quinta-feira, 30 de julho de 2026

O povo está cada vez mais velho e os candidatos não estão nem aí

Começou mais uma campanha eleitoral, a polarização política mais uma vez está presente e isso prejudica o Brasil.

A maioria prefere votar no candidato de estimação, seja de que lado estiver sem levar em consideração propostas de governo.

Palanques se tornaram currais eleitorais, pessoas se comportam como carneirinhos obedientes diante de seus candidatos.

Isto revela a baixa estima do povo brasileiro, boa parte se torna subserviente aos políticos.

O psicoterapeuta suíço Carl Gustav Jung (1875-1961), dava a esse tipo de comportamento o nome “inconsciente coletivo”.

Essa constatação aparece nas redes sociais no formato de bolhas onde se agrupam defensores de uma ideia que os agrada.

Nada se discute, assistem comentários com palavras de ódio, ataques pessoais aos adversários e notícias falsas.

Problemas sérios são deixados de lado, um deles, a situação em que vivem milhares de idosos pelo país afora.

Contar com a ajuda de filhos ou parentes nem sempre é um caminho que pode dar certo.

Nem todos se preparam para o dia de amanhã e quando a velhice chega, os gastos com saúde aumentam consideravelmente.

Alguém sabe o significado da sigla ILPI? São as Instituições de Longa Permanência para Idosos.

Palavras como “Asilo” e “Casas de Repouso” estão em desuso, deram lugar a essa nova denominação, mas que na verdade, significa mais ou menos a mesma coisa.

As ILPI funcionam em sistema de filantropia, a maioria fundada por entidades religiosas, organizações não governamentais voltadas à comunidade e pela iniciativa privada

Essas instituições seguem regulamentos estabelecidos por leis federais, tendo por base o Estatuto da Pessoa Idosa - Lei nº 10.741/2003 e resoluções da Anvisa.

Em 2010, o Brasil tinha 20,5 milhões de idosos, hoje estimativas apontam para 35,2 milhões, ou seja, 72% a mais em 15 anos.

Projeções apontam: em 2050 seremos 65 milhões de brasileiros acima dos 60 anos, quase um terço da população.

A explosão demográfica de idosos está em curso, medicina avançou, remédios mais eficientes, pessoas vivem mais.

Tudo isso é bom, mas precisamos refletir sobre como será a vida quando a nossa autonomia declinar?

As ILPI mais acessíveis financeiramente funcionam assim: até 70% do benefício previdenciário é destinado à instituição e os 30% restantes ficam para os gastos pessoais do interno.

O Estado cumpre o papel fiscalizador e punitivo através de inspeções sanitárias, mas são pouquíssimas as verbas. 

Deputados e senadores não se preocupam com a situação dos idosos, são raras as exceções, verbas parlamentares seguem outros destinos. Supremo determinou investigação de emendas Pix sem plano de trabalho, em 2025. 

Regras foram definidas pela corte após impasse entre os poderes executivo e legislativo.

O IBGE aponta que cerca 160 mil idosos vivem hoje recolhidos em “Casas de Repouso”, no caso as ILPI.


A jornalista Aline Salla, editora da Revista Cuidar, escreveu um artigo propondo atenção mais detalhada sobre as ILPI.

Essas instituições não podem ser tratadas como último recurso para uma pessoa idosa não ficar desamparada. Toda ILPI tem condições de ser um local de convívio alegre e saudável.

Aline defende que é preciso reeducar a sociedade para compreender que “um dia a velhice chega”. 

Neste sentido em seu texto ela propõe a necessidade de se expandir, qualificar e padronizar os serviços das ILPI.

“O Estado precisa assumir o papel de não apenas fiscalizar, mas de financiar iniciativas”. Em suma, “envelhecer com assistência não é concessão, é direito garantido pela Constituição e pelo Estatuto da Pessoa Idosa”. 

De nossa parte sugiro a vocês, leitores e leitoras deste blog, que perguntem ao seu candidato qual o projeto dele em relação à terceira idade. Peça a ele ou ela que quando olhar no espelho se lembre de como era seu rosto quando mais jovem.

Através do espelho somos capazes de refletir nosso próprio futuro no sentido de que o tempo passa e a gente nem percebe.

De repente estamos idosos. Envelhecer não é ruim, todas as fases da vida são boas, precisamos apenas ter discernimento para compreender os limites do corpo e se movimentar com moderação.

Políticos servem para quê? Para nos representar. Disseminar o ódio não é atribuição que cabe a eles.

Apresentar projetos voltados à população é o que mais importa e isto vale para todas as instâncias do voto.

Pensemos bem em quem iremos votar nessas eleições.


Fonte: ©Revista Cuidar — No coração das ILPI - Aline Salla

Imagens: Google






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