sexta-feira, 26 de maio de 2023

Avenida Celso Garcia leva nome do vereador que lançou ideia de se construir casas populares em São Paulo

A Avenida Celso Garcia foi durante boa parte do século 20, uma das mais conhecidas e movimentadas de São Paulo, por abrigar em seu entorno grande quantidade de lojas e indústrias da região do Brás e adjacências.

Até o início da década de 1970, foi a principal via de ligação entre o centro e a zona leste da capital paulista.

Depois veio a decadência e hoje, ao ver famílias inteiras morando em barracas na região central, nos surge a lembrança do antigo Brás e de um livro que traz a biografia do vereador que dá nome a essa, ainda, importante avenida.

Celso Garcia foi o primeiro a se preocupar com a questão da moradia popular na cidade de São Paulo.

O quadro acima feito da Rua Boa Vista por Benedito Calixto, revela como era largo o Tamanduateí. 

Na outra margem está o Brás, onde se inicia a zona leste. 

A vida pública de Celso Garcia, acontece na época dessa pintura, início do século 20, quando os limites do centro com a zona rural, começavam após a Ladeira do Carmo. Reparem as estreitas pontes sobre este rio.

No Brás daquele tempo havia chácaras e assim também era o Belenzinho, a Penha, Mooca e Tatuapé.

Ao se eleger vereador, Celso Garcia apresentou um projeto propondo isenções fiscais aos loteadores dos terrenos das antigas chácaras para incentivar a construção de moradias populares destinadas aos imigrantes.

Junto a isso, propôs a ampliação da rede de bondes para o atendimento desses novos bairros, bem como pavimentação de suas ruas e saneamento básico.


Nascido em 15 de outubro de 1869, na cidade de Batatais, mudou-se para São Paulo assim que completou 14 anos, para dar continuidade aos estudos e se tornar aluno da Faculdade de Direito do Largo São Francisco.

Após se tornar advogado, ingressou no jornalismo e passou a escrever em jornais como O Estado de S. Paulo e O Democrata Liberal, entre outros periódicos de sua época.

Em um dos artigos, denunciou o uso de funcionários públicos nos trabalhos de uma fazenda pertencente a um político.


No dia seguinte a essa publicação, foi agredido em plena luz do dia pelos capangas deste político e o caso, que acabou indo parar na polícia, repercutiu ainda mais.

Em outro artigo criticou a proibição aos negros de prestar concurso para ingressar na Força Pública, atual Polícia Militar. Sobre o assunto escreveu:

“Enquanto os negros idosos libertados da escravidão, vivem agora esmolando pelas ruas, os mais moços que não tiveram a chance de estudar, não podem ao menos exercer seus ofícios nos quarteis...”

Em 7 de janeiro de 1905 iniciou seu primeiro mandato de vereador e foi reeleito na eleição seguinte.

Permaneceu no cargo até a sua morte ocorrida há exatos 115 anos, quando foi visitar parentes na cidade de São João da Boa Vista.

Lá contraiu uma pneumonia dupla e no dia 30 de maio de 1908, aos 38 anos de idade, aconteceu sua despedida.


Não chegou a ver sancionado seu projeto que permitiu o início da expansão dos bairros da zona leste a partir da lei 1098, assinada pelo prefeito interino Raymundo Duprat, em 8 de julho de 1908.

Em sua homenagem a Avenida da Intendência foi rebatizada para Avenida Celso Garcia, através do decreto nº 1.086, de 15 de julho de 1908.

Na Praça Major Guilherme Rudge, no Belenzinho, encontra-se um busto de Celso Garcia com a inscrição “Homenagem de amigos e sociedades operárias”.

Estudiosos de sua obra não encontraram nos anais da Câmara Municipal algum discurso eloquente, mas sabe-se que foi um grande articulador político.

Celso Garcia conseguiu unir os interesses dos imigrantes operários e da classe média paulista, com os da alta sociedade extremamente conservadora em sua época.


Crédito: Infográfico elaborado pela Câmara Municipal de São Paulo/ Revista Apartes

 


Fontes de Pesquisa:  AMARAL, Pedro Ferraz/Celso Garcia/Martins Fontes Editora/São Paulo/1972

REIS, Philippe Arthur dos/Ruas Paulistanas/Ed. Alameda/São Paulo/2022

Revista Apartes/CMSP/https://www.saopaulo.sp.leg.br/apartes/defesor-das-quebradas/

Portal São Paulo Antiga

sábado, 20 de maio de 2023

Velozes e furiosos: Cada vez mais brasileiros morrem no trânsito

Mais de 100 automóveis foram apreendidos em uma megaoperação do Comando de Policiamento de Trânsito - CPTran, realizada neste mês de maio/2023, contra os rachas que vinham acontecendo nas madrugadas pela região dos Jardins, em São Paulo - Capital.

Por coincidência, no mesmo dia da blitz, o ator Vin Diesel compartilhou o novo pôster de 'Velozes e Furiosos 10', entre as imagens aparece o Cristo Redentor como pano de fundo.

Não é a primeira vez que o Brasil é retratado na série, uma das razões é o sucesso do filme entre os brasileiros, cujo país é o terceiro do mundo em mortes no trânsito; 33 mil vidas foram perdidas em 2021.

Na nossa frente estão Índia e China, respectivamente.

Escrever sobre números trágicos não é fácil, por isso iremos ilustrar o assunto com imagens menos chocantes.

Há exatos 12 anos, em maio de 2011, a Organização das Nações Unidas - ONU estipulou o início de uma década de ações para aumentar a segurança no trânsito.

O mês de maio foi o escolhido para a apresentação de balanços por parte das nações signatárias, sobre suas iniciativas em prol da segurança nas ruas, avenidas e rodovias.

Na ocasião, a Organização Mundial da Saúde – OMS, preparou recomendações com base em um documento contabilizado em 2009, com números alarmantes.

2009 foi trágico: 1,30 milhão de seres humanos morreram no mundo em acidentes de trânsito contabilizados por 178 países.

Tais desastres ocasionaram 50 milhões de pessoas feridas, muitas das quais passaram a ter sequelas de todo tipo.

Entre as vítimas do trânsito está o ator Paul Walker, de Velozes e Furiosos, que viajava em um carro dirigido por seu amigo.

Em alta velocidade o condutor perdeu o controle e ambos morreram após colisão em um poste, no ano de 2013.

Passados 14 anos da programação estipulada pela Organização das Nações Unidas e 10 anos da morte do artista, os resultados ficaram abaixo do esperado.  

Números atuais apontados em um relatório do Observatório Nacional de Segurança Viária - OSNV indicam o registro de 1,35 milhão de vítimas fatais no trânsito pelo mundo todo.

Com sede em São José dos Campos – SP, o OSNV lançou em 2014, o movimento Maio Amarelo, com programas de conscientização para motoristas, passageiros, motociclistas, ciclistas e pedestres.

A média daquele ano foi de 120 mortes diárias no Brasil e atualmente, são 88 óbitos todos os dias, números ainda considerados altos.

Os acidentes de trânsito custam ao nosso país, 20 bilhões de reais a cada ano para o Sistema Único de Saúde - SUS.

Em todo o mundo, o trânsito é a principal causa de mortes entre os jovens de 15 a 29 anos.

Em 2022, na capital paulista morreram 374 pessoas em acidentes com motocicletas, entre condutores e passageiros da garupa.

Por tais motivos recomenda-se evitar serviços de Moto-Táxi e Uber Motos. 

Este número corresponde a 35% das mortes no trânsito paulistano, cuja média de motociclistas mortos, é de três por dia.

Entre as bikes também há números que entristecem: 1.906 ciclistas perderam a vida em todo o país, durante o ano de 2021.

Desse total, 321 ciclistas se acidentaram no Estado de São Paulo e 41 na capital paulista, ou seja, 19,5% do total das mortes entre brasileiros.

Ao todo 286 pedestres perderam a vida atropelados no trânsito da capital paulista, em 2021, boa parte por atravessarem fora da faixa.

Atualmente, 89% dos veículos já saem das montadoras com controle eletrônico de estabilidade, índice que reduz em 46% o risco de acidentes. Ocorre que surgiu um outro tipo de imprudência: 53,7% dos acidentes aconteceram pelo uso do celular ao volante.

Se todos trafegassem a 30 km por hora dentro do perímetro urbano, haveria 90% de chances de sobrevivência, apontam estimativas da Organização Mundial de Saúde.

O uso do cinto de segurança no banco da frente reduz o risco de morte em 45% e no banco traseiro em até 75%. 

O trânsito é a maior causa de mortes em termos globais com 3.000 vidas perdidas em ruas ou estradas por dia.

Para criar caminhos mais seguros, o Maio Amarelo tem como conceito, a metodologia do programa Visão Zero, surgido na Suécia, durante a década de 1990.

Este programa defende que nenhuma morte ou lesão no trânsito é aceitável, assim todos os que fazem parte do sistema; governos e a sociedade devem compartilhar responsabilidades e contribuir para a segurança nas ruas, avenidas e estradas.


Dez atitudes para um trânsito mais humanizado

A falta de segurança nas vias públicas afeta a todos, interrompe vidas e deixa sequelas físicas e emocionais em milhares de famílias.

Juntos, governos e população, ficará mais fácil enfrentar esse enorme desafio.

Vamos tomar atitudes corretas no dia a dia: Quais são elas?

1 - Respeite sempre a sinalização e as leis de trânsito

2 - Nas rodovias respeite o limite de velocidade e apenas ultrapasse em áreas permitidas

3 - Se estiver conduzindo veículo motorizado, atenção especial em relação aos ciclistas e pedestres

4 - Ao dirigir use sempre o cinto de segurança e exija que outros ocupantes do seu veículo façam o mesmo

5 - Não use o celular enquanto dirige e, se for pedestre, preste atenção ao atravessar a via, se estiver utilizando smartphone

6 - Se estiver conduzindo veículo motorizado, respeite as faixas de pedestres e, se for pedestre, apenas atravesse a via usando a faixa de segurança.

7 - No ambiente urbano conduza a 30 km por hora no máximo

8 - Lembre-se sempre de fazer uma rápida revisão no veículo antes de viajar, incluindo pneus, luzes e equipamentos como o limpador de para-brisas e outros

9 - Antes de pegar a estrada mantenha distância segura do veículo que vai à frente

10 - Nunca dirija após ingerir bebida alcoólica 


Caso queira, assista Velozes e Furiosos 10, só não tente imitar os atores, pois tudo aquilo é mera ficção e montagens.

Espero que tenham entendido nossa tentativa de apresentar a realidade do trânsito sem fotos que deixem os leitores mais chocados ainda.

Nossa intenção é informar e não fazer sensacionalismo.

 

Fontes: OSVN, Infosiga e Estadão Conteúdo


sábado, 13 de maio de 2023

Rita Lee e os jardins suspensos da Babilônia: Conheça mais essa história sobre ela

Os paulistanos de raiz ainda estão se sentindo órfãos, Santa Rita de Sampa se foi, mas as recordações dela permanecem.

Em 1978, ano em que ingressei na faculdade de jornalismo, Rita Lee lançou Babilônia, seu sexto álbum de estúdio, quarto e último com a banda Tutti Frutti.

Até então este ainda jovem estudante nada sabia a respeito dos maravilhosos jardins suspensos citados na música da cantora.


Os jardins plantados sobre edifícios, vieram a mando do rei Nabucodonosor, no século VI a.C., rei este c
itado na Bíblia Sagrada.

Babilônia era o nome da capital da Suméria, na antiga Mesopotâmia, que atualmente é o Iraque. Sua posição geográfica entre os rios, Tigre e Eufrates, favorecia o desenvolvimento de comércios e riquezas.

Por conta disso, a cidade recebeu grandes construções, entre elas uma composta por 6 terraços em forma de andares, cheios de plantas ornamentais.

Alguns relatos descrevem estátuas de deuses, touros e dragões, além disso, escravos alimentavam um sistema de piscinas e cachoeiras através de roldanas e baldes, usando as águas do Eufrates.

Sua destruição é citada em Isaías 13-20: “Nunca mais haverá habitação nela, nem o árabe armará ali a sua tenda, nem tampouco os pastores ali farão deitar os seus rebanhos...”

Cientificamente, entretanto, nunca se obteve alguma evidência arqueológica que prove se os Jardins da Babilônia realmente existiram.

Em 2013, a cientista da Universidade de Oxford, Dra. Stephanie Dalley, encontrou o que ela acredita ser a construção enterrada dos Jardins Suspensos da Babilônia.

Entretanto, a localização não se encaixa com a dos relatos. Em vez de estar na Babilônia, Dalley encontrou os restos na capital do antigo Império Assírio, Nínive, entre o Rio Tigre e a Cordilheira de Zagros.

A partir desta evidência, parte do mundo científico, passou a acreditar que os Jardins Suspensos da Babilônia foram construídos entre 705 e 681 a.C. pelo rei Sennacherib. Ou seja, a construção se deu séculos antes do que se acreditava.

Assim, surgiu a teoria que os relatos escritos eram formas de reviver a memória de tempos passados.

De fato, até hoje não podemos saber com total certeza se eles existiram ou não. E, inclusive, onde eles foram construídos.

Mas, ainda assim, os jardins babilônicos estão entre as maiores e mais belas construções do mundo antigo, junto com as pirâmides do Egito.

Sentiram que Rita Lee também nos ajudou a estudar e compreender a história?

Assim como Raul Seixas, Santa Rita de Sampa, nasceu há dez mil anos e seguirá viva, agora ao lado de Elvis, John Lennon e outros grandes nomes da música universal.

Qual a verdadeira cor dos olhos de Rita Lee? Cada foto uma cor diferente!

O portal de celebridades HWceleb.com garante que são da cor avelã.

Confira:  https://hwceleb.com/pt/person/rita-lee/

Este assunto, entretanto, será uma outra história que fica para uma outra vez.

O melhor mesmo é ouvir nossa Rainha do Rock cantar:


Fontes: Infoescola e Super Misterioso:

https://www.infoescola.com/historia/jardins-suspensos-da-babilonia/

https://www.supermisterioso.com.br/jardins-suspensos-da-babilonia-realidade-ou-mito/



terça-feira, 9 de maio de 2023

O dia em que beijei Rita Lee por tabela

Diferente de Caetano Veloso, alguma coisa acontece no meu coração, só quando cruzo a Rui Barbosa com a Conselheiro Carrão.

Na esquina dessas duas ruas do Bixiga, funcionava o Teatro Aquarius onde vi pela primeira vez Rita Lee. 

O show se chamava Fruto Proibido, mesmo nome do álbum lançado pela cantora na gravadora Som Livre, com direito a comerciais na Rede Globo de Televisão, algo importantíssimo, em 1975.

Esse disco se constitui em um capítulo à parte dentro da história do rock nacional. 

No show, acompanhada pela excelente banda Tutti-Frutti, Rita Lee vestida de branco, era como se fosse uma deusa diante de um público embasbacado. 

Sua presença no palco impressionava, ninguém conseguia tirar os olhos dela.

Voltei para casa e naquela noite nem dormi direito, fiquei apaixonado pela cantora, à espera de que em algum momento pudesse vê-la novamente. Na escola procurava no rosto das meninas, alguma que se parecesse com a Rita Lee.

Ainda menor de idade, fiquei sabendo que a minha musa se apresentaria em uma associação de São Bernardo do Campo e para lá segui de busão, acompanhado de um amigo, hoje jornalista, José Antonio Leite, até o ABC.



Era uma quinta-feira e fazia frio, o público foi pequeno, mas quem compareceu pôde ficar bem pertinho de Rita Lee para ouvi-la cantar Ovelha Negra e outros hits daquele álbum inesquecível para os fãs.

Durante a apresentação, deram a ela uma garrafa de água mineral que após o término do show ficou esquecida sobre o palco.

Não tive dúvida, segurei comigo a garrafa de vidro vazia, e aproximei minha boca sobre o gargalho para sentir o gosto e o perfume do batom que Rita Lee usou naquela noite.

Por ser adolescente, contei depois para os amigos que cheguei a beijá-la por tabela, graças à garrafa autografada pela cantora.


A assinatura deixada para mim, por Rita Lee, foi semelhante a essa que aparece no outdoor acima. Quando cheguei em casa, cobri o gargalo com papel alumínio e a garrafa permaneceu anos e anos sobre um armário onde guardava meus discos, depois desapareceu.

Quando recebi a notícia de sua partida, por volta do meio-dia deste 9 de maio de 2023, as lembranças de Rita Lee vieram à tona e me fizeram chorar em um canto, escondido.

Para que a tarde não ficasse tão triste, resolvi escrever essas palavras de amor à minha primeira musa inspiradora.

Assim como Elvis, Rita Lee não morrerá jamais, guardarei para sempre em minhas lembranças o sabor e o perfume dos seus lábios.


“...como um mutante, no fundo sempre sozinho, em busca do meu caminho, ai de mim que sou assim, romântico...”

 

 

 

domingo, 30 de abril de 2023

CPI das Apostas Esportivas: Conheça um pouco da história das apostas no Brasil e dicas para apostar e ganhar

No país das contravenções a CPI das Apostas Esportivas, definida para começar neste mês de maio, alcançará algum resultado?

A proposta de autoria do líder do PSB na Câmara, deputado Felipe Carreras (PSB-PE), pretende apurar denúncias de um possível esquema de manipulação de resultados em partidas de futebol profissional.

Já faz algum tempo que a quantidade de sites de apostas vem crescendo, sinal que se trata de um negócio lucrativo, mas não muito bem explicado e regulamentado.

As conclusões dessa Comissão Parlamentar de Inquérito podem, quem sabe, levar a um projeto de lei que possibilite regulamentar de vez essa atividade de apostas de forma mais transparente.

Dia desses assisti no YouTube a propaganda de um cidadão que dá aulas sobre como escolher a combinação de números para ganhar na Lotofácil, regulamentada pela Caixa Econômica Federal.

Este professor afirma que existem números que aparecem mais vezes nos sorteios, isto me parece verdade, porque uma pessoa conhecida minha, acostumada a apostar, dizia a mesma coisa.

A razão desse mistério pode estar ligada ao astral das pessoas, mas não há sobre isso nenhum fundamento científico comprovado.

O brasileiro é por natureza supersticioso e busca nos sonhos a definição dos números ligados ao jogo do bicho.


Esse tipo de aposta surgiu em 1892, quando o Barão João Batista Viana Drummond, para atrair visitantes a um Jardim Zoológico de sua propriedade, no Rio de Janeiro, criou uma brincadeira a princípio despretenciosa e divertida.

Ao adquirir o ticket do ingresso, cada visitante recebia de brinde a figurinha de algum bicho do zoo.

No alto de um poste, bem na entrada do parque, escondia-se em uma caixa de madeira, a gravura de um dos 25 bichos da lista.

Ao final do dia, quem estivesse com a figura do animal tirada da caixinha ganhava um prêmio 20 vezes superior ao valor do ingresso.

A população gostou tanto da brincadeira que em pouco tempo, o jogo do bicho proliferou-se nos bares e depois conquistou o país todo.


Espertalhões passaram a bancar o jogo e a premiação se tornou diária, feita através de um sorteio feito sei lá por quem, cujos resultados eram colados nos postes. O ganhador recebia o prêmio no mesmo local onde apostou.

A malandragem percebeu que esse tipo de aposta era a forma ideal para lavar dinheiro sujo e pagar menos impostos.

Por esse motivo, além de outros, o jogo do bicho virou contravenção penal a partir 1941.

Na prática, entretanto, o jogo do bicho segue em funcionando na clandestinidade e sobre ele, há uma série crendices associadas aos números.

Existem até livros com orientações para se apostar com base nos sonhos, sejam eles com pessoas, animais ou até mesmo pesadelos.



No jogo do bicho cada um dos 25 grupos possui a figura de um animal e 4 outros números associados a ele, conforme a tabela acima, cujas dezenas seguem do 00 ao 99.

Quem costuma apostar na megasena sabe que a numeração vai somente do 00 ao 60. Neste caso, o apostador que se orienta pelos sonhos deve seguir a tabela dos grupos.

Se no sonho aparece algum problema sem solução, a melhor escolha é o número 12, o grupo do elefante.

Quem sonhar que está em um lugar apertado cheio de pessoas, o ideal é cravar no 13, o grupo do galo.

Como os pesadelos também valem, para acidentes ou más notícias, o bicho correspondente é o leão 16.

Sonhos com facas, garfos, colheres ou até mesmo frutas; aposte no macaco que é o grupo 17.

Água, limpeza e purificações: Águia 02.

Sorte no amor e no jogo 09 - cobra. 

Riquezas, joias, dinheiro e ouro; 23 - urso.

Se o sonho for com um cavalo branco, aposte no 11, mas se for cavalo preto ou castanho, prefira 03, correspondente ao burro.

Quem sonha com ovos crus, fritos ou cozidos não deve necessariamente apostar em aves, mas no carneiro 07.

Quem for apostar na Lotofácil ou nas tradicionais loterias de bilhetes a opção deixa de ser a dos grupos e sim a dos números ligados a eles. Essa alternativa também vale para quem aposta jogo do bicho.

Se você encontrar uma borboleta voando dentro de casa, aposte nos números que vão do 13 ao 16.

Nas ruas ao cruzar com algum gato, principalmente preto, escolha a sequência que vai do 53 ao 56.

Nos períodos de pouca chuva, a chance de dar jacaré na cabeça, é a mais provável, assim, escolha algum número com final entre 57 e 60.

Em época de Natal jogue no peru de 77 a 80 e na Páscoa, prefira o coelho do 37 ao 40.


Particularmente, não tenho o costume de apostar, nunca visitei um site de apostas esportivas e acredite: Nunca apostei no jogo do bicho.

Tudo o que escrevi me foi contado por pessoas acostumadas a apostar e que já ganharam pequenas quantias.

Se todas essas crendices dessem o resultado esperado, o Brasil seria um país de milionários.

Quero dar boas-vindas à CPI das Apostas Esportivas e que ela ajude a regulamentar também todos os outros tipos de apostas.

 

 

 

quinta-feira, 20 de abril de 2023

22 de abril: Cheio de contradições Brasil faz aniversário repleto de desigualdades, sem perder a esperança

Desde o descobrimento, há 523 anos, o Brasil segue do jeito que sempre foi, rico em belezas naturais e biodiversidade, mas repleto de intrigas e mazelas de ordem material e espiritual.

O Brasil é um país repleto de pessoas medíocres e violentas, capazes de cometer qualquer tipo de crime para se dar bem, obter dinheiro às custas dos outros, ou simplesmente ganhar notoriedade.

Não faltam também habitantes com carências de todos os tipos, cuja origem está ligada aos problemas estruturais de difícil solução aqui existentes. 

Até quando será assim? Só Deus sabe, mas o povo desta terra também é resiliente, capaz sorrir diante das adversidades. Temos o samba e o carnaval. O Brasil não se explica, se sente.

A marca registrada do nosso país no exterior ainda é o futebol, mesmo com os fracassos das últimas copas. Quando a seleção brasileira entra em campo o mundo para diante de alguma tela para assistir

Nosso time é multirracial, temos jogadores negros, brancos, morenos, loiros, mulatos, mestiços. Nenhum outro país é assim, tão diversificado em seus modos e jeito de ser quanto o nosso.

Somos a quinta maior nação do mundo em extensão territorial e população, nossas proporções continentais oferecem belezas naturais a quem nos visita e a língua portuguesa é a oitava mais falada no mundo, graças ao Brasil.

Temos virtudes e defeitos; quem mora aqui sabe dos nossos erros de conduta, corrupção, justiça falha e violência, causada em grande parte pelo conformismo ou oportunismo das autoridades.

Neste país existe um poder paralelo exercido por integrantes de facções criminosas e narcotraficantes e mais recentemente, extremistas saíram do armário para fazer discursos ódio divulgados nas redes sociais.

A miséria brasileira se escancara nas ruas de nossas grandes cidades, ao mesmo tempo em que a classe média coloca seus pais idosos nos asilos e as crianças nas creches para depois desfilar nas calçadas dos bairros e exibir seus cães de estimação.

A palavra ‘Brasil’ é repleta de significados e muito mais antiga que o nome da árvore de madeira cor de brasa, usada para colorir as roupas dos europeus do século 16. 

Em “A Viagem do Descobrimento”, Eduardo Bueno cita uma ilha mitológica, descrita por São Brandão, navegador irlandês do ano 565 da era cristã. Diz o autor que este santo, “saiu mar adentro em busca de um lugar sem males ao qual batizou de 'Hy Brazil, a Terra da Bem-Aventurança'”.

Outras versões apontam que a palavra Brazil, assim mesmo com “z”, provém do celta “bress”, origem do inglês bless – que quer dizer abençoar.


Na Europa do século 16, passou a se comentar após as cartas de Américo Vespúcio, cujo nome batiza os novos continentes, que as terras descobertas se assemelhavam ao paraíso de Adão e Eva, descrito no Gênesis.

“Nas novas terras as pessoas andam nuas e despreocupadas, se alimentam dos frutos que natureza lhes oferece, sem precisar plantar ou colher”, escreveu o desbravador.

Tamanho alvoroço causou essas cartas que a Inquisição propôs a vinda dos jesuítas para “catequizar este povo pecador”.


“O Brasil nasceu dançando”, afirma o antropólogo Antônio Risério. Em uma de suas obras, exprime: “Não à toa, quando os portugueses chegaram no local que se tornaria o Brasil futuramente, os índios, ao invés de atacarem, recepcionaram os desbravadores com uma dança”.

O próprio Pero Vaz de Caminha em sua carta ao rei de Portugal descreve os habitantes do Brasil de 1500, “...andam nus, sem cobertura alguma, nem fazem caso de encobrir ou deixar de encobrir suas vergonhas...acerca disso são de grande inocência...”

Tais definições vão de encontro à obra mediúnica de Chico Xavier com a assinatura de Humberto de Campos, “Brasil Coração do Mundo, Pátria do Evangelho”.

No livro é explicado que Deus reservou a este país uma população de espíritos em primeira passagem neste mundo, ainda pouco lapidados, cuja formação se deu pela união de três raças sofridas.

“Somos a miscigenação do branco injustiçado, pois muitos dos portugueses que para cá vieram, banidos do seu país, eram na maior parte inocentes, não mereciam aquela punição; assim como o negro escravizado e o índio, em seu primário estágio evolutivo...”

Do branco degredado herdamos a inquietação diante da injustiça; do negro escravizado aceitamos a submissão, a dor e o sofrimento. Do índio guardamos o espírito nômade, em certos momentos arredio.

O porquê de tudo isso? A resposta de Humberto de Campos é muito simples; “nada ensina mais a amar e a perdoar do que a dor e o sofrimento.”


Esses pareceres ajudam em parte explicar o Brasil, embora existam outros fatores que merecem análise científica mais apurada e precisa.

Se for assim, a fé e o romantismo que tão bem caracterizam o povo brasileiro, precisarão ficar de lado.

Nossa tentativa nessa breve postagem, foi a de explicar em curtas palavras como é o nosso Brasil pelo ponto de vista daquilo que observamos no dia a dia, sem entrar nas desagradáveis discussões políticas ou religiosas.

Tratamos aqui tão somente de observações, não sou sociólogo, nem antropólogo, sou cidadão brasileiro e já passei dos 60.

A experiência de vida hoje me serve de alicerce para expressar um pouco do que vivi de certo e de errado e do que aprendi neste país de muitos erros e poucos acertos.

Feliz Aniversário, Brasil – zil – zil...

 


Fontes:

Bueno, Eduardo/A Viagem do Descobrimento/Coleção Nova Brasilis Volume I/ 1998

Fontana, Riccardo/O Paraíso Terrestre de Américo Vespúcio/Editora Paralelo 15/2001

Risério, Antonio/A utopia brasileira e os movimentos negros/Editora 34/2007

Xavier, Francisco Cândido/Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho/Editora FEB/2004

quinta-feira, 13 de abril de 2023

Ruy Barbosa não ia com a cara de nenhum jogador de futebol. Por que será?

 O Campeonato Brasileiro de Futebol 2023 está começando e o acontecimento me faz lembrar Ruy Barbosa.

Como este é o ano do centenário de seu falecimento e por isso está sendo lembrado, decidi trazer esse assunto repleto de curiosidades que associa o nosso “Águia de Haia” ao futebol. 


Nosso mais ilustre jurista não chegou a fazer críticas ao futebol como prática esportiva, mas deixou claro que não gostava do comportamento dos jogadores de sua época.

O que houve foi o seguinte, em 1916 aconteceu a primeira edição do Campeonato Sul-Americano de Futebol, nome que se dava à atual Copa América e o Brasil participou.


Os jogos foram disputados em Buenos Aires, em comemoração ao Centenário da Independência da Argentina.

Participaram do certame quatro seleções: Argentina, Brasil, Chile e Uruguai. Todos jogaram entre si em turno único e o Uruguai sagrou-se campeão.

Ruy Barbosa reconhecido e admirado mundialmente, por seu discurso na Conferência Internacional pela Paz, em Haia, na Holanda, tinha também uma língua ferina, capaz de trucidar seus adversários pela força das palavras.

Hilário Franco Júnior em seu livro, “A Dança dos Deuses, Futebol, Cultura e Sociedade”, editado pela Companhia das Letras, em 2007, explica os motivos da irritação do tribuno.

Segundo o autor, um dos transtornos trazidos pela 1ª Guerra Mundial que acontecia na Europa, foi a escassez de navios no mundo todo.

Ruy Barbosa marcou viagem para a Argentina com uma delegação de juristas, a fim de participar de um congresso sobre direito internacional realizado naquele país.

A data do encontro coincidiu com o início do Campeonato Sul-Americano de Futebol e um navio foi fretado para levar a delegação comandada pelo ilustre mestre de todos os advogados.

Como sobrariam lugares na embarcação, o então ministro das Relações Exteriores, Lauro Miller, telefonou para Ruy Barbosa e avisou que colocaria os jogadores da seleção no mesmo navio.

O “Águia de Haia” ficou furioso, não aceitou a ideia, sob alegação de ter reservado camarotes para ele, esposa e filhos, além dos demais representantes convidados com suas respectivas famílias.

“Onde já se viu compartilhar nosso espaço com essa corja de vagabundos!”, esbravejou. 

Afinal, a profissão de jogador de futebol ainda não estava reconhecida no Brasil e quem ganhasse dinheiro jogando bola, era malvisto.


A seleção brasileira seguiu assim mesmo para disputar o torneio. Na ocasião nossos atletas vestiram em campo um uniforme de camisas listadas em verde-amarelo.

Só que a viagem teve que ser feita de ônibus e foram nove dias até o desembarque na Argentina. A chegada em Buenos Aires aconteceu no dia da abertura do campeonato.

O resultado não poderia ter sido outro, o Brasil perdeu na estreia e depois conseguiu apenas dois empates.

Ruy Barbosa jamais imaginou que com o passar dos anos, a imagem de nosso país ficaria associada ao futebol por ter a única seleção até agora pentacampeã do mundo.

Também não previu que o Campeonato Brasileiro seria o maior torneio interclubes do planeta Terra.

Se Ruy Barbosa estivesse vivo, para qual time de futebol iria torcer? 

Aceito sugestões de vocês torcedores e torcedoras, para a escolha do time que despertaria o carinho do nosso “Águia de Haia”, caso ainda ele estivesse entre nós.

Deixe seu comentário aqui mesmo no blog e depois divirta-se com o resultado de nossa enquete.

O Brasileirão 2023 está só começando.



 Fonte: Portal Rio Aqui