas.

Costandi então avistou um imenso edifício em construção cuja obra estava parada, sem em nenhum funcionário.

Era o prédio que hoje abriga o Instituto do Câncer, um dos maiores hospitais verticais do mundo, na Avenida Dr. Arnaldo, com 112 metros de altura e 28 andares construídos em um terreno de aproximadamente 84.000 m².

A construção estava pronta, mas faltava o acabamento, o piloto então fez um pouso sobre a laje da torre de concreto.

A chuva tinha dado uma trégua e o piloto aproveitou para fazer xixi também.

No foi no alto dessa torre em construção que precisamos fazer xixi em uma manhã chuvosa

Restabelecidos e confortados retornamos à aeronave, mas como voltou a chover e desta vez com rajadas de ventos, houve dificuldade na nossa decolagem.

Foi então que o comandante Costandi me explicou que quando se decola do alto de um heliponto, a aeronave deve sair em sua em linha reta para depois subir.

Existe risco se a decolagem acontecer para baixo, seria como dar um mergulho em uma piscina.

Neste procedimento, pressionado pelo vento, o piloto corre o risco de perder o controle da aeronave e se espatifar com ela e seu passageiro lá embaixo.

De cima daqueles 184 metros de edificação tínhamos abaixo de nós as pistas da Avenida Dr. Arnaldo e os túmulos do cemitério do Araçá, visão essa nada convidativa.

Aí estão os túmulos do cemitério do Araça vistos por quem passa de helicóptero

Motor acionado, hélices em pleno giro. O comandante Costandi, segura firme o cíclico e o coletivo, movimentando os pedais. Com braços fortes segura o nosso pequeno Robinson R-22 e levanta voo saindo em linha reta para depois subir e encarar com autoridade o vento implacável.



Dali para a frente tranquilos, concluímos nosso trabalho naquela manhã chuvosa, sem maiores dificuldades.

Mais que isso, com a bexiga aliviada pudemos narrar a melhoria nas condições do trânsito retornando à base de maneira cômoda e precisa.

Este é o comandante Costandi Kardosh dando instruções de voo a bordo de um R-22


Este é o prédio do Instituto do Câncer com sua fachada atual visto por quem sobe de carro pela Major Natanael



Dia desses ainda conto sobre a presença de outros esqueletos históricos de edifícios em construção hoje ativos, que marcaram a presença em nossos sobrevoos pela cidade de São Paulo.







sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

São Paulo terá prédios adaptados e apartamentos acessíveis ainda este ano. Secovi-SP já elabora cartilha a respeito


A partir de 26 janeiro deste ano de 2020 entra em vigor a regulamentação da lei que determina a disponibilidade de apartamentos acessíveis em todos os prédios em construção.

São Paulo, cidade com o maior número de edifícios no País deve sair na frente visto que o Sindicato da Habitação – Secovi-SP e entidades parceiras do setor, já elaboram uma cartilha para orientar os empreendedores sobre as novas regras.

São Paulo é a cidade brasileira com maior número de edifícios, cerca de 45 mil

A medida cumpre determinação do artigo 58 da Lei Brasileira de Inclusão (Lei n° 13.146/2015) e, assim que for colocado em prática, facilitará a vida de pessoas com necessidades especiais.

Para que isso aconteça, incorporadoras e construtoras deverão elaborar projetos com base nessa cartilha com orientações sobre requisitos que levem em consideração o desenho universal.

A legislação estabelece que 100% das unidades precisarão ser projetadas com dimensões que facilitem o acesso de pessoas com mobilidade reduzida.

Deste modo, uma pessoa com deficiência ao adquirir um imóvel na planta, poderá requerer à incorporadora ou à construtora que sua unidade seja entregue totalmente acessível, sem nenhum custo adicional. 

Esse pedido, conforme determina a lei, precisará ser feito por escrito, antes do início das obras.

O artigo 58 da LBI lista também as adaptações construtivas que deverão estar disponíveis para escolha do requerente de acordo com suas necessidades.

Os compradores poderão solicitar, por exemplo, um puxador horizontal na porta do banheiro, ou barras de apoio no box e na bacia sanitária, torneiras com acionamento por alavanca ou sensor, fita contrastante para sinalização de degraus e registros, bancadas, lavatórios, quadro de energia com interruptores e tomadas na altura adequada para pessoas cadeirantes ou com nanismo.

A foto mostra um exemplo de edifício cuja entrada precisou ser adaptada ao desenho universal

A arquiteta Silvana Cambiaghi, mestre em acessibilidade pela Universidade de São Paulo, especialista em desenho universal e presidente da Comissão Permanente de Acessibilidade da Prefeitura de São Paulo – CPA, considera a medida um marco histórico na maneira de se morar.

Silvana lembra que, antigamente, os apartamentos eram naturalmente acessíveis, com menos cômodos e espaços maiores, mas, há cerca de duas décadas os cômodos diminuíram e multiplicaram-se, tornando muitas unidades inacessíveis para os portadores de necessidades especiais. “Esse decreto traz um retorno à habitação de qualidade”, avalia.

Arquitetura inclusiva

“O avanço neste tipo de reflexão certamente influenciará a forma de projetar e de construir edificações”, opina a arquiteta urbanista Adriana Levisky, membro do Conselho Deliberativo da regional São Paulo da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura - AsBEA e sócia titular do Escritório Levisky Arquitetos - Estratégia Urbana.

Adriana explica que o conceito de adaptabilidade trazido pela legislação abre um grande campo de qualificação na construção civil em todo o País.

“Os modelos de habitação serão criativamente dinamizados, seguindo as tendências do mundo contemporâneo”, afirma a arquiteta apontando que hoje as pessoas estão vivendo mais. 

“Isso torna necessária a implantação de uma arquitetura cada vez mais inclusiva”, ressalta.

Pesquisa do IBGE divulgada em 2018, mostra que um em cada quatro brasileiros será idoso em 2060.

Em 2039, o número de pessoas acima de 65 anos irá superar o de crianças com até 14 anos.

Estes fatores irão necessariamente influenciar as práticas de projetos voltados ao mercado imobiliário”, define Adriana Levinsky.

Para o vice-presidente do Sindicato da Habitação - Secovi-SP, Carlos Borges, mesmo as pessoas que não são portadoras de necessidades especiais um dia irão envelhecer e, eventualmente, vão precisar de uma cadeira de rodas para deslocamentos.

“Isso nos leva a incentivar essas mudanças em busca de uma arquitetura mais inclusiva com todo gradualismo para equilibrar questões econômicas para que todos tenham direto a uma moradia digna e adaptada à sua realidade para um futuro próximo”.

Confira as principais características para se ter um edifício internamente acessível

1- Vão livre de passagem das portas

2- Largura mínima dos corredores

3- Nivelação do piso no acesso à unidade e em seu interior, incluindo varandas e terraços

4- Alcance visual adequado de janelas e guarda-corpos com faixa de altura dos dispositivos de comando (ou altura especificada pelo adquirente)


5- Em pelo menos um dormitório: área de transferência em um dos lados da cama

6- Área de manobra com amplitude mínima de 180°, com permissão para compensação usando o vão da porta

7- Equipamentos de comunicação (alarme, campainha, interfone), quando disponibilizados no empreendimento


8- Em pelo menos um banheiro: aproximação frontal ao lavatório, áreas de transferência para bacia e chuveiro, e previsão de reforço nas paredes para instalação de barras de apoio;



9 -Na cozinha e área de serviço:  área de aproximação frontal à pia e áreas de aproximação lateral aos equipamentos, como fogão, geladeira e micro-ondas, entre outros.

Fonte: Revista Secovi-SP - A revista do Mercado Imobiliário

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Ano-Novo, ano-novo ou ano novo: Qual a forma correta de se escrever? Saiba também como surgiram os calendários


Existem três formas de se escrever e as três estão corretas, mas cada uma delas apresenta intenções comunicativas diferentes.

A palavra Ano-Novo, com hífen e maiúsculas, indica a festa de passagem de ano, ou seja, o Réveillon.

A palavra ano-novo, com hífen e minúsculas, indica o ano que começa, bem como o primeiro dia do ano.

A expressão ano novo, sem hífen e minúsculas, indica um ano que é novo, sendo o contrário de ano velho.



Origens da festa do Réveillon

Santo Agostinho, respeitado em todas as religiões cristãs por ter sido filósofo, detestava comemorar o Ano-Novo, pois dizia ser esta a “festa da loucura”. Se vivesse os dias atuais e conhecesse o carnaval, talvez mudasse de opinião.


A entrada de um novo ano é sempre um renovar de esperanças para se levar adiante os planos na busca constante de uma vida melhor.

Por pensarem assim, os franceses decidiram incrementar a festa de passagem entre um ano e outro e da conjugação do verbo réveiller, se criou o termo réveillon que em francês significa “despertar”, em alusão a uma nova era.




Os calendários e seu surgimento


Todas as culturas têm calendários anuais, seja para o ano novo chinês, judaico e outros mais.


Este nosso, foi elaborado pelos antigos romanos tendo sido aperfeiçoado ao longo dos séculos, sendo seguido até hoje em todo o ocidente.
  

A marca para se registrar a mudança entre um ano se deu a pedido de Júlio César, fundador do Império Romano, em 753 a.C.


Ao longo dos tempos, o calendário romano foi passando por sucessivas mudanças e, segundo registros, até 46 a.C. cada ano tinha apenas dez meses.


Novas alterações promoveram o surgimento do calendário juliano estipulando 12 meses e a data 1º de janeiro como dia inicial de cada nova contagem anual.


Os romanos deram o nome janeiro ao primeiro mês do ano para homenagear Jano, o deus dos portões que tinha duas faces: uma voltada para frente e a outra para trás.

O rosto das costas olhava o 31 de dezembro e o frontal para o primeiro dia do novo ano, que curiosamente até então tinha apenas dez meses.


Esta é a imagem de Jano, deus inspirador do nome janeiro
Agricultura fez aumentar o ano em dois meses

Descobriu-se que se fazia necessário criar mais dois meses, para que a conta das entradas e saídas das estações e os períodos de chuva e neve, dessem certo. 
Tal decisão facilitou a escolha das datas de agricultura para plantio e colheita

Mas se sabia que essas alterações iriam mexer com a vida e o cotidiano de muitas pessoas e por causa disso, já naquele tempo o assunto precisou passar primeiro pelo Senado Romano para só depois ser aprovado.

A mudança fez surgir um subtítulo: calendário juliano, pelo fato deste ter dois meses a mais que o anterior.

Os dois novos meses ganharam nomes em homenagem a dois antigos imperadores: Júlio César e César Augusto.

Surgiram assim os meses de julho e agosto, com 31 dias cada e situados bem no centro do calendário.

Para que a conta de 365 dias ao final de cada ano desse certo, se fez necessário suprimir dois dias de algum dos meses e o escolhido foi fevereiro que passou assim a ter 28 dias. Mais para frente quando outras alterações foram feitas para o estabelecimento dos anos bissextos, deram um dia a mais para fevereiro que a passou a ter 29 a cada quatro anos.


2020 é um ano bissexto. Fevereiro com 29 dias prova essa necessidade


Como o Senado Romano temia que houvesse confusão entre as datas, os demais meses do ano mantiveram seus antigos nomes. 


Ocorre que o mês de setembro que antes era o sétimo do ano, passou a ser o nono e novembro que era o mês nove, passou a ser o décimo-primeiro.

Dezembro continuou fechando o calendário, mas não na condição de décimo mês e sim décimo-segundo, apesar de ter mantido a mesma nomenclatura que já existia.


Cada ano tem 365 dias e seis horas. 6x4=24. Um dia inteiro a mais, entendeu?

Sobre as festas do Réveillon

No mundo uma das maiores festas de réveillon a céu aberto é a do Brasil, na Praia de Copacabana, Rio de Janeiro.  
Organizado pela prefeitura da cidade o festejo oficial dura cerca de 8 horas e tem como ápice a queima de fogos que dura cerca de 20 minutos. 

Aproximadamente 30 mil fogos de artifício são detonados de oito balsas atracadas a 360 metros da areia, num espetáculo que transforma a noite sobre a Baía de Guanabara em um festival de multicores levando às ruas mais de dois milhões de pessoas a cada virada. 


A maioria vestindo roupas brancas como a pedir paz para todos.

Em São Paulo a festa pública do réveillon acontece na Avenida Paulista, com a corrida de São Silvestre, que em seus primórdios acontecia nas tardes do dia 31 de dezembro.

Depois passou a ser no período noturno antes da virada, mas que agora ocorre nas manhãs.

Nas capitais do Nordeste a festa da virada é tão comemorada que inúmeras pessoas terminam embriagadas e desmoronam nas ruas ou na orla das praias sendo filmadas pelos noticiários de TV do dia 1o de janeiro.




No Brasil os festejos respeitam antigas tradições francesas de estourar champagnes. A tradição dos três pulinhos nas ondas do mar, no exato momento da virada, veio das crendices do folclore brasileiro inspiradas no candomblé.

O suculento prato de lentilhas servido antes da festa também é coisa nossa. 

O povo baiano tornou popular uma simpatia que é a seguinte; durante a contagem regressiva coloque sete sementes de romã na boca. 

Depois essas sementes são embrulhadas em um papel e colocadas no sol para secar. Essas sementes embrulhadas e já sequinhas passam a ser guardadas na carteira tornando possível se ganhar mais dinheiro.

Como diria Jackie Palance: "Acredite, se quiser!"

A quem ainda não experimentou essa simpatia, segue a sugestão. Quem sabe, a crise econômica termine de vez neste 2020 começando, mais uma vez, cheio de esperanças

Deste modo: Feliz Ano-Novo; Feliz ano-novo e Feliz ano novo!



Valéria Rambaldi colaborou nessa pesquisa