quinta-feira, 23 de abril de 2026

Siga o caminho das Índias ao lado de Pedro Álvares Cabral

O que aconteceu durante a viagem de ida e volta às Índias sob o comando de Pedro Álvares Cabral? Embarque nesta nau, siga com a gente e leia até o fim porque essa história daria um bom filme.

A chegada às Índias se deu em Calicute e foi seguida de incidentes graves que resultaram na morte de Pero Vaz de Caminha, em 16 de dezembro de 1500.

Para quem não teve a oportunidade de ler a primeira parte dessa história em nossas postagens, acesse:

 Blog do Geraldo Nunes: Foi mesmo Pedro Álvares Cabral quem descobriu o Brasil? Há controvérsias

A expedição de Cabral zarpou de Lisboa em 9 de março de 1500 para alcançar as Índias, com uma escala a mais no roteiro.

Já se sabia que o Brasil existia, a vinda foi necessária para sacramentar o Tratado de Tordesilhas, feito com a Espanha dois anos antes.

Após “descobrirem” oficialmente o Brasil, uma das 13 caravelas retornou a Portugal levando a carta de Pero Vaz de Caminha ao rei Dom Manuel.

O texto de Caminha aponta que foram 10 dias maravilhosos em terras brasileiras, de 22 de abril a 2 de maio de 1500.

A carta transcrita para o português atual por Rubem Braga, em 1968, é rica em detalhes.

“...Enquanto andávamos nessa mata a cortar lenha, atravessavam alguns papagaios por essas árvores e deles verdes e outros pardos, grandes e pequenos, de maneira que me parece que haverá muitos...algumas pombas-seixas, e pareceram-me bastante maiores que as de Portugal...

Alguns diziam que viram rolas; eu não as vi. Mas, os arvoredos são muitos e mui grandes, e de infindas maneiras, não duvido que por esse sertão haja muitas mais aves!"

Pero Vaz de Caminha não retornaria a Lisboa, acabou sendo morto em Calicute, quando a feitoria instalada por Cabral acabou sendo atacada por um exército árabe.

Após partir de Porto Seguro a frota de Pedro Álvares Cabral navegou pelo menos mais 1.000 km pela costa brasileira.

A riqueza dos contornos e a variada vegetação deixou a certeza de que não se tratava de uma ilha, mas de um imenso continente.

A esquadra, enfim, se afasta do litoral e em 23 de maio de 1500, ao cruzar o Cabo das Tormentas, no sul da África, acontece uma horrível tempestade.

O desespero toma conta dos tripulantes. “Se queres aprender a orar, faça-te ao mar”, seguiu-se à risca o velho provérbio português.

Cinco navios afundaram, morreram mais de 300 homens, entre eles o grande navegador português Bartolomeu Dias.

Pouco representativo em sua época, por não ter sangue nobre, hoje é venerado pelos portugueses.

Em 1488, debaixo de um temporal que durou 10 dias, sua nau conseguiu passar da costa africana para o Oceano Índico.

Deu nome ao lugar o nome Cabo das Tormentas, mas o rei mandou mudar o nome para Cabo da Boa Esperança.

Dom Manuel I levou em consideração o sonho que dali se iniciariam bons negócios.

Em 30 de setembro de 1500 a expedição cabralina chega a Calicute no sul da Índia.

A riqueza da cidade deixa maravilhados os portugueses, como relatam os diários de bordo da época.

Pedro Álvares Cabral então se reúne com o Samorim, sumo mandatário e detentor do comércio local e a ele entrega uma carta.

Assinada pelo rei de Portugal e escrita em árabe para que assim se entendesse, a carte pede de modo gentil, autorização para se implantar uma feitoria.

Na mesma oportunidade, Cabral presenteia o líder político com moedas de ouro e prata, sedas e brocados em valor altíssimo.

Tudo o que foi entregue tinha valor muito superior ao apresentado por Vasco da Gama, que ofereceu dois anos antes apenas potes de açúcar e azeite.

Se acreditava que em razão dos pobres presentes o Samorim teria desprezado os portugueses.

A princípio a ideia pareceu ter dado resultado, o líder político se mostra feliz com os ricos presentes e autoriza Portugal instalar sua feitoria.

Dias depois, ele muda de ideia, um exército com mais de 300 soldados árabes e hindus ataca a feitoria matando cerca de 50 portugueses.

Entre as vítimas estava entre Pero Vaz de Caminha, morto em 16 de dezembro de 1500.

Apesar de bela, Cabral determina o bombardeio a cidade de Calecute e muitas pessoas morrem.

A expedição portuguesa então se dirige ao reino vizinho de Coxim, 200 quilômetros ao norte, conforme relato manuscrito em 20 de dezembro de 1500.

Lá ele consegue negociar mais facilmente com um rajá rival do Samorim e Portugal implanta em definitivo sua feitoria.

De Coxim as embarcações conseguem zarpar superlotadas e se inicia a volta para Lisboa, com as tão sonhadas especiarias.

Logo após o início da viagem, uma das naus encalha em um banco de areia.

Cabral manda incendiá-la porque sabia que piratas poderiam se apossar da carga posteriormente.

Nessa altura eram apenas cinco navios, dos 13 que partiram de Lisboa, em 9 de março de 1500.

A armada dobra o perigoso Cabo das Tormentas, em 22 de maio de 1501, desta vez sem nenhum problema.

Uma outra nave ainda se perderia na costa africana durante o trajeto de volta.

O desembarque em Portugal acontece no dia 22 de julho de 1501, apesar das perdas, ainda assim, se obteve um lucro calculado em 800%, conforme cálculos da época.

Os banqueiros de Gênova e Florença, financiadores da expedição, comemoram e o rei Dom Manuel anuncia uma nova viagem.

A essa expedição ele daria o nome de Esquadra da Vingança.

Cabral se apresenta para comandá-la, mas o rei decide escolher Vasco da Gama como capitão oferecendo a ele um segundo posto.

O descobridor oficial do Brasil reclama, afinal, ele alcançara o objetivo proposto.

O Venturoso se surpreende com a atitude e determina que Cabral seja afastado da corte e passe a viver isolado.

Ele passa então a viver em Santarém, cujas terras pertenciam a Isabel de Castro, sua esposa.

Ela sim, influente na corte, era neta por parte de pai e avós dos reis de Portugal e Espanha.

Estabelecem moradia no Castelo de Belmonte, mandado construir por Álvaro Gil Cabral, ancestral da família que deu origem ao sobrenome.

Assim que chegou ao oriente, o descobridor do Brasil ficou doente, contraiu malária nas Índias e nunca mais se livrou dos efeitos do mal que o acometeu.

Deste modo, passou a ser assolado por febres frequentes que o levaram à morte em 1520, aos 52 anos, sem as honrarias que se fez merecedor.

Foi enterrado na Igreja da Graça de Santarém, mas durante anos se acreditou que ali existisse somente o túmulo da esposa dele.

No Brasil sempre foi reconhecido tendo seu rosto sido colocado nas notas lançadas na época das comemorações de 500 anos do nosso descobrimento.

Mas também aqui, só passou a fazer parte da história do Brasil, quando Dom Pedro II, já no século 19, determinou que o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro levantasse fatos relativos ao descobrimento.

O historiador Francisco Adolfo Varnhagen, encarregado de atender a esse pedido, se deslocou a Lisboa.

Foi ele quem localizou o túmulo de Cabral e desengavetou a íntegra da carta de Pero Vaz de Caminha.

A exumação do corpo de Cabral aconteceu em 1871 quando então constataram ter ele, um metro e 90 de altura, algo raro na época em que viveu.

Em 30 de dezembro de 1903, uma parte do seu esqueleto foi trazido para o Brasil.

O esquife que pode ser visitado na Igreja do Carmo, do Rio de Janeiro.



Pesquisa em livros: Brasil, Terra à Vista e Viagem do Descobrimento – Eduardo Bueno. Nau Capitânia – Walter Galvani. Imagens extraídas do Google



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