Um dos maiores orgulhos em minha carreira de jornalista foi ter sido amigo do poeta Paulo Bomfim.
Nascido na capital paulista, em 30 de setembro de
1926 ele continua vivo no coração de seus admiradores, graças à sua poesia apaixonada e às boas
recordações que deixou.
Quando comecei apresentar o programa São Paulo
de Todos os Tempos na Rádio Eldorado, décadas atrás, tentei localizá-lo.
Não havia os recursos de hoje, tudo era marcado na
base dos telefonemas e não dispúnhamos do número dele.
Eis então que certo dia, toca o telefone na redação e
quem está do outro lado da linha? Paulo Bomfim.
O poeta me revela ser ouvinte do programa, faz elogios
ao meu trabalho e passa a sugerir nomes para serem entrevistados.
Acolhi com todo carinho as sugestões, mas disse que
primeiramente o entrevistado seria ele que aceitou e prontamente compareceu
ao estúdio no dia e hora marcados.
Foi um programa lindíssimo, Paulo contou histórias e
recitou vários de seus poemas como “Minha Insólita Metrópole”.
“Minha insólita metrópole, capital de
todos os absurdos!... Cidade feita de cidades, bairros proclamando
independência, ruas falando dialetos, homens com urgência de viver...”
Durante essa entrevista, o poeta contou que conviveu
com as pintoras modernistas Anita Malfatti e Tarsila do Amaral.
De Tarsila recebeu a ilustração que serviu de capa para o seu primeiro livro de poesias, ‘Antonio Triste’, lançado em 1946, com prefácio de Guilherme de Almeida.
Pela obra, Paulo Bomfim recebeu o Prêmio Olavo Bilac da Academia Brasileiras de Letras - ABL.
Generoso e solícito, Paulo Bomfim compareceu a algumas das
premiações que obtivemos como a Medalha Anchieta e o Diploma de Gratidão da
Cidade de São Paulo, oferecidos pela Câmara Municipal de São Paulo.
Paulo Bomfim também compareceu à nossa posse como
integrante do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, em 2002 e, posteriormente, nos tornamos confrades na Academia Paulista de História - APH, em 2011.
Tive a honra de conhecer sua esposa Emy (Emma Gelfi
Bomfim), com quem foi casado durante 50 anos, bem como Raul Paulo, o filho do
casal. Todos já se foram.
Pena que um dia o poeta precisou partir. Se existissem mais pessoas com a sensibilidade de Paulo Bomfim, a cidade de São Paulo seria melhor, mais humana.
O poeta nos deixou em 7 de julho de 2019 aos 92 anos,
mas sua poesia é imortal e ao longo deste 2026, iremos lembrar outras passagens
dele, através deste blog e nossos podcasts.
Agradecimentos ao Estadão Conteúdo e à jornalista Di Bonetti, curadora da obra e responsável pelo site de Paulo Bomfim: paulobomfim.com.br






